terça-feira, 3 de setembro de 2013

Conheces a tua vagina?




Para as mulheres, creio, não é comum ver vaginas. Conhecemos a nossa e podemos passar o resto da vida sem ver mais nenhuma, ao vivo e a cores (pornografia não conta). Não andamos a olhar para as vaginas umas das outras. Não pedimos para dar uma espreitadela. As coisas não funcionam assim entre nós. Ninguém anda a medir nada. Não nos interessam os penteados que cada uma opta por ter. Para além disso, partimos do pressuposto que as vaginas, além de não serem uma coisa lá muito interessante, não devem variar assim tanto de mulher para mulher (achava eu...).
E quando falo de vagina, não estou a falar de um pipi. Um pipi não revela nada do que é uma vagina. É apenas uma espécie de capa do livro (quantos de nós não fomos enganados por uma boa capa? Bem sei, bem sei...). Uma vagina é um ecossistema particular dentro da natureza de cada mulher. E não é conhecido até ser desvendado. E só é desvendado quando explorado.
Uma vagina não é como um pénis, que se vê num simples tirar de roupa. Uma vagina acontece noutra dimensão. Oculta. 
E esse mistério tem sido alimentado ao longo de toda a evolução humana. Se pensarmos na quantidade de vezes que a imagem do pénis foi divulgada e banalizada, ao ponto de não se ter tornado objecto de delírio, percebemos que o desejo de ter acesso a uma vagina (por imagem, filme, ao vivo...) tornou-se tão mais acentuada quanto a inacessibilidade a uma.
Mas não é da história das vaginas na evolução humana que quero falar. Voltemos antes à questão pertinente sobre as vaginas. E a minha questão é:
Quem pode dizer, ao certo que conhece bem a sua vagina?
Ou melhor, as minhas questões são:
Quem pode dizer que conhece e gosta muito da sua vagina?
E se perguntarmos aos nossos parceiros, que dirão eles da nossa vagina?
Será que a percepção deles é idêntica à nossa ou existe todo um conceito na cabeça dos homens que os fazem odiar aquelas vaginas que, nós mulheres, acharíamos normais, por consenso?
Ou para eles tanto faz? E a questão visual é pouco relevante na equação do prazer?
E se, além do sexo, mantivermos uma relação de amor através da nossa vagina?
O afecto amoroso toldará a ideia que o nosso parceiro terá?
Por haver amor à mistura ele dirá sempre que a nossa cena é a mais encantadora de todas?
E não vos amedronta poderem ser trocadas por uma vagina "melhor"?
Eu tenho imensas duvidas sobre tudo isto.
Tenho duvidas sobre o que eles acham e sobre o que nós, mulheres, pensamos acerca da estética das vaginas. O caso piora, francamente, se ainda juntarmos a ideia de que a estética reflecte o desempenho.
Uma vagina bonita e equilibrada esteticamente porta-se melhor e dá mais alegrias ao casal na hora do prazer?
E aquelas vaginas que parecem ter passado por uma trituradora de carne, poderão ditar o insucesso de uma relação sexual e, consequentemente, amorosa no caso de esta existir?
Daquilo que tenho ouvido - e tem sido muito - além de uma boa parte das mulheres nunca ter tido a curiosidade de se meter em cima de um espelho para ver o que anda por ali, uma outra parte não gosta de falar no assunto para não denunciar a sua insatisfação.
Infelizmente, começo a ter a percepção que há por aí muita vagina sem salvação à vista. Muitas mulheres tristes com o que têm. Muitos casais que, em silêncio, fazem passar a mensagem que na cama está tudo bem.
Mas conhecer bem a nossa vagina também deve passar por perguntar, a quem a vê em ângulos mais favoráveis que o nosso, se lá por baixo vai tudo bem. Envolver a outra pessoa no assunto. Perguntar se gostam, se não gostam, objectivos para a próxima época, etc. Para nos fortalecer. Dar confiança. Um atleta motivado pelo seu treinador, é um atleta com maior rendimento.
Por essa razão (e por palermice) à parte da opinião de um especialista e dos seus extensos elogios (questionável esta postura, eu sei) eu precisei de uma segunda opinião. Sem medos, sem rodeios, perguntei a quem a vê mais de perto e trabalha no terreno: "Gostas da minha vagina?" (... vá, talvez não tenha dito vagina...). "Pois é claro que gostas"... ou nunca mais lhe punhas os olhos em cima. Foi o mesmo que perguntar a um cego se queria ver.
Mas a questão não é essa. Não é a da beleza apenas por si. Não é a necessidade de aprovação. É o à vontade com o nosso corpo. O à vontade que proporcionamos à outra pessoa com quem dividimos o nosso corpo. É a liberdade. É a liberdade de se viver bem com o que se tem. Daí a importância em conhecermos a nossa vagina.

A questão está em inverter o ponto de interrogação da pergunta "eu conheço a minha vagina?" num ponto de exclamação "eu conheço a minha vagina!" e viver feliz da vida com isso.



E, por amor de Deus, nunca pensem que uma vagina é um pipi. Sempre é menos uma coisa para baralhar.







1 comentário:

  1. A vantagem/desvantagem do homem é poder ver o pénis que tem, e logo poder ficar agradado ou não com o que deus lhe deu. Não temos maneira de nos mantermos na ignorância.

    R.

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