Gosto de ler blogues escritos por gays. Sim, é disso que quero falar. Não tem nada a ver com crises de identidade, crítica social, ou dúvidas sobre o que fazer ao meu pipi.
O que quero mesmo falar é dos blogues que leio escritos por gays. Têm sempre um discurso querido e fofinho que eu não sei ter. São sempre adoráveis mesmo quando falam de sofrimento e querem chamar filho da puta ao gajo que os deixou por outro. Mesmo quando querem ser violentos e partir a louça toda, fazem-no sempre com classe e sem sair dos saltos. Epá, gosto disso porque eu não sei ser assim tão meiga com quem me lixa, nem sei encarar com esperança e positivismo os dias de merda que uma pessoa às vezes tem. Porque tem. Quando sou bronca pareço o homenzinho que não queria parecer e por isso leio blogues de malta gay porque, de algum modo, me devolvem a feminilidade que se perde em pensamentos porcos e canastrões. Sinto, no final, conforto ao ver que há seres bons com capacidade de amar e perdoar em tons cor-de-rosa. E não estou a ser irónica. Isto vem mesmo do fundo do coração. Se assim não fosse não me dava ao trabalho de ir a determinados blogues todos os dias. Os tipos reconfortam-me a alma. Talvez por isso também eles consigam ser os melhores amigos das amigas. Gosto deles.
Mas há toda uma escalada de predicados que aprecio. Os meus queridos, escrevem como gajas mas melhor. Ou seja, escrevem assuntos da mulherada, ou como a mulherada escreveria, mas em bom. Sem erros, com bom ritmo, com conteúdo, com história. Com amor. Sem tangas.
Mas o melhor mesmo dos seus blogues é que ainda são os sítios onde vou apanhando as melhores imagens de tipos tesudos. Os sacanas têm sempre olho para escolher imagens de homens giros e sensuais como nenhuma mulher o sabe fazer. Sem medos. Tudo à grande. Com tudo a que se tem direito a ver. Uma vez por outra, lá tenho de gramar com imagens de homens a comerem-se uns aos outros. Mas o mal é meu: sou hetero e vou ter de viver com isso. E não tenho problema algum com isso mas fazem-me sempre parar para pensar: "como o mundo é injusto"... E suspirar um bocadinho por esta merda estar desequilibrada e haver tantos homens interessantes entretidos uns com os outros em vez de olharem para mim. Tipo... todos em simultâneo... sim, podiam ser todos meus.
Por isso às vezes invejo estes gajos que gostam de gajos, porque eu também gosto deles e sem bem porquê, mas sabem viver bem com isso, e eu às vezes não. Aquilo que a mim me escapa para poder ser tão bem sucedida no universo masculino é mesmo viver com mais drama mas, sobretudo, maior conhecimento de causa. Mais drama e melhor cabeça. Precisava ser homem para perceber os homens, é que está mais que visto.
Agora se me perguntarem se um dia quero ser gay? Pois que parvoíce. Não é coisa que se escolha por catálogo. Mas quando chegar ao céu (apesar de andar a fazer os possíveis por não ir) e Deus me perguntar como quero encarnar na próxima vida, sei bem o que vou dizer: "Óh Meu Deus, para a próxima quero ver se acerto na escrita, na vida e nos amores, por isso, para a próxima... Para a próxima quero ser gay!"
E agora lá vem o aviso ridículo em letras pequeninas para não me estragar o texto, mas já sei que tem de ser:
Isto não é mesmo, de todo, uma crítica preconceituosa, como alguns preconceituosos poderão estar agora a pensar. É um reconhecimento do talento dos muitos gays que escrevem pela blogosfera. Alguns dos melhores blogues que leio... são deles. Nascidos da sensibilidade única que eles têm.