quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Não me quero aqui




Aquela dor,
Que há muito não conhecia,
Aconteceu.

Outra vez.

Na tranquilidade dos dias,
Na plenitude dos vazios,
Deu-se o terramoto.

Vindo de caminhos longínquos,
De povos desaparecidos,
De línguas que não se querem entender.
Deu-se o terramoto.
O tumulto.
A desavença.

Quantos nomes se pode dar a uma guerra sem nome?
A uma guerra sem golpes de armas,
Apenas com palavras lançadas sem piedade.
Que nome se dá a um conflito onde todos sofrem e ninguém quer sofrer?
Qual o sentido de guerrear numa guerra que não se quer?

Pudesse eu não sentir,
Ser feita de terra que cede,
E o terramoto não se dava.
A guerra não existiria.
Os povos não se desentenderiam.

Se sou eu a causa de tanta desgraça,
É nítido o quadro que finalmente se desvenda.
Torna-se, finalmente, claro quem está onde não devia estar:

Eu não me quero aqui.



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