quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Mim, non Misantropa



"Misantropia é a aversão ao ser humano e à natureza humana no geral. Também engloba uma posição de desconfiança e tendência para antipatizar com outras pessoas. Um misantropo é alguém que odeia a humanidade de uma forma generalizada. O termo também é aplicável a todos aqueles que se tornam solitários por causa dos sentimentos acima mencionados (de destacar o elevado grau de desconfiança que detêm pelas outras pessoas em geral).
Misantropo é uma pessoa que tem aversão ao convívio social, prefere viver em isolamento. Aquele que não mostra preocupação em se dar com as outras pessoas, de ter uma vida social preenchida - tendência a ter uma pouca ou praticamente inexistente vida social. Estado de reclusão que alguns indivíduos escolhem para viver."

in Wikipédia



Tendencialmente as pessoas consideram que se relacionam com as outras com facilidade; que não têm problemas de sociabilização; que encaram com grande naturalidade uma conversa circunstancial com desconhecidos. Talvez não reflictam muito sobre o assunto porque, verdadeiramente, ele nem será assim tão importante para elas. Só mesmo pessoas desorientados como eu, e com a mania de querer conhecer tudo, é que se ralam em querer saber o que se passa nestes 10 mil hectares de miolos que temos na cabeça. Nunca irei conseguir - pois está visto - mas gosto de me meter com os meus pensamentos e passar em revista os comportamentos humanos, sobretudo os momentos de interacção de uns com os outros. E por ter noção das atitudes dos outros é que me excluo totalmente do grupo de indivíduos misantropos. Dos tantos que por aí há. Não serei filantropa, que não sou, mas a verdade é que sou uma apaixonada pelo Ser Humano, no mais literal dos sentidos. Apaixonada por nós enquanto Seres, e enquanto animais complexos, sobretudo nas ligações sociais que estabelecemos, até naquelas a que alguns se condenam a ignorar não por inércia mas por patologia.
Nestas minhas incursões pelo mundo dos comportamentos, não raras vezes constato que há por aí muito boa gente com desvios comportamentais, para não lhes chamar outra coisa (que iria parecer muito mal e até um pouco misantrópico). Podia enunciar o autista social (ignoram a existência dos outros), o político social (eternos conquistadores de multidões mais pelas bazófias que pelas acções) e o show-off social (muito barulho, muita presença, muita alegria, pouco conteúdo), entre muitos outros géneros, que certamente existem (enviem-me sugestões). Ainda assim, no campo vastíssimo das acções/reacções, consigo eleger aquele pelo qual tenho particular predilecção: o estilo "vou-te-comer-social".
Quantos de nós não vestiram já a pele desta poderosa figura que baixa em nós como se de uma possessão se tratasse. Não sendo o traço estruturante de carácter, é um perfil que se encaixa, ou sobrepõem, a todos os outros, o que lhe confere um carisma e enchantement irresistíveis. Em noitadas loucas ou jogos de engate é a melhor personagem a adoptar. Este é o momento alto de qualquer encontro social que mais gozo dá observar.
Se repararem bem, estes tipos jamais poderão ser misantropos mas davam, isso sim, belíssimos ilusionistas de palavras e de aparições: "ora digo uma laracha que te faz corar... ora desapareço três dias porque tenho medo que avances demais".
É por estas e por outras que, apesar de não me identificar com eles, cada vez mais começo a gostar de misantropos. Estão na deles. Não chateiam ninguém. Não se impõem em lugar nenhum. São uma companhia do melhor que há para quem tem a estrutura fraca para trastes, porque, simplesmente, nem os vêem.


Agora, para legitimar tudo aquilo que disse, teria mesmo de apontar um dedo ao meu umbigo e autoavaliar-me dos pés à cabeça, relativamente ao meu comportamento com os outros não é?
Pois garanto que isso era história que nem dava para começar.
Porque mim, non misantropa com os outros. Mim, misantropa comigo.
Assim me ensinaram.

(Sim, isto é um recado a todos os idiotas que fogem das relações depois de insistirem na fase do engate, fazendo a pessoa enganada odiar os outros e o mundo.)





10 comentários:

  1. Pegando no último parágrafo... é essencial gostarmos de nós. Eu tenho que ser a pessoa mais importante na minha vida. Este amor narcisista não impedirá de amar outros e com outros conviver. É uma necessidade pouco falada, mas a própria Biblia e os mandamentos nos dizem isso "amar ... e aos outros como a nós mesmos" o que implica que se não nos amarmos como poderemos amar os outros ...

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  2. Tem toda a razão. Para mim esse ainda é um work-in-progress... chegarei lá um dia, estou certa!

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  3. babe,é fodido. nem sei o que te dizer mas nos realmente somos uns porcos.. caga no gajo e roda para outro, ha-de sair algum decente, suponho...

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  4. perfil toca e foge! ;)

    m.

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  5. Descobri ontem este blog através do Quadripolaridades e tenho estado a ler de fio a pavio. Identifico-me com esta forma de escrever - se eu soubesse escrever bem, escreveria assim e não de outro modo qualquer. O último parágrafo fez-me parar neste texto, talvez por estar numa fase de me negar em cair na misantropia.

    Este blog, do qual nunca tinha ouvido falar, é escrito por alguém que escreve muito, muito melhor do que grande parte das pessoas que escrevem blogs mais conhecidos. Tenho pena de não o ter descoberto há mais tempo. Parabéns. Hei-de voltar mais vezes.

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  6. Descobri ontem este blog através do Quadripolaridades e tenho estado a ler de fio a pavio. Identifico-me com esta forma de escrever - se eu soubesse escrever bem, escreveria assim e não de outro modo qualquer. O último parágrafo fez-me parar neste texto, talvez por estar numa fase de me negar em cair na misantropia.

    Este blog, do qual nunca tinha ouvido falar, é escrito por alguém que escreve muito, muito melhor do que grande parte das pessoas que escrevem blogs mais conhecidos. Tenho pena de não o ter descoberto há mais tempo. Parabéns. Hei-de voltar mais vezes.

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  7. Bem-vinda!
    Obrigada pelas palavras... ainda estou corada :)
    Vindo de alguém que escreve o "Desinço da Louça" só pode mesmo ser elogio.
    Mais uma vez, obrigada e até breve.
    Vamos-nos lendo por aqui.

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  8. MISANTHROPIC METALHEAD10 de setembro de 2014 às 00:20

    existem diferentes visões sobre a misantropia. geralmente os que tem a visão de pró extinção da raça humana costumam falar que só a visão deles é a certa e as outras erradas.

    existem os que querem o exterminio da humanidade, e esses acabam tendo o ódio voltado pra si mesmos, acabam se odiando e desejando o próprio extermínio. na minha visão, o suicidio é motivo apenas quando não há mais esperança e a vida se tornar impossível de ser vivida

    existem os que acham que misantropia é mais um ódio pelas pessoas do que isolamento social, porem eles não odeiam a si mesmo, apenas aos outros.

    existem os que relacionam isso com isolamento social e acham que misantropia é não jogar o jogo social/sexual da sociedade se abstendo disso em busca de uma vida mais tranquila, nesse caso, esse tipo de misantropo acaba rejeitando o ginocentrismo

    na minha vida, eu vejo a misantropia como egoísmo, isolamento social e um ódio frio a todos que conheço. na minha opinião o ódio é um sentimento frio e difere da raiva. o ódio quando voce não deseja mais as pessoas na tua vida. quando voce sente o verdadeiro ódio como um sentimento frio dentro de voce, voce deseja toda a distancia do mundo em relaçaõ a todas as pessoas que voce conhece. por isso eu lembro da época que tinha vida social muitos anos atras e sinto repugnancia por todas as pessoas a qual convivi. eu sou sim, hostil com muita gente que me conhece, pois as pessoas em geral me julgam de forma superficial, tudo pras pessoas é uma questão de status social e eles não querem nem saber como eu realmente sou. por isso pra ir contra isso, eu trato todos como puro lixo, sou narcisista e quando alguem conhecido vem falar comigo eu vou logo cortando a pessoa, ou sendo agressivo.

    evito totalmente, festas, bares, shows, amizades etc tudo na vida social é uma relação de poder, o mais forte oprimindo o mais fraco, por isso escolho não jogar o jogo da sociedade, me abstendo desse jogo, eu evito que algum psicopata ou um macho alfa qualquer consigar crescer socialmente me usando como saco de pancada ou alvos de piadas. meu ódio pelas pessoas é profundo, mas não por mim e sim pelos outros. eu me ponho acima de todos.

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    Respostas
    1. Este post é velhinho... já nem me lembrava dele.
      Seja como for, não me identifico com grande parte do que o seu comentário diz, mas todos temos uma opinião e esta é a sua, o que eu respeito.
      A graça de ter um blog também é esta: a diversidade de opiniões e visões sobre o mundo.
      Obrigada por ler!

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