sábado, 23 de julho de 2011

O mundo contra nós




Se acreditarmos que existe uma pessoa considerada o par perfeito para todos nós, então amargura-me pensar que existe apenas uma possibilidade num bilião de encontrar essa pessoa exacta para cada ser humano. A tal correspondência perfeita. A metade da laranja para a outra metade. O testo para cada uma das panelas.
Acho impossível que 50% da população existente tenha os outros 50% para escolher o seu par perfeito ou, caso contrário, não existiriam pessoas sozinhas, nem passaríamos a vida de candeias às avessas com os nossos parceiros, numa dança de junta/separa, casa/descasa, ama/odeia.
Essa impossibilidade é adensada pelas questões geográficas, uma vez que a probabilidade de vir a conhecer "A Pessoa" estará drasticamente reduzida se, por um acaso, essa pessoa se encontrar para lá das Ilhas Pitcairn em vez de me estar geograficamente mais próxima.
É por isso que acredito que o leque de opções de cada ser humano é muito mais vasto que aquele que nos é apresentado no presente. Acredito que a nossa cara-metade pertence ao maior número de seres humanos que já passou pela terra: sem condicionantes temporais, sem fronteiras, sem língua, sem raça, sem religião. Toda a população mundial é chamada para esta equação e isso torna mais difícil a existência da correspondência perfeita, bem como a probabilidade de um dia destes nos cruzarmos a uma esquina com o coração perfeito. Se toda a população, desde o início da humanidade, contar para as correspondências, então posso ter perdido a minha oportunidade há cem mil anos atrás ou, então, estar avançada no tempo e a minha metade ainda estiver para nascer lá para o ano 3050... o desfasamento temporal pode ser tão brutal que podemos nunca nos cruzar na vida com essa pessoa.
Assim, apesar de ser difícil de entender e aceitar, existe pelo menos uma razão para não sermos todos plenamente realizados nas nossas relações e não encontrarmos a pessoa que desejaríamos. Pelo menos gosto de me convencer disto. 
É verdade que depois também existe um trilião de pessoas que não têm qualquer correspondência mas estão juntas. Chamo-lhes "Erro!". Sendo que às custas desse erro alguém perdeu uma oportunidade se de envolver com o seu par perfeito, aquele que lhe estava destinado. De amar e ser amado. De se entregar e ser colhido nos braços. De construir uma vida a dois em vez de forçar a vida de duas pessoas numa. De amar tanto que não suporta a ideia de morrerem em tempos diferentes.
Por vezes acredito nesta ideia de globalidade do amor, como se de uma enorme base de dados de relacionamentos se tratasse, outras vezes penso só que errar é intrínseco à condição humana e não devemos ser exigentes connosco. Por outro lado admito que talvez seja preferível errar na dupla mas ter companhia para sempre. Preferir a pessoa errada na altura certa do que a pessoa certa na altura errada, porque essa, nunca saberemos quando irá aparecer.

O amor talvez nem esteja contra nós mas o mundo, esse, com certeza está.






2 comentários:

  1. Não sei porquê mas lembrei-me do bingo. Número atrás de número... aguardando pelo certo.

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  2. Um cartão de bingo gigante... infinito, diria.

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