quarta-feira, 9 de março de 2016

Nas delongas das noites


Bill Brandt


Nas delongas das noites,
Em que te beijei as faces do bem,
Julgava-te um homem completo,
De carácter aprumado,
Julguei que fosses alguém.

Cantava as horas dos dias,
De pescoço quebrado sorrindo,
De queixo, mãos, a tremer,
Embevecida pela tua pessoa,
Ceguei! Não vi quem devia ter visto.

Ao raiar de cada manhã,
Impelida por tanto amor,
Rodeava-te a cama, a vida,
Exigia-te atenção,
Nunca vi a indiferença, absorvida.
Morri, na solidão.


Sem comentários:

Enviar um comentário