segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Palavras matadas




Não escrever

Dá-me vontade de chorar

Mas chorar

Não me devolveu

A vontade de escrever



A prisão que ergui cá dentro

Não deixa as palavras entrarem

Nem deixa as palavras saírem

A prisão que ergui cá dentro

Aprisionou-me a mim

E quem não consegue evadir-se

Daqui

sou eu



Eu culpo as palavras

Que não voltam

Eu culpo as palavras

Que não saem

Mas na verdade

E eu bem o sei

Sou eu que as temo

Sou eu que às palavras

Não tenho voltado



Matei as palavras

Matei

Está matado





5 comentários:

  1. Ninguém mata as coisas que ama.
    Vais a ver e é como andar de bicicleta.

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    1. Já Oscar Wilde não diria o mesmo.

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    2. Por vezes temo a minha ignorância.
      Tive de ir ver do que é que estavam a falar.
      Lá encontrei o poema de Oscar Wilde.
      Será que eu já tinha lido aquilo e o meu cérebro foi desencantar uma memória qualquer e afinal ando só a escrever coisas que já li nalgum lado?
      Fiquei um bocado deprimida confesso...
      Para mais porque enfim, o dele é bom demais, e o que é bom nunca é imitável.
      Olha que gaita de beco de emoções em que agora me meti.

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  2. As palavras nunca morrem. Simplesmente adormecem e voltam a acordar. Que acordem em breve, são preciosas e fazem muita falta. :)

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    1. Tudo isto é um exercício e se não pratico, perde-se.
      Ando a ler pouco, logo, escrevo menos.
      Tenho de meter estes dedinhos a mexer e a cabeça a pensar ou a preguiça apoderar-se-á de mim e as palavras, certo é, não voltarão.

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