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2.5.15

Nudez





A nudez não me incomoda.
Arrebata-me.



19.9.14

O foragido

Hoje vou andar entre o Dias Cães e o Black Velvet.
À meia-noite, apareçam pelo Facebook do BV para a apresentação do EBOOK e para meter conversa, se assim vos apetecer.
Para já, deixo-vos um texto e uma fotografia inéditos, com a assinatura Black Velvet.






*


02:45.

Eram 02:45 da madrugada de Sábado quando foi, finalmente encontrado pela polícia. 
Mal tratado, mal nutrido, mal encarado. Um caco de homem. Amedrontado, cheio de tremores no corpo frágil pelas noites a fugir sem comida no estômago e sem roupa no corpo. Não se deixava apanhar, ou tocar, como um animal selvagem que recusa a presença de humanos.
Os olhos gritavam medo, mas nem precisavam. Quando foi encontrado todo o seu corpo gritava pânico. Horror. Quem o olhou pela primeira vez naquela madrugada, mato adentro, sabia bem a razão dos medos daquele homem: tinha medo de ele próprio. Daquilo em que se tornou. Daquilo em que se deixou tornar.

*

O corpo dorido. Mais uma vez. Ela não sabia como era humanamente possível aguentar tanta dor. Mas ali, diante dos seus olhos, confirmava todos os dias os limites irrazoáveis da dor. O modo como o nosso corpo primeiro reage e depois se retrai, grita e depois cede, volta a reerguer-se e, finalmente, se rende ao chão. Impressionava-a a resistência. Olhava milimetricamente cada marca no corpo, cada mancha negra, cada rasgão, cada desenho feito de sangue pisado. Cada momento de agressão impresso na pele, como um livro que conta uma história. Já não sabia se as feridas eram de ontem ou de hoje, ou se seriam aquelas que há dois meses tanto sofrimento tinham causado.
Só sabia, sem consternações, o imenso prazer que lhes tinham dado fazer.

*

"O meu marido desapareceu de casa. Há dois dias que não o vejo, que não sei dele, que lhe perdi o contacto. Por favor ajudem-me!"

Dizia a mulher preocupada aos polícias que a receberam na esquadra. Quando questionada sobre os eventuais motivos ou inimigos do seu marido que justificassem o desaparecimento, disse não existirem quaisquer motivos para tal.
A polícia colocou a hipótese de rapto ou de acidente. A mulher chorava e o seu desespero alimentou mais as certezas de que não se trataria de um desaparecimento por vontade própria. Para além disso, pensavam os polícias, que marido seria louco o suficiente para querer fugir de uma mulher tão sensual? 
A polícia accionou todos os meios de procura do homem e durante uma semana pensou-se o pior. A mulher não parava de carpir as virtudes do marido e a dedicação que lhe tinha. Mas não tardaria muito a perceber-se as razões da fuga. As verdadeiras razões para um homem querer fugir da sua mulher dedicada, de corpo escultural, e sensualidade gritante.


*

De manta por cima do corpo, resguardado no banco de trás do carro com o corpo curvado sobre os joelhos, o homem seguia calado num silêncio ruidoso. Os polícias olhavam-no com suspeita e não paravam de se questionar e imaginar histórias em volta daquele homem. Todos tinham mulheres em casa, esposas, filhas, mães, e não compreendiam como poderia aquele infeliz ter-se envolvido daquela maneira com a sua própria mulher. Como teriam eles chegado àquilo? Em que momento se passa do amor e do respeito para uma situação de possessão, controlo, e violência?


*

- Porque razão fugiu? Sabe quantos homens e a quantidade meios envolvidos na sua procura? Não se brinca assim com as forças da autoridade, meu amigo!
- Mas eu... eu não podia não fugir. Estava sem saída. 
- Como assim? Explique-se homem? Que razões o levaram a fugir? A viver como um animal, escondido no mato, praticamente nu e cheio de fome?
- Eu... eu... não sei bem como explicar...
- Não temos tempo a perder, explique-se!
- No dia em que fugi, acordei com o corpo dorido. Mais uma vez. Eu não sabia como era humanamente possível aguentar tanta dor. Mas ali, diante dos meus olhos, confirmava todos os dias os limites irrazoáveis da minha dor. O modo como o meu corpo reagia e depois se retraia, como gritava e depois cedia, como voltava a reerguer-se e, finalmente, a render-se ao chão. Impressionava-me a minha resistência. Olhava milimetricamente cada marca no meu corpo, cada mancha negra, cada rasgão, cada desenho feito de sangue pisado. Cada momento de agressão impresso na pele, como um livro que conta uma história. A minha história. Já não sabia se as feridas eram de ontem ou de hoje, ou se seriam aquelas que há dois meses tanto sofrimento me tinham causado.
Só sabia, porque lhe via nos olhos, o imenso prazer que lhes tinham dado fazer.
- O que é que nos está a dizer? Que essas marcas no seu corpo lhe foram infligidas antes de fugir? Que alguém lhe fez isso? Quem? Conte-nos quem?!!

- A minha adorada mulher. Aquela que vêem ali fora chorosa. Essa mesma que olharam com desejo quando a viram entrar na esquadra pela primeira vez. Esta mulher, mantém-me preso há anos no nosso quarto. Alimenta-me, dá-me banho, e ama-me, mas nunca me deixou sair do quarto. 
Todos os dias, ao sair do trabalho, chegava a casa enlouquecida de desejo. Só aí me tirava as algemas e me deixava alimentar e fazer as necessidades sob sua vigilância. Logo depois voltava a algemar-me à cama e a consumir-me até ela se esgotar. Quando eu desfalecia de dor e de cansaço, batia-me. Chicoteava-me. Gritava-me. 
Há anos que sou o seu prisioneiro. O seu escravo sexual. Nunca me sentiu, verdadeiramente, amor. Para ela sou apenas um objecto. E foi apenas por esse objeto que a terão visto chorar.


*

Os outros homens olhavam-no com dúvidas. 
Mas, perante aquele cenário de sofrimento, tomaram uma decisão: prenderam-no nesse mesmo dia, sem pena para cumprir.
Apenas para o proteger.




25.3.14

Todos os dedos. Uma palavra.



[Quando uma palavra muda tudo]



Nesta mesma zona onde agora passas os teus dedos já passaram muitos outros.
De homens. De mulheres. Os meus. 
Os teus vieram depois.
Mas foram os melhores.
Talvez não o saibas.
Culpas-te demasiado.
Mas nem de todos vieram afectos.
Alguns, muitos, estavam possuídos de maldade.
De impulsos canalhas.
Desses esqueci-lhes a cara. Os dedos.
Mas ainda lhes lembro o cheiro.
A minha náusea.
Na minha mente, amputei-lhes as mãos.
Odiosos.
Mas outros houve de amor.
Sim, também houve amor.
Alegra-te por isso.
Sentir-me-ás menos amarga.
Agradecerás a quem me soube tocar com ternura.
Prepararam-me, de alguma forma, para te receber sem amargura.
Para te reconhecer o toque doce.
Para te dar também os meus dedos a tocar.



Nesta mesma vida onde agora passas os teus dedos já passaram muitos outros.
De homens. De mulheres. Os meus. 
Os teus vieram depois.
Mas foram os melhores.
Talvez não o saibas.
Culpas-te demasiado.
Mas nem de todos vieram afectos.
Alguns, muitos, estavam possuídos de maldade.
De impulsos canalhas.
Desses esqueci-lhes a cara. Os dedos.
Mas ainda lhes lembro o cheiro.
A minha náusea.
Na minha mente, amputei-lhes as mãos.
Odiosos.
Mas outros houve de amor.
Sim, também houve amor.
Alegra-te por isso.
Sentir-me-ás menos amarga.
Agradecerás a quem me soube tocar com ternura.
Prepararam-me, de alguma forma, para te receber sem amargura.
Para te reconhecer o toque doce.
Para te dar também os meus dedos a tocar.



Nesta mesma cona onde agora passas os teus dedos já passaram muitos outros.
De homens. De mulheres. Os meus. 
Os teus vieram depois.
Mas foram os melhores.
Talvez não o saibas.
Culpas-te demasiado.
Mas nem de todos vieram afectos.
Alguns, muitos, estavam possuídos de maldade.
De impulsos canalhas.
Desses esqueci-lhes a cara. Os dedos.
Mas ainda lhes lembro o cheiro.
A minha náusea.
Na minha mente, amputei-lhes as mãos.
Odiosos.
Mas outros houve de amor.
Sim, também houve amor.
Alegra-te por isso.
Sentir-me-ás menos amarga.
Agradecerás a quem me soube tocar com ternura.
Prepararam-me, de alguma forma, para te receber sem amargura.
Para te reconhecer o toque doce.
Para te dar também os meus dedos a tocar.


O que é que tinham pensado?



21.11.13

Um outro homem



É errado querer o corpo de outro homem?
Querer ser possuída por outra alma?
Por outra mente.
Será errado querer suar às mãos de um novo amante?
Gemer junto de um outro pescoço.
Sussurrar palavras noutros ouvidos.
Querer que outras mãos me agarrem as coxas.
É errado desejar conhecer a pujança de outro homem?
Saber como me amaria?
Como partilharia o seu corpo com o meu.
Como me olharia nos olhos.
Se olharia sequer?
Será errado querer outro cheiro na minha pele?
Sonhar acordada com os seus lábios.
Desejar as marcas dos seus polegares na minha carne.
Querer que o seu prazer acabe dentro de mim.
Será errado querer ser sua numa solitária noite?

Será errado imaginar que o nosso homem poderia ser outro?

Será errado fechar os olhos e sonhar?



8.11.13

Quanto mais tempo irás aguentar assim?







Bem sei...




"Andas tão chata, Dias Cães... tão, tão chata..."




23.9.13

Odeias-me por tanto me amares

Deborah Parkin



Não compreendo as mensagens de amor que me deixas. Aquelas, que dissimulas em textos poéticos e cheios de metáforas como se tivesses a falar da vida de outra pessoa. Como se não fosse das tuas entranhas incandescentes que escreves. Desse desejo infernal de me teres. Martirizas-te e vives assombrada com a minha existência. Punes-te por não viveres em paz com a tua. Com a tua existência apaixonada pela minha. Embaraças-te sozinha. Culpas-te e escondes-te de coisas que mais ninguém sabe existirem. Então, de quê e de quem te escondes, para além de ti mesma?
Tens vergonha dos teus pensamentos e de ti e de tudo o que fantasias sobre mim. Só te atreves a pensar em mim quando fechas os olhos e sabes que os teus pensamentos não serão violados por ninguém. Fazes-me tua nessa vida de prazeres inconfessáveis mas sempre com o medo a rondar-te os pensamentos. Sempre com medo. Sempre com suores a rebentarem-te pelos poros com medo de ser invadida e descoberta. Com medo que descubram essa mulher que me ama. Essa que tens viva dentro de ti. 
Diz que me admiras de uma vez por todas. Que me amas. Sim, que me amas. Porque não dizê-lo, se o sentes? Que diferenças vês entre viveres em silêncio por fora e viveres aos gritos por dentro? Apenas a dor que em ti agudizas. Nada mais. Se viveres mais um dia sufocada nesse inferno de desejos por cumprir, rodeada de máscaras perturbadas, apenas tu definharás.

Só mesmo os teus olhos e esse coração enforquilhado podem ver mal num sentimento como o amor. Odeias-me por me amares. Que culpa tenho eu disso?

Porque não me amas em liberdade mulher? Ama-me sem essas fronteiras que ergues dentro de ti. Ninguém te irá condenar, não te condenes tu. Faz-me tua e não temas vigiar-me as carnes e os pensamentos de perto. Invade-me de olhos abertos, de boca presa ao pecado, de respiração colada ao peito. Descobre a vida através do meu corpo. Vive em mim.

Não, não compreendo as mensagens de amor que me deixas porque não pode sentir amor quem se teme a si próprio.




8.7.13

Hoje não, honey!





Querido, hoje não quero idas ao cu.
Olha-me de lado, chama-me nomes em voz baixa (dentro desse cérebro retardado) roga-me pragas se quiseres.
Imagina-me a mais podre das putas a quem dás umas nalgadas, com essas mãos murchas, e que mesmo assim não cede.
Faz de mim o que quiseres em pensamentos mas, da boca para fora, vê se te controlas porque hoje não estou pra merdas. Não te aturo vai pra cima de uma eternidade, por isso, não vale a pena prolongares o que já não tem fim. Acaba com a tua sofreguidão de me foderes porque hoje, daqui, não levas ponta.
É verdade, sim, dou-te razão. Hoje até era o dia em que podia ter acordado a achar piada a essa tentativa de me enrabares com os olhos e com o pensamento, mas és tão frouxo que nem essa pica me dás. Logo hoje, que já acordei tão dorida. Uma pena. Tiveste mesmo azar.
Mas não insistas. Bem sei que eu podia achar graça a essa espécie de perseguição que me fazes, ver isso como assédio,  sentir vaidade nessa rebarbadice, mas acredita que não acho. Vê bem que, por vir de ti, nem isso acho. Capacita-te que não vai dar.
Hoje, honey, estás fodido cá pró meu lado.
Hoje, não te vou dar o cu.
Não dou, não dou, não dou.
Vai procurar outro mais mole, mais flácido e mais receptivo a encavadelas sonsas e sem tesão, porque o que não falta por aí são seres a gostar de ser papados. É que dá menos trabalho ser papado que papar, 'tás a ver?
Estás, claro que estás. Que essa arte para gostar de saltar para cima dos outros teve de vir de muitos anos a servir de alvo em vez de ser o atirador.
Lembras-te quando eras tu o encavado?
Fazes por esquecer, bem sei, porque quando se apanha o gosto de estar por cima já não queremos saber como era estar por baixo. 

Mas tenho boas notícias para ti, e olha que nunca tinha tido.
Quero que saibas que, quando me quiseres encavar à grande, com categoria e sem me deixar a mínima hipótese, ganha talento  e eu reconhecê-lo-ei.
Nem vou usar a puta da dor de cabeça como desculpa.


Até lá, mete-te no teu lugar, pára de me cheirar o cu e escolhe outra menos corrosiva e mais submissa para o entalares.




9.3.13

Pelas ruas de uma puta


*
Nos dias em que largava o escritório, vestia roupas modestas, e entrava no carro e percorria a cidade à procurava de quem precisasse de ajuda, perdia sempre algo de mim para dar aos outros.
Perdia tempo, perdia qualidade de vida, perdia horas de sono, perdia a fé nos homens e na sociedade. Acabei por perceber que o pouco que eu fazia pelos outros, não chegava para nada.
Era apenas mais alguém que comia num dia, mais dois ou três que, ocasionalmente, ganhavam o calor de uma manta, outros que viviam melhor com um cigarro e um par de palavras perdidas ou, até, a felicidade de uma garrafa de vinho dada a um bêbado, era tudo o que eu consegui trazer de felicidade a quem vagabundeava pela cidade.
Nunca tentei educar um bêbado a preferir alimentar-se com leite. Nunca tive a presunção de procurar abrigo para quem, por opção, vivia nos passeios das ruas.
Fui o maior dos idiotas quando tentei fazer de ti uma mulher digna quando nunca poderias passar da puta mais nojenta de toda a cidade.

*
Cheiravas mal, entre as pernas, quando te colhi na rua.
Tinhas um ar imundo e metias nojo só de olhar. Fedias por todos os poros e ninguém se atravessava no teu caminho com medo de ser contaminado. Pela imundice do corpo e da cabeça. Essa cabeça porca e miserável em que vivias.
Ninguém te olhava por seres desprezível e ordinária. E por teres aquele ar de puta que se entregou ao álcool e à droga e teve de acabar num qualquer chão de estação de comboios, a dormir, em cartões empapados e panos porcos, sob um piso espezinhado por todos os pés da cidade.
Dormias de pernas abertas sem decoros  nem pudores ou com receio de que todos te vissem as vergonhas que ali trazias. Tinhas perdido essa vergonha, a dignidade e o rosto bonito que te marcava, há mais tempo do que aquele que te lembravas.
Ainda não eras puta e já eras nojenta e nem te davas conta. E quando passaste de puta a vagabunda e ainda te vias apenas como puta. Naqueles dias, em que vivias na merda fétida, não tinhas consciência do quão fundo tinhas ido na condição humana.
Já não tinhas nome nem identidade, para as pessoas que por ti passavam. Para alguns, transformaste-te apenas numa memória, enquanto a puta nojenta. Outros lembravam-se de ti como a puta vagabunda.
Eras puta na mesma. Não interessava.


*
Beijava-te sempre com amor antes de sairmos de casa. A minha mão abraçava-te o pescoço com suavidade, dirigindo-te os lábios aos meus e beijando-te de olhos fechados, num toque leve.
Mas a beleza que acolhia o teu rosto e o teu corpo não encontrava paralelo no interior desse peito bafiento. Tinhas maus sentimentos, má educação e os maus modos, típicos de quem nasceu em barracas entre falhados e putedo. Cresceste igual. Não te exigiste ser melhor.
Quando te olhei a primeira vez, ignorando que o coração me atraiçoaria, não vi nada do meu mundo em ti. E não vi que ao meu mundo fizesse falta alguém como tu. Lamento hoje que a cabeça tivesse cedido à minha longa solidão e tivesse acreditado que, fazendo de ti uma mulher digna, poderias ser a minha exemplar mulher. Estava enganado. Enganado na dignidade que te poderia dar e enganado na exemplaridade de mulher que um dia poderias vir a ser.
No último dia que te beijei antes de sairmos de casa, deste razão ao que a vida tinha feito de ti. À justiça de teres uma vida de merda. Afinal, o lamento que sentia pela linda mulher que vivia porca, enrolada pelos passeios imundos, não tinha razão de ser. Mereceste sempre a vida que tiveste.
No último dia que te beijei, ao sairmos de casa para irmos ao encontro da festa surpresa que tinha preparado para te celebrar o aniversário, não levei pelo braço a mulher que eduquei. Levei pelo braço uma mulher linda que nunca deixou de ser puta.
Nessa noite, em que acreditava que te iria surpreender, acabaste tu por me surpreender a mim. Encontrei-te linda, deslumbrante, a ser consumida por um dos teus antigos clientes. Foste ao encontro da tua natureza.
Morri ali.
Morri por te perder. Morri por perder o meu amigo de uma vida. Morri de vergonha por não te ter tratado como a puta que eras. Morri por perceber que foste sempre puta aos olhos de todos e nunca a mulher digna que me diziam ver. Morri por perceber que afinal todos se riam de mim.
Nessa noite larguei-te na rua e devolvi-te à puta que sempre viveu dentro de ti.






15.12.12

Oração aos que fodem






Fodei todos, senhores, fodei.
Fodei-vos a vós, a nós e aos outros.
Fodei com o corpo, a alma e os pensamentos.
Fodei os rabos, os nabos e os grelos.
Fodei com palavras, gritos e gemidos.

Levantei esses Santos entre pernas.
Penetrai damas, vadias e donzelas.
Abençoai todas as fodas em cadelas.
Não temeis as doenças venéreas.

Fodei todos, senhores, fodei.
Fodei-vos a vós, a nós e aos outros.
Fodei com o corpo, a alma e os pensamentos.
Fodei os rabos, os nabos e os grelos.
Fodei com palavras, gritos e gemidos.

Comei-vos à grande e sem receio.
Descubrais a beleza de um traseiro.
Batei punhetas quando não tenhais um grelo.
Metei dedos quando vos faltar o fuzileiro.

Fodei todos, senhores, fodei.
Fodei-vos a vós, a nós e aos outros.
Fodei com o corpo, a alma e os pensamentos.
Fodei os rabos, os nabos e os grelos.
Fodei com palavras, gritos e gemidos.

Conspurcai as mentes puritanas e papais.
Caiam barreiras e filosofias morais.
Coroai-vos reis e senhores da devassidão.
Amai-vos e fodei-vos no esplendor do tesão.

Fodei todos, senhores, fodei.
Fodei-vos a vós, a nós e aos outros.
Fodei com o corpo, a alma e os pensamentos.
Fodei os rabos, os nabos e os grelos.
Fodei com palavras, gritos e gemidos.


Assim seja!