14.5.14

Receita para a infelicidade




Mente sempre.
A ti aos outros e aos outros que vivem em ti.
Nunca sorrias.
Engole a felicidade que te invadir.
Nunca queiras sorrir ao ver a felicidade dos outros.
Ataca tudo e todos.
Mesmo os que não te atacaram, ataca-os também.
Não sirvas e não esperes ser servida.
Servir os outros traça um caminho de paz.
Ser servida demonstra gratidão.
Não sejas grata por uma paz que não tens.
Ignora o mundo.
Fecha-te em casa.
Não arrumes a casa.
Não se é feliz na desarrumação.
Grita e chora até sufocares.
Mas não o assumas.
Serás mais infeliz se o esconderes de todos.
Esconde-o de ti também.
Diz ao teu eu de fora que estás bem.
Repete que estás bem.
Mata o teu eu de dentro.
Deixa-o morrer.
Quando te estenderem uma mão recusa.
Sofre por teres recusado.
Isola-te.
Dorme sem conseguir dormir.
Quando o quarto estiver escuro não abras os olhos.
Escurece-o ainda mais.
Entrega-te à cama suja.
Aninha-te.
Pensa como chegaste aí.
Pensa como sairás.
Mas não descubras a solução.
Afinal,
Há alguma coisa que te dê mais felicidade,
Do que ser infeliz?




12.5.14

Tourette




[Este post também se podia chamar: "Coisas de que eu não me orgulho mas o meu cérebro não inibe"]

E o meu problema é este:
Porque raio, sempre que passo por um determinado colega meu, me vem à cabeça a palavra: "Punhetas".
"Punhetas"?
Assim, no plural.
Porquê, meu Deus?
Epá, punhetas não é propriamente uma linda palavra.

Será que sofro de uma espécie de síndrome de Tourette interno?
Será que um dia destes o meu cérebro deixa de ser contido e passa a verbalizar palavrões impróprios, em situações impróprias, em alto e bom som?
Será que um dia destes em vez de lhe dizer um "bom dia" lhe solto um profundo "punhetas para ti também!"?

Meus caros, estou com receio disto.

Se eu escalpelizar este fenómeno, posso atribuir de imediato as responsabilidades a esse meu colega que não curto. E não, não são sentimentos recalcados, nem um desejo íntimo por cumprir. Eu não gosto mesmo do fulano.
Mas caramba, também não é nenhum imbecil com o qual eu considere impossível dividir o meu oxigénio. Há outros piores e mais perigosos à sobrevivência da nossa espécie.
O homem não é nenhum atentado à humanidade que mereça que eu ponha em causa a minha saúde mental, o meu discernimento e que me faça duvidar do meu equilíbrio intelectual, só para salvar os outros do seu convívio.
É apenas estúpido e, que eu saiba, as pessoas estúpidas não provocam ataques, convulsões, de Tourette a ninguém.
Mas se a culpa não é da pessoa em questão, de onde virá o problema?
Estava aqui a tentar recordar-me de mais alguma vez que isto me tenha acontecido e, infelizmente... tenho de reconhecer aqui um padrão.
Há outra pessoa que me provoca isto.
E quando a vejo digo sempre dentro da minha cabeça: "Foda-se".
E "foda-se" também não é bom mas é menos pessoal, o que me tranquiliza quanto ao alvo mas, ainda assim, não me tranquiliza quanto ao gatilho.
O "foda-se" pode quase ser um "olá" entre amigos mas, tendo em consideração que eu não gosto da pessoa em questão, nem que viesse toda untadinha em Nutella, também não encontro razão para pensar num "foda-se" quando a vejo, como forma de amizade.

Então porque é que o meu cérebro dispara palavras pouco simpáticas quando se cruza com pessoas de quem não gosto?
Qual é o gatilho afinal?

Hmmm...
Escalpeliza....
Escalpeliza....
Hmmm, talvez comece a entender porquê.

Acho que a razão poderá ser, tão simplesmente, porque não os respeito.
É isso mesmo: o respeito.

E o que distingue as relações de amizade das de ódio, podem ser muitas coisas mas há apenas uma que cria um fosso intransponível: o respeito.
No amor e nos ciúmes a mesma coisa.
No carinho e na repulsa, também.
Tudo se resume ao respeito que sentimos pelos outros ou ao respeito a que os outros se dão.
Porque, pensando bem, até há pessoas de quem não gosto mas respeito e até há pessoas por quem daria a vida mas insistem em não se dar ao respeito.

[E caramba, que comecei a pensar nisto de forma tão divertida e afinal isto afundou-se numa conclusão tão drástica.
Mas pelo menos não é síndrome de Tourette].



9.5.14

7.5.14

Fracturas expostas



Hoje abri o jornal e o meu coração expulsou-se do peito.
As minhas pernas vergaram-se e as mãos encheram-se de suor.
Os olhos tremeram. Ainda tremem.

Há cerca de quinze anos fui catequista. Por ordem natural no meu percurso religioso e porque quis passar por essa experiência.
Nessa altura completamente despreparada da minha vida, foi-me atribuído um grupo de dez crianças com idades entre os sete e oito anos. Era o seu segundo ano de catequese e o meu primeiro e único ano como catequista.
Apesar da minha imaturidade e de não ter dado continuidade à experiência de catequizar, creio que cumpri com o que me foi pedido e com aquilo a que me propus. Foi muito positivo sob diversos aspectos e recordo cada momento, cada miúdo, e a personalidade de cada um. Tenho uma foto de grupo, tirada no último dia, que guardo com carinho. Sempre que a vejo sou transportada para um sítio bom. E ainda bem que fechamos ciclos com esse sentimento de tranquilidade.
Apesar de me recordar de muitos momentos e dos miúdos, um destes dias, quando voltei à minha terra natal, deparei-me com uma cara conhecida mas muito diferente: A Joaninha. E a Joaninha já tem vinte e dois anos no corpo (e que corpo) e um namorado atrelado à mão (e sabe Deus a mais o quê). E caramba! A miúda já tem mais anos que aqueles que eu tinha quando lhe dei catequese. Será que olhou para mim como a velha que lhe deu catequese?
Adiante.
Também me lembro bem do João, que era de Ponte de Lima e foi ali parar por força do trabalho dos pais, e no ano seguinte foi para outro lado qualquer. O João era uma criança amorosa, mas muito tímido, deslocado diria. Mas lembro-me muitas vezes do João, que já terá vinte e dois ou vinte e três anos e terá uma vida longe das minhas memórias da catequese. Mas imagino-o bom, com bom carácter e amigo. Assim espero que seja.
A Marisa, que também foi ali parar naquele ano por causa do trabalho do pai, tinha voz de desenho animado e tinha sempre a desculpa do chichi para estar o mínimo de tempo possível na sala. Eu percebia, piscava-lhe o olho e deixava-a ir. A cumplicidade e a confiança que quis fomentar entre adulto-criança foi sempre mais importante para mim, do que lhes dizer que Jesus foi o tipo mais espectacular que passou pela face da terra. Até porque havia dias em que própria tinha as minhas dúvidas. Creio que a Marisa não terá ido longe na vida (pressentimentos) e acredito que aqueles olhos triste só o estão ainda mais.
E heis que depois...
Depois, havia o Gonçalo.
O Gonçalo, esse caso especial de falta de educação, foi a criança que desenhou Jesus a snifar um risco de coca e escreveu isso mesmo no desenho, foi aquele que me apalpou as mamas, foi aquele que me mandou à merda e foi aquele - o único - que teve de levar um estalo na cara. Os pais do Gonçalo eram pessoas conscientes do filho que tinham e apoiaram a repreensão que lhe dei. Sempre houve um entendimento muito cordial entre nós.
A avó do Gonçalo, soube-o mais tarde, também foi minha catequista em criança e era a mulher que eu admirava na igreja porque cantava o salmo como um anjo. Eu dizia que quando fosse grande queria ser cantora do salmo, por causa dela. Lembro-me bem de o dizer à minha mãe.

Pois hoje, quando abri o jornal, o coração recuou quinze anos e morreu por quinze segundos.
O Gonçalo teve um acidente de viação grave, antes de completar os vinte anos. Não teve a culpa mas é ele que carrega o fardo de ter perdido a vida como a conhecia. Ficou paraplégico, em estado vegetativo, e agarrado a uma vida que não existe mais. Os pais, a avó, lutam como só eles poderiam lutar mas os recursos esgotam-se e a recuperação, ainda que lenta, pode estar comprometida.
Doem-me todas as partes do corpo e da alma por ver o Gonçalo e a família a passar por isto porque, para mim, o Gonçalo ainda tem sete anos. Ainda corre pela igreja, rouba hóstias e goza com as perucas dos santos. O Gonçalo ainda é a criança cheia de vida, de sangue na guelra e com um futuro cheio de promessas. Ainda o vejo com aquela cara malandra de quem prepara o próximo golpe contra a sua catequista.

Hoje, a fotografia do Gonçalo no jornal, lembrou-me que a imprevisibilidade da vida pode ser uma merda.
Apeteceu-me recuar quinze anos, dar o mesmo estalo ao Gonçalo e dizer-lhe que a vida vai ser curta e que ele devia continuar sempre a viver a mil à hora e aproveitar todas as chances da vida. As boas, as más. Porque, ao fim ao cabo, a dele foi interrompida quando não fez nada por isso, quando não teve culpa nenhuma.
Espero que a fractura que sinto em mim se recupere como sinónimo de que o Gonçalo também se recuperou. Que as ajudas cheguem depressa e que a esperança que tem movido os pais nunca, mas nunca, vacile.

Gonçalo, hoje vou beber um copo por ti, vou sorrir por dentro e por fora na esperança que o sintas, e vou pedir a Deus e a Jesus que olhem por ti. Eras criança. Com certeza se riram muito contigo. Com certeza que os fizeste felizes. 
E haverá lá recompensa maior que ter um filho que corre pela nossa casa, enquanto brinca e ri.




3.5.14

Bobi




Hoje foi dia de trazer um novo elemento cá para casa, o Bobi.
Na verdade eu preferia ter um cão mas a minha vida, demasiado egoísta e centrada em mim, faz-me ter consciência da responsabilidade que é ter um cão. É uma preocupação a full time e neste momento não me sinto com disponibilidade mental para assumir tal compromisso.
Mas andava a pensar no assunto, e nas alternativas a um cão, e ontem lá se fez luz.
Quando fui comprar um peixe telescópio para oferecer, numa fracção de segundo, imaginei-me com um peixe lá em casa. Talvez tenha até romanceado um bocado a coisa. E assim foi,  de um momento para o outro, em vez de um, tinha dois peixinhos no saco. "Isso de ter um cão é p'ra betinhos" (mentalizei-me eu).
E pronto, já instalei o Bobi e a sua amiga (que amanhã partirá para a sua nova dona) no mais belo globo de vidro, com decor apropriado e sempre ao alcance da minha vista.
O nome, esse já estava pensado mesmo antes de o ir comprar. 
Afinal, lá por não ter um cão não quer dizer que não possa ter um Bobi.
E cá está ele.

(Mas convenhamos que isto é pior que ter uma criança em casa: vou de cinco em cinco minutos ver se respira, vejo se fez demasiado cocó; se a temperatura da água não descamba e se a comida é do seu agrado... Cheira-me que esta noite nem durmo)




2.5.14

Quão tolos somos?



Get in my boat 
We'll sail away
I've always been scared
Scared of the sea
Give you some string
You find your way home
And i will be waiting when you return

I can't steal his heart
I can steal back mine
I can steal back mine
I can steal back mine
I can't steal his heart
But I can steal back mine

Stand in the shore
Arm is outstretched
The stars in the heavens
Are doing their best
He calls my name
And I meet his eyes
Now I have lived
Might as well die

I'm saying things are
I'm saying things are
I'm saying things are
Going to change
Saying things are
Singing things are
Singing things are
Going to change 

I can't steal his heart
I can steal back mine
I can steal back mine
I can steal back mine
I can't steal his heart
But I can steal back mine

Takes off my crown
Throws it to the sky
And we are in emblazed
As bright lights will thrive
Oh we will thrive

I can't steal his heart
I can steal back mine
I can steal back mine
I can steal back mine
I can't steal his heart
But I can steal back mine
Steal back mine





29.4.14

O toureiro

Edouard Manet



Era bonito o toureiro,
Que não sabia tourear.
Fugia de cornos e bestas,
Apreciava outras festas,
De bailes e cortejar.

Dançarino sem capote,
Enchia o peito sem arfar.
Ladeava bem as moças,
Cortejava as raparigas,
Convidando-as a dançar.

De cabelo bem aprumado,
E olhar de matador,
Encurralava as mocinhas,
Atirava-lhes com as farpas,
Caiam belas em esplendor.

O toureiro sem jaqueta,
Arrastava multidões.
Reconheciam-lhe o talento,
Na dança do acasalamento,
Era mestre de ilusões.

Mas as muitas mulheres traídas,
Cansadas de tanto sofrer,
Esperaram-no no curral das suas vidas,
E sem medo todas juntas gritaram:
"Um dia o toureiro há-de morrer".


[Porque hoje é o Dia Mundial da Dança]

23.4.14

Relações: esse Adamastor.




Hoje, ao falar com um querido amigo, tive de parar pensar neste drama que é ser-se homem numa sociedade, cada vez mais, emocionalmente manipulada por mulheres. Em que as relações acontecem onde, quando e como as mulheres quiserem. Mother fucker's, onde andavam vocês, suas domadoras de leões excitados, quando eu precisava de me encher de coragem para arranjar um gajo e fazer dele gato-sapato?

Pois eu e o meu caríssimo Don Juan da Reboleira, falávamos de gajas (que é do que falamos melhor) e ele mostrava-se, uma vez mais, indignado com o comportamento que as mulheres têm para com ele. Mas comportamento gera comportamento Don Juan da Reboleira, eu já te avisei, que isto de ser putéfia é coisa que já saiu da escuridão das estradas há muito tempo, e vai para cima de uma década que rivaliza com a vossa arte de ser enrabadores de cus alheios.

Bom, mas o Don Juan da Reboleira (DJR, para ser mais fácil) é pessoa que mora no meu coração, naquele cantinho dos filhos-da-mãe que eu queria que tivessem sido mas não foram, mas como vi que até eram umas jóinhas de moços, deixei-os ficar a viver aqui na cave do meu coração. E por essa razão, eu amo - de amizade - as conversas honestas que tem comigo. É um tipo sincero e por isso leva-me sempre o Óscar para melhor actor principal em papel dramático porque, de facto, ele vive as relações com toda a entrega e genuinidade.

Não me alongo mais em elogios e considerações, deixo apenas um brevíssimo excerto da longa conversa que tivemos sobre isto das relações, e de como descobri que uma parte de mim é gajo: o cérebro.



DJR: Buenas!

Eu: Hello Dear!
como tens passado?

DJR: eu vou ter de namorar este ano.

Eu: acho bem que sim, caramba.

DJR: resolução mas não obrigação.

Eu: não percebo porque é que estás sozinho.

DJR: porque sou mau tipo. Mau feitio. Selectivo e desconfiado.

Eu: isso do ser selectivo… até parece que só queres princesas e os outros é que se contentam com lixo.
deixa-te de cenas.

DJR: princesas nada. Não é por aí. Porque senão já tinha.

Eu: então és selectivo em quê?
consegues explicar?

DJR: ora bem… selectivo no sentido que, se vejo que não somos compatíveis, não deixo evoluir ou não me deixo ir.

Eu: mas sabes que há compatibilidades que só se conhecem com o tempo, para o bem e para o mal?

DJR: de certa forma. Mas se noto que não irá dar, mato logo à partida.

Eu: estás assim à espera de um amor à primeira vista, já que à segunda pode logo morrer :)
sê ligeiro nas exigências, ninguém é perfeito, nem mesmo nós próprios.

DJR: eu não sou mesmo mas acho que sou suficientemente inteligente para entender o que querem de mim e largar sem ter de me magoar.

Eu: o que é que querem de ti?... até parece que são todas umas interesseiras.
oh Don Juan da Reboleira, as mulheres só querem amor e que lhes digam que são lindas mesmo quando são uns chaimites. O que gostamos mesmo é de viver iludidas que nos amam.
é só isso.

DJR: querem isso mas não querem dar. Estão muito egoístas.

Eu: Como assim?

DJR: vou-te contar um episódio recente…
Ando a falar com uma rapariga há muito tempo, é divertida, inteligente, mulher de negócios, bonita, atraente...
algumas qualidades.
Um dia demonstrou que tinha vontade de me conhecer e que queria almoçar comigo e abraçar-me…

Eu: e...

DJR: e apareceu… almoçamos, rimos.

Eu: no que é que a rapariga foi egoísta?

DJR: foi simpática, mas não abraçou, não beijou, e eu também não forcei.
depois de ir embora disse um simples gostei do almoço.
E eu disse: “eu também, mas parece que ficaste desiludida”.
ela disse que não, e tal, e que era tímida.

Eu: mas se calhar ficou mesmo desiludida.

DJR: ficou mesmo.

Eu: também pode ter os padrões dela e tu não estares lá.
não sei, estou a mandar para o ar.

DJR: mas que não me enganem e saberei viver com isso.

Eu: mas em que é que achas que ela te enganou?
se calhar perdeu a pica depois de te conhecer.
quantas vezes já fizeste tu isso a raparigas?

DJR: ela disse que tinha vontade de estar comigo, e tal, e foi de férias e continuava na net e sem me escrever.
ou seja: grande vontade...
até que se lembra e pergunta: tudo bem?
eu apaguei e nem respondi.

Eu: mas em que é que achas que ela te enganou?

DJR: porque não foi correta e não me interessa conhecer pessoas assim.
ela ainda enviou mais um sms a pedir para ir ter com ela.
desejei boa páscoa e apaguei o número dela.

Eu: DJR, DJR... tanta psicologia que tu metes nas coisas…
basicamente o que tu queres é poder engatar e dar para trás quando bem te apetecer mas achas inconcebível que alguém te faça o mesmo.
só me parece que ela poderá mesmo ter ficado desapontada ou, simplesmente, fantasiou demasiado e depois, no momento da verdade, as pessoas são diferentes.
já aconteceu a todos.
e tu não percebes, porque custa aceitar que não somos interessantes aos olhos dos outros, mas fazes, exactamente, o mesmo às mulheres.
quando não te agradam tu desligas logo, sem dizer nada.
Matas logo à primeira, lembras-te?
elas nem chegam a saber onde "falharam".
dear... tens de ver o outro lado.

DJR: eu vejo o outro lado e vejo que o que ela fez ou faz é idêntico ao que falas e por ser assim não quero.
azarinho...

Eu: esta conversa é boa demais:
eu pareço o gajo e tu a gaja.

DJR: eu sou gaja nesse aspecto sim.

Eu: epá, eu realmento divirto-me muito a ver como as pessoas querem todas o mesmo mas não se conseguem entender por causa do pensa-que-pensa de cada um.
somos tão complicados.

DJR: então e o que é que achas que queremos mesmo?
ou melhor, no teu mundo e na tua forma de agir, como deveria ser a reacção?
ora conta, perfect girl…

Eu: vai passear com a perfect girl…
Ora vamos lá ver, na minha sabedoria, e o que eu acho, é que ela ia com a cabeça a mil a pensar que ia encontrar o Mr. Perfect :P
como isso não existe, nem em ti nem em ninguém, ela ficou com pouca vontade de avançar. Tal como tu, cortou logo à primeira, também não dá segundas oportunidades... talvez seja mesmo a mulher perfeita para ti :)

DJR: (concordo)
tirando a perfeita para mim, concordo.

Eu: e tu... ficaste com o ego ferido, porque todos queremos que gostem de nós e quando percebemos que isso não acontece ficamos em baixo.
mas a tua maneira de reagir é um bocado exagerada…
a menos que tivesses ficado embeiçado por ela… hmm…
se ficaste, então és tu quem tem de ir atrás.
ela se calhar até está à espera disso.
pode ser matreira, tal e qual como tu, e estar à espera do "deixa lá ver até onde este gajo é capaz de ir por mim"...
e na verdade já mostraste que não queres ir a lado nenhum com ela ou já a terias procurado.
Por isso digo que querem ambos o mesmo porque a desilusão dela é a mesma que a tua mas nenhum está disposto a fazer o que seja um pelo outro.
right?

DJR: right.
so true.

Eu: mas diz lá agora: gostaste dela?
esquece o que veio depois.
gostaste de estar com ela?

DJR: não se gosta em 3 dias.

Eu: mas tu mataste-a logo no primeiro dia, como é que sabes se ias gostar nos dois dias seguintes?



A pequenez





[Só uma pequena nota de rodapé que nada tem a ver com celebrações:

Este blog alcançou hoje as 100 mil visitas.
Apenas hoje.
1170 dias depois de ter nascido.
O mesmo que muitos alcançam em apenas um dia.
Sim, apenas um.

Veja-se bem a pequenez deste inocente que alguns - muito poucos, verdade - creem ser um monstro.
Fica assim claro que ninguém o lê?
Sim?
Que este não é um blog de destruição massiva de sentimentos?
Vá, sem medos.
Aqui estamos só meia-dúzia de nomes sem rosto.
Tudo gente do bem.
Garanto que sim.]



. Tristeza .




A tristeza que nos sobe aos olhos, nem sempre é a tristeza que trazemos dentro de nós.
Podemos ser tristes e reluzir uns olhos audazes.
Podemos sentir-nos vigorosos e arrastar uns olhos tristes.
A tristeza que temos dentro de nós muitas vezes cresce apenas no nosso peito. Contaminando-nos o cérebro. Os pensamentos. Mas não se vê. Ninguém a vê. Há quem pense que nos lê a alma e os pensamentos, quando nos olham nos olhos, mas sabemos bem que aquela tristeza profunda e verdadeira, é aquela que nunca se vê. Aquela que não deixamos que se veja. Que preferimos que definhe dentro de nós. Que nos murche a vida. Que nos seque a esperança. Que nos disseque os olhos, deixando-nos a desmaiar na solidão. Que nos empurre as palavras difíceis de dizer pela boca dentro.
A tristeza é aquilo que nos mata antes de sabermos que morremos.


Há muito tempo que tento compreender o significado da tristeza. Daquela tristeza profunda e duradoura. Daquela tristeza que se confunde com a própria pessoa. Aquela que já não sabemos identificar se é um sentimento ou se é a personalidade. A tristeza crónica. A depressão.
Alguém saberá, verdadeiramente, onde começa uma e se extingue a outra?