quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O Preto. O Branco.




Por vezes fico assim:
Encravada entre um plano branco e um momento negro.
Fico muitas vezes assim, parada, a tentar entender se o plano branco valia a pena ou se o momento negro apenas existe para que eu valorize mais o branco.
Quem não sentiu vontade de ir pelo lado negro mesmo sabendo que o acidente poderá estar ali, prestes a acontecer?
Quem não seguiu pelo plano branco e não se arrependeu, logo depois, por nunca ter arriscado?
Complexo este dilema entre escolher o certo ou errado.
Neste meio caminho de vida em que me encontro, não encontrei ainda a resposta nem o sítio certo para estar: na obscuridade ou na claridade. Não percebi ainda todas as vantagens de ter um plano branco, segui-lo, e recolher satisfação disso mas reconheço a falta de cor e a perpetuação da melancolia numa vida em tons de preto. 
O dilema resolvia-se com a existência de matizes. De gradações. De saturações. Mas, a nossa insatisfação humana, não fará com que olhemos um preto esbatido e vago, antes, como um branco sujo em vez de um cinza firme?
Não serão as gamas de cinzento, um branco ou um preto que correram mal?
Não serão os cinzentos uma antevisão do que estará para vir? Ou então uma reminiscência daquilo que já partiu?
Não quereremos nós borrar o branco de preto quando caímos na monotonia? E não gostávamos de pintar tudo de branco quando o cenário se põe negro?

Como é que gostamos de viver, afinal?
Na quietude dos cinzas, no desinteresse do branco ou na crueldade do preto?

Hoje passei o dia a pensar nisto, em como a vida se tem desenhado a cinzento, muitas vezes sobre um fundo branco.
Hoje pensei nisto porque tive uma imensa vontade de pintar um fundo preto.
De magoar alguém, de me magoar a mim, só para me sentir viva. Só para saber se ainda existe alguma coisa que eu possa controlar.




2 comentários:

  1. Pois que se caminhe no limbo do preto e do branco, tingindo ou imaculando a intensa rubra chama que nos determina.

    Descontrola o teu controlo, controlo o teu descontrolo, que do Outro só controlas o que te permitires sentir ;)

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  2. Estas palavras, e o ritmo, era-me tão familiar que tive de ir confirmar se eras mesmo tu.
    Não sabia que estavas de volta. Mas ainda bem que estás ;)

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