quarta-feira, 15 de julho de 2015

Acordo Ortográfico



Tenho um comunicado a fazer:

Bem sei.
Houve, tem havido e continuará a haver uma grande resistência na adoção do acordo ortográfico.
Pois tenho algo a revelar sobre esse assunto: já não aguento mais escrever das duas maneiras e neste blog adotar-se-á o novo acordo ortográfico sem pruridos nem lamentações. Mais vale enfrentar as coisas.

O que se tem passado nestes dois anos é que, no trabalho, há muito que adotei o acordo ortográfico mas na minha vida, digamos, civil, fui daquelas resistentes que foi mantendo os "c's" e os p's" e muitos dos hifens que, entretanto, caíram, e nem tenho uma explicação razoável para isso. Ou terei, mas não sei se é razoável. Sou apenas eu que demoro o meu tempo a adaptar-me às coisas, mas chego lá. E agora, depois de dois anos a escrever de uma maneira em casa e de outra no trabalho, acho que esse período de adaptação já está mais que ultrapassado.

Aqui no blog, até hoje, não assumi o novo acordo ortográfico mas sei que já resvalei numa ou outra palavra e tenho para mim que, a dada altura, ou se bem que é de uma maneira ou se bem que é de outra. Mixórdias é que não.
Por essa razão, e porque já ando há dois anos em constante luta, este blog passa a ser daqueles que não tem problemas nenhuns em deixar de escrever farmácia com "ph" e Vítor sem "c".
Os mais velhos perceberão.



14 comentários:

  1. Explique lá: como é que se enfrenta uma coisa, aceitando ser vencido por ela? Não compreendo. Parece fazer assentar a sua relutância até agora em aceitar o Acordo Ortográfico numa simples teimosia; já leu o texto do acordo? Já o analisou? Já leu os argumentos de quem está contra? Seriamente? Não é teimosia ou demora em aceitar as coisas: é a ciência da língua. E, contra ela, nada.
    Quanto ao estafado argumento da "pharmacia", mais uma vez a ciência explica. A questão do "ph" e do "c" em "Victor" nada tem a ver com o que é preconizado pelo acordo. O “ph” foi substituído, e sem problemas, por “f”: duas letras por uma para o mesmo efeito fonético (acresce que ingleses, franceses e alemães continuam a usar e abusar do "ph", não constando que as suas línguas sejam arcaicas, desactualizadas ou sinónimo de incultura...). Em relação ao "c" em "Victor", não tinha qualquer função e, note-se, na ortografia pré-1911 havia muita pseudo-etimologia. Quanto às supressões de cês e pês do AO, o caso é outro: têm função diacrítica, de analogia e consistência com palavras cognatas e servem também para diferenciar palavras. E depois ainda há os hífenes, as maiúsculas/minúsculas, as “facultatividades” e os acentos…
    Enfim, só o português faz três reformas ortográficas em 100 anos, ilusoriamente pensando alcançar, assim, patamares de "inovação". Como se a ortografia fosse um computador a que se acrescentam mais ou menos peças para ficar mais potente. Nada mais estapafúrdio. Só a vantagem de se ter uma norma ortográfica estabilizada para o ensino, por exemplo, justificaria não mexer na ortografia, especialmente nos termos acientíficos, ilógicos e incongruentes do AO.

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    1. Oh RH, tinha esse texto escrito há muito tempo, não tinha?
      É que mal deve ter dado tempo para ler o meu texto e já aqui tinha o seu comentário... mas não faz mal, eu aceito desabafos.
      Ora vamos ver:
      Primeiro, eu nem tenho de lhe dar grandes satisfações nem de justificar uma coisa com grande grau de conhecimento porque, a bem dizer, o blog é meu e eu faço dele o que bem entender e porque eu também não detenho esse conhecimento (que já vi que tem) para poder andar aqui em contra-argumentações. Não ia levar a lado nenhum e não sou pessoa de braços de ferro.
      Segundo, no meu trabalho há muito que fui forçada, sim forçada, a adotar o acordo ortográfico. No início foi difícil, depois dá-se uma formação à malta sobre o assunto, primeiro estranha-se depois entranha-se e, às tantas, fica mesmo muito difícil escrever de duas maneiras diferente no mesmo dia, no mesmo mundo, na mesma vida.
      Terceiro, não sou uma gaja do contra.
      Quarto, também não percebo onde quer chegar com o seu comentário. Nem as pessoas que se recusam a enfrentar o novo acordo ortográfico. Vão fazer o quê? Ficar eternamente encalhados no antigo? Isso vai-vos levar onde? Daqui a 20 anos, quando tiverem de escrever um artigo, um curriculum, ajudar os miúdos nos trabalhos da escola... estão a pensar escrever como? à moda antiga?
      Não percebo a resistência, desculpe.
      Quinto, este blog nunca foi, não é, não será, nem aceitará ser, um depósito de comentários que não aceitam outras opiniões.
      Eu comuniquei uma mudança que ia ocorrer neste blog porque achei que o devia fazer uma vez que se trata fundamentalmente de um blog de escrita, não procurei debater a temática do acordo ortográfico porque sei que existem posições opostas, já o país todo sabe.
      Eu aceito que existam, mas eu escolhi a minha.
      Espero que também aceite isso...

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    2. Sim, é um texto-base, adaptado, que tenho para pessoas com a sua opinião, já viu como é corriqueira e corrente? O desconhecimento só concorre a favor do acordo.
      Bem, se a conversa vai logo bater às satisfações, dá-las ou não, talvez seja melhor acabar com o blogue, não? Ou torná-lo privado ou fechar os comentários, sei lá. Escrever para si... Se não aguenta posições contrárias, talvez seja o melhor.
      Muito bem, não detém conhecimentos, então procure-os. Basta pesquisar no Google, há muita e variada argumentação contra o acordo. Pode até começar por aqui: http://www2.fcsh.unl.pt/docentes/aemiliano/AOLP90/EMILIANO-CESC.pdf.
      No meu trabalho, em determinadas ocasiões, também sou forçado a adoptar o AO, mas não o aplico, de todo, na minha escrita privada. E não, não me engano ou misturo.
      Não é uma pessoa do contra? Não se trata de ser do contra ou não, trata-se de pensar as coisas e tomar uma posição, mais nada.
      As pessoas que se recusam a adoptar o AO têm feito para que ele seja revogado ou, pelo menos, suspenso. Há várias iniciativas a decorrer nesse sentido. E Angola e Moçambique continuam sem o ratificar... Não aplicar o AO é fazer um serviço à língua, o património maior e primeiro de qualquer país. Já matutou nisso? Não ajude, pois, a estragar esse património (comum), só isso. É um apelo.
      Dito.

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    3. RH, não sei quem é, nem como chegou aqui, nem se me segue há muito tempo ou não mas parece-me que só aqui veio para isto, porque, se é seguidor do blog, saberia que o seu comentário não tem cabimento nenhum nele nem no tipo de pessoa que sou.
      Publico os seus comentários e respondo-lhe, precisamente, porque respeito quem tenha outras opiniões e gosto de aprender com elas. A questão é que o RH é que entrou a matar ao condenar a minha opinião e a decisão de eu adotar o acordo ortográfico, ou estou a mentir? Não se mostrou minimamente interessado em trocar ideias mas, tão simplesmente, em impor o seu ponto de vista e condenar o meu.
      Também me parece que só aqui veio para isto porque se fosse seguidor do blog não punha em causa os seus conteúdos, nem deixava de gostar do blog, por causa de uma mudança na maneira de o escrever.

      Quanto ao que diz no seu comentário anterior "(...)talvez seja melhor acabar com o blogue, não? Ou torná-lo privado ou fechar os comentários, sei lá. Escrever para si... Se não aguenta posições contrárias, talvez seja o melhor.(...)"...
      Como até ver o blog ainda é meu, faço-lhe uma contraproposta: e que tal deixar de o ler? A sério, não faça cerimónias. Então acha mesmo que por eu não partilhar da sua opinião sobre um assunto eu é que tenho de apagar O MEU blog? A sério que tem essa mentalidade fascista? Gosto que me leiam se tiverem prazer nisso, em não tendo, não vejo razão para continuar a vir aqui só para descarregar frustrações. Para isso, crie um blog seu, se é que já não o tem. Eu não leio blogs de que não gosto, não lhe parece razoável?

      Para finalizar deixe-me manifestar, se é que não ficou já bem claro, a minha estranheza com a natureza destes comentários. Não recebo muitos mas se der uma volta pelo blog (e desde que isso não colida com os seus princípios morais) perceberá que nunca me aconteceu ter reações tão inflamadas.
      Lamento ter-lhe desagradado, para mais sobre um assunto tão, aparentemente, subtil (em relação a tantos outros que já abordei no blog), mas foi como lhe disse, existem muitos blogs melhores que este por essa blogosfera fora para poder seguir e eu não fico sentida se deixar de aqui vir.

      DC

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  2. :D o tasco é teu, a malta come o que lhe meteres no prato, quem não gosta não senta :D

    Abraço!

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    1. Em Fátima, mais exatamente na Cova da Iria, há muitos anos, houve três pastorinhos que disseram que viram uma coisa que mais ninguém viu. Passados estes anos todos existem milhões de pessoas no mundo inteiro a acreditar que eles viram.
      Eu sinto-me um bocado assim depois desta tareia deste senhor RH (negativo). É que ele está a ver uma coisa que eu não estou. Está a ver um problema onde eu não estou a ver, mas se continuar a insistir muito acho que até me começo a meter-me em causa e a acreditar nas convicções dele. Salve Aleluia!

      (Ainda estou a absorver aquela coisa de "apagar o blog" só porque disse uma coisa tão nefasta como: adotei o novo acordo ortográfico. Mas eu sou RH positivo, o que é uma chatice.)

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    2. Eu acredito em Fátima, mas não no novo acordo ortográfico, escrevo como me dá na real gana, e por vezes muito mal, devido a ter estado muito tempo aqui ao lado...se te assumes com um tutu branco isto é peaners(JJ) para ti :D

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    3. Não fosse o desgosto de eu ser do Sporting e até me tinha rido :)
      Eu também acredito em Fátima.
      Acreditamos todos.
      Por isso é que continuamos a acordar todos os dias sem questionar isto, ou já teríamos cortado os pulsos.
      Os RH's negativos são exercícios enviados por Deus para testar o nossa capacidade de resiliência e nos manter acordados. Eu chumbei. Chumbo sempre.

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    4. Ao ler a tua primeira fase, caiu me tudo, agora percebi que o tutu é bem mais simples do que assumir que se é do Sporting :D.
      o bom de se chumbar é que se tem a oportunidade de reaprender novamente a matéria.

      Bj

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  3. Uso no trabalho, não uso fora dele. No entanto, não guerreio com ninguém por causa disso. Só com os autores, com esses, sim.

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    1. A minha questão é só esta: já dou por mim aqui no blog a corrigir palavras que escrevo com o novo acordo ortográfico, para a maneira antiga. Isto faz sentido? Se eu passasse a maior parte do meu dia a escrever em casa era uma coisa mas eu passo 8 horas do meu dia a escrever profissionalmente com acordo ortográfico. Já não consigo ligar e desligar o botão quando me apetece.
      Mas à parte disso, acho que se faz deste assunto uma tempestade num copo de água.

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  4. Não chumbaste nada, DC, muito pelo contrário! Quanto a mim, é exactamente assim; só lê quem gosta, quem não gosta, não leia, tal como já foi dito acima. Felizmente vivemos num país, numa blogosfera, livre. Apagar o blog coisa nenhuma. Tens um blog muito bom que muita gente gosta de ler e isso do AO é uma não questão. É muito mais importante a mensagem que passas do que se escreves "recepção" ou "receção". E este blog é um blog com mensagem, com intensidade, com vida, com textos bem escritos, com imagens lindas e é por isso que eu (nós) cá venho (vimos).
    Eu vou continuar a visitar-te com prazer, mantenhas o teu próprio AO :-) ou faças como vais passar a fazer. O conteúdo do teu blog é que é importante. (e eu costumo escrever blogue e agora escrevi blog porque foi assim que tu fizeste. de facto, tanto faz :-))

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    1. Eu já acho que o RH é algum brincalhão que me conhece e veio aqui só para me animar o dia :)
      Adiante... Obrigada Susana, afinal de contas concordamos, e eu só gosto de pessoas que concordam comigo :))))

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  5. Uso desde o primeiro dia. Adoro a língua e ainda mais a língua que se muta e transforma.
    Não me perguntes porque gosto eu de ver as palavras perderem letras, mas gosto.

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