terça-feira, 27 de agosto de 2013

(Nem sei que nome dê a isto)

(E como, decididamente, não estou com as ideias organizadas, vai uma foto a condizer... com qualquer coisa)


Durante estes dias pensei muito no porquê de a vida nem sempre nos trazer as coisas na hora certa.
De como só nos dá a paciência para sermos pais quando já somos avós; de como atingimos um ordenado digno para podermos usufruir da vida quando já passamos a idade de toda a plenitude física e mental; de como chegamos ao topo da carreira, em que nos é dada a possibilidade de tomar decisões, quando já estamos cansados.
Não sei se há alguma coisa de perverso nisto, se é alguma lição de moral que a vida nos quer dar ou se, simplesmente, ainda não tenho idade para compreender a ordem dos acontecimentos e a lógica de primeiro termos de respirar quando não há ar e só em fase terminal nos ser dado oxigénio.
Se estiver perante uma lição de vida, temo poder passar por ela sem a compreender, senão vejamos:
Para que raio nos serve uma lição de vida se depois da vida nada existe? E mesmo que exista, o que é que se pretende com isso? Fazem-nos um teste de aptidão, lá do outro lado? "Ora bem, escolheu a profissão errada, demorou quarenta anos a atingir o topo de carreira, ganha uma reforma miserável mas, agora sim, já pode ir passar as férias que tanto desejou a Ayamonte. Diga-me, então, o que aprendeu com isto?"
Nada. Ou melhor, aprendi.
Aprendi que mais vale ir usufruindo do pouco que se tem ao longo da vida do que investir tudo - hipotecar a felicidade da juventude - num futuro incerto, que não se sabe quando acaba e que não se sabe o que nos reserva.
Não vou ter filhos agora à espera de ser uma óptima avó no futuro. Mais vale investir tudo como mãe. Dar tudo no agora. Dar tudo como mãe, como filha, como amiga, como amante, agora, do que num futuro que não sei quando acontecerá.
Não vou deixar de gozar sete dias numa praia perto de casa na esperança de daqui por dez anos ter dinheiro para ir às Maldivas. Eu não sei o que acontece daqui por dez anos. Não sei se por essa altura já estarei a fazer o teste de moral no lado de lá. Sei, e disso tenho a certeza, que é injusto não termos todos os meios para sermos felizes na idade certa. No momento certo. Sei que era agora que queria ter um bom carro, enquanto tenho coragem para as viagens sem fim; Que queria ter uma casa em cada porto, enquanto me apetece conhecer o mundo; Que queria ter muito dinheiro, enquanto faz sentido tentar construir uma vida; Que queria que a pessoa que amo tivesse toda a saúde que merece ter, enquanto somos jovens e acreditamos que este amor vai ser para sempre e, esse sempre, é feito de muitos e longos anos.
Se a lição que a vida me quer dar, ao privar-me de tudo isto no vigor da minha idade jovem/adulta, é que há um sabor na conquista e que, essa conquista, precisa de anos para ser firmada, então que me leve já. Porque não será depois dos setenta anos que irei ver beleza nem sentido nos objectos que hoje me são sinónimo de conforto nem, certamente, esperarei a saúde necessária à minha felicidade numa idade em que, inevitavelmente, sabemos que o tempo se está a esgotar.

E pronto. Era só isto.




3 comentários:

  1. Concordo! Vive o hoje e não um amanhã que pode nunca chegar...

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  2. Assino por baixo. A vida é para ser vivida na hora, de acordo com as nossa escolhas mas sem planos a longo prazo no futuro. O futuro pode não querer, a vida pode pregar-nos uma enorme partida, trocar-nos as voltas e escolher outro futuro para nós.

    Escreves muito bem, e este texto é de cortar a respiração, tremendamente real.

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