quarta-feira, 9 de setembro de 2015

#fériasdeverão #queroroupaaaaa #pinterest #SOCORRO

Qiu Yang



Quando tenho pouco dinheiro que são cerca de 360 dias por ano é quando me apetece mais consumir. E por consumir refiro-me a comprar bens supérfluos, que é como quem diz, e não vou andar com rodeios, roupa e acessórios.
Há precisamente três anos entrei nessa grande missão de eliminar o excesso, de limpar o guarda roupa, de dar tudo o que tinha a mais e não usava e, a partir daí, comecei a comprar de maneira mais consciente: menos e melhor. Ou seja, menos mas de facto aquilo que queria ter dentro das minhas possibilidades. Esta medida reduziu muito o número de peças de roupa e de sapatos do closet mas continuo a fazer as limpezas de roupa a cada início de estação e a deixar partir aquilo com que já não me identifico.
Estas duas semanas de férias foram destinadas a isso mesmo estava farta das Maldivas. Renovar o quarto e o closet (queria uma cena à Pinterest... não perguntem) e, necessariamente, libertar-me de bens materiais.
Consegui o quarto e o closet à Pinterest (tenho os cabides toooodos iguais, branquinhos, e até a minha roupa parece saída de um blog de moda, qual Rachel Zoe) mas, e a agora vem a parte perniciosa da coisa... sinto um instinto consumista tão maior, tão grande, tão avassalador a crescer dentro de mim! SOCORRO! Quero roupa nova!

Mas o dinheiro acabou-se em tinta, cabides brancos, cómodas MALM e prateleiras, pelo que o dilema transformou-se num assombro à minha pessoa.
Com uns quilos a menos, a roupa a sobrar-me dos lados (mas que não dei porque o que vai também pode voltar) com um refresh na imagem e diria até na alma (é bonito e profundo mas tinha de contar mais do que agora se mostra apropriado) apetecia-me mesmo era mudar o guarda fatos todo. Queria renascer noutras roupas.
Ai que merda.
Não gosto de ser assim.
Quer dizer, gosto tanto, mas sei que é socialmente condenável.
E isto levou-me a outros pensamentos.
Levou-me à ideia - estúpida e oportunista - de que há muito, muito tempo, que ninguém me oferece nada. Não sei muito bem se será difícil agradar-me ou se, simplesmente, nem se lembram de me oferecer alguma coisa mas senti um certo adormecimento, seguido de um certo lamento, por não ter um presente deixado debaixo da almofada, só porque sim. De não ter um bonito par de sapatos à minha espera, embrulhado numa fita de seda vermelha, só para me fazer sorrir. De não receber um vestido, mesmo que num saco de papel só porque "vi e achei que era a tua cara e decidi comprar-to".
Mas gostamos todos disto, não gostamos?
Estava aqui a questionar-me se estou a ter apenas o retorno daquilo que sou com os outros mas neste campo não me parece que esteja a ser feita justiça porque eu sou o tipo de pessoa que compra para oferecer aos outros só porque sim, só porque me lembrei e achei que iam gostar, mesmo fora das datas comemorativas.
Sim, é um choradinho.
Eu merecia um presente. Um qualquer. Daqueles que são comprados só porque a pessoa se lembrou de nos agradar.
Porra, isto é falta de férias...

Bem, mas voltando ao assunto inicial, que era a falta de dinheiro, a vontade de comprar roupa maior que mandar chocolate negro directamente para as veias, e a renovação do quarto e do closet pelas minhas próprias mãos durante as férias, tenho a dizer-vos uma coisa e a aconselhar-vos outra:

1º - Não nasci para criada, nasci para princesa. Que se fodam os DIY do Pinterest. NUN-CA-MA-IS.

2º - Se não nasceram ricas, casem com um gajo rico. É que só há duas maneiras na vida de lá chegar, e uma não está nas nossas mãos mas a outra...



A inspiração. Olho para isto e ainda sinto a dor nos braços. Os meus pulmões ainda andam a expelir pó. A minha pele ainda anda a recuperar dos hematomas. E, sinceramente, agora olho para isto e só me apetece é mudar de casa.



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