segunda-feira, 15 de junho de 2015

Para sempre



Para sempre.
Se for para sempre, nunca iremos contar os dias juntos.
Apenas as sobras entre os nossos morreres.
Apenas os dolorosos dias entre os nossos fins.
Sozinhos.
Se for para sempre, até que um de nós morra,
Os dias que se seguirão serão noites.
O Sol não mais nascerá.
A chão não mais será pisado.
O mar nunca mais será avistado.
A brisa nunca mais tocará a pele cansada.
Nos dias que se seguirão,
Que se esperam poucos,
A dor tomará conta dos órgãos vitais,
E consumi-los-á.
E os dias terão, finalmente, outro fim.
Porque quereremos que o nosso para sempre,
Continue noutro lado.

Até lá,
Enquanto os dias que ditarão os nossos fins não chegam,
Vive o nosso para sempre.
Conta os dias que faltam até morrermos.
Pensa na idade com que deveríamos morrer.
E pensa que deveríamos ser imortais.
E quantos dias vive um imortal?
E que amor não deveria viver para sempre?
Deixa este amor tomar-nos conta dos órgãos vitais,
E consumi-los.
Consumir-nos e tirar-nos os sentidos.
Cegar-nos.
Dar-nos a dor que, de tanto doer, sabemos que é amor.
E os dias terão, finalmente, outro sentido.
Porque se queremos ter o nosso para sempre,
Temos de nos entregar antes que os nossos dias,
Um dia,
Acabem.
E nós não sabemos quando esses dias vão chegar,
Mas sabemos que chegarão.
Então porquê perder dias a contar os dias,
Em vez de viver os dias como se amanhã um de nós já não os tivesse?



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