quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Da série: Volta a ser o que eras por favor - Parte II

O mundo deu voltas nestes tempos em que eu desapareci e eu quero recuperar o que andei a perder



Comecei o blog há não sei quantos anos e isto trouxe-me de tudo um pouco. Vou entrar em saudosismos estéreis por isso, se não for de gosto, fico a advertência: vou fazer um "apanhado" mariconço (e já ando para dizer isto há algum tempo: eu escrevo imensas palavras que o meu corrector ortográfico não reconhece, como, por exemplo, mariconço ou, do texto anterior, a palavra pirilau, e não sei porquê).
Mas dizia eu que, lá atrás no blog, começou a escrever uma pessoa um bocado nhéca. E eu nem digo isto com desprimor, dou-me aliás um certo desconto porque se eu hoje escrevesse exactamente da mesma maneira e pensasse exactamente da mesma maneira que aquela pessoa de há não sei quantos anos é que era preocupante. Houve um evolução e isso parece-me que não pode ser mau. Mas custa-me a parte do parecer nhéca, confesso... e custa-me encontrar alguns textos com os quais hoje já não me identifico... e também acho parvo ter tido tantas opiniões sobre relações quando estive anos (anos! Ahahahahah...! O meu querido eufemismo! A irmã Lúcia ao pé de mim mandava-se para o chão a rir) num sequeiro de meter dó... 
Depois notei ali amarguras de outra natureza, arranques humorísticos e, até, comentários sobre a atualidade não tão desprovidos de sentido quanto eu tenho sempre tendência a pensar. Eu acho-me sempre um bocadinho mais parva do que aquilo que sou (constato isto ao ler-me anos depois como se fosse outra pessoa).
Depois, caio ali num chove-não-molha, ai-que-sou-tão-séria e só-escrevo-bem-se-estiver-deprê, que me torna na pessoa mais cinzenta do planeta e, quem sabe, da minha rua. E olhem que aquilo para a minha rua não anda bem ao nível de pessoas cinzentas. 
E pergunto-me agora, que me observo de outro lugar, fora do planeta, e consigo ver cá de cima lá para baixo: O que se passou contigo mesmo antes de se abater a tempestade na tua vida?

A vida é chata, já sabemos.
A vida enrola-nos, indromina-nos, já sabemos.
Como dizia um professor meu, acabamos a ter o trabalho que não queríamos, a ter a casa não queríamos, o carro que não queríamos e a casar com a mulher que não queríamos. É lixado. Também já devíamos saber. Basta ver o que nos antecedeu.
Mas haveria assim tantas razões para escrever como se estivesse sempre a cortar os pulsos com folhas de papel?
Estranhamente, não me lembro. Mas também já não importa.
A tempestade também tem destas coisas. Ironicamente, limpa tudo. Até as memórias. Neste caso talvez seja o que precisava para poder avançar e voltar a escrever sobre coisas sem sentido, com palavras que o corretor ortográfico e o dicionário não reconhecem, e viajar por imagens que, quase sempre, são o espelho exacto do estado de alma em que me encontro e falam mais de mim do que as próprias palavras que me saem dos dedos.
A tempestade não passou totalmente, há uma depressão atmosférica ali sobre o oceano das emoções que ainda teima em abanar umas palmeiras mas, nesta fase do campeonato, agarro ao que importa, e importa muito: começo a sentir-me um bocadinho livre.


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