Mostrar mensagens com a etiqueta Escrita Online. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Escrita Online. Mostrar todas as mensagens

9.9.13

Morrer em Lisboa





Está disponível, em formato digital, um conto mal sucedido em concursos literários mas que, ainda assim, partilho... aqui!





19.2.12

Escrita Online...

E chegou ao fim a primeira edição do Concurso de Escrita Online que decorreu durante 6 semanas.
Apesar de ter sido quem venceu mais desafios semanais... a pontuação não chegou para vencer a final no Concurso de Escrita Online. Podem reler os textos vencedores do "Dias Cães" aqui, aqui e aqui.
Mais um 2º lugar.... 
Posso ficar um bocadinho amargurada, posso?

Para terminar deixo o texto "Quero beijar-te em Paris" em resposta ao último desafio: "Exponha ao júri as razões pelas quais deve vencer o concurso".

Fui lamechas, tive o retorno. Abri o coração, levei a machadada. Quis viajar até Paris, condenei-me a não sair daqui.




Quero Beijar-te em Paris





A razão para querer vencer é mais que antagónica a toda a minha participação aqui: Porque desta vez quero ver a cores, em vez de ver a preto e branco.

Como puderam constatar ao longo destas semanas, o meu lado sombrio suplantou qualquer veia romântica que devesse ter. Este meu lado insaturado não ganha cor porque as minhas emoções há muito que estão trancadas num coração seco. Desidratado como se tivesse sofrido uma dissecação. Porque há muito me impus não abrir as artérias a sorrisinhos e alegrias.
Contudo, há algumas semanas atrás, este inútil coração, foi arrombado e rasgaram-lhe os caminhos até ao seu interior. Deixei entrar vida. Ganhou cor. Perdi-me de amores. O meu coração conquistou outro pelas palavras, ainda antes de essa pessoa me conhecer o rosto. Ainda antes de trocarmos o primeiro olhar. Mesmo antes de conhecermos a voz um do outro.
Quando ele me conheceu as palavras, e eu lhe respondi com escrita, referi-lhe a indecisão em me inscrever neste concurso. Ele foi o empurrão. De seguida demos o passo de nos conhecermos pessoalmente. Chegámos à conclusão que as palavras foram poderosas mas havia muito mais em comum.
Por alimentar todos os clichés românticos que tem em si, e por me querer contaminar com os seus sonhos, prometeu-me amor às custas de eu me revelar ao mundo, com as palavras pelas quais se apaixonou.
E isso colocou-me aqui. Isso e a promessa de amor que se lhe seguiu. A promessa de me colorir a vida através da boca que não consegue proferir as palavras que as mãos melhor escrevem. Quer fazer-me acreditar que a paixão começa no coração, passa pela boca e explode no cérebro.
Quer mostrar-me que já entrou pelo coração e agora quer prosseguir caminho até ao patamar seguinte. Quer conquistar-me os lábios. Quer que eu conquiste uma vitória neste concurso através dos seus lábios.  
Quero mesmo ganhar porque, inesperadamente, me sussurrou ao ouvido num tom lânguido:
- “Se ganhares prometo-te: Beijo-te em Paris”.

Por isso, para mim, não se trata apenas de obter um prémio. Trata-se de ganhar cor. Trata-se de dar uma oportunidade à minha vida. Trata-se de conhecer, pela primeira vez, o amor para além das palavras.




12.2.12

Escrita Online...



Posso ficar vaidosa? Posso?... Sim, posso.

Pela 3ª semana consecutiva, o "Dias Cães" conquista o 1º lugar do concurso de escrita criativa, com o texto "Não devia ser amor".


Para a semana chega ao fim este desafio semanal e já sinto saudades.


Nunca é demais agradecer à organização e ao júri do concurso.
Podem acompanhar o concurso e os textos vencedores aqui http://escrita-online.blogspot.com/




8.2.12

Não devia ser amor




Nascemos com poucos dias de diferença. Crescemos lado-a-lado na mesma rua em que o alcatrão quente de Verão nos marcou os joelhos das muitas brincadeiras que arriscávamos. As frutas, que colhíamos das árvores dos nossos quintais - e que roubávamos dos nossos vizinhos quando as nossas não eram doces - nunca discriminaram a boca por onde andavam. Acolhiam a minha e depois a tua, queimando-nos a saliva da castidade. Ainda brincávamos com o fogo quando, para nós, este ainda não se escrevia com a realidade. A nossa inocência não nos fazia ver, nem prever, que o que nos unia naquelas galhofas, com os sucos das frutas que nos lambuzavam as caras, ia muito além de brincadeiras de crianças. Aquelas coisas que sentíamos na barriga não eram maleitas de infantes nem excesso de açúcares. A barriga tremia porque nos aproximávamos dos anos em que nos poderíamos desfrutar em pleno. Sem preconceitos. Sem barreiras. De vez em quando um olhar trocado denunciava-nos. O toque de mãos acidental, deixava de o ser a cada transpirar de ansiedade. A cada inspiração ofegante de medo. Os nossos corpos pediam-se a cada passar de anos. As nossas bocas acabaram por se encontrar com a maturidade. Sabíamos que a idade nos iria libertar para viver esta grande paixão, que nasceu, crê-se hoje, ainda nas barrigas das nossas mães, quando se juntavam à conversa de braços estendidos sobre o muro.
Mas nunca as nossas mães se teriam rido e conversado sobre aquele muro se soubessem que um dia nos amaríamos tão inesperadamente. Se adivinhassem que o que trocávamos, além de brinquedos e risadas, eram também arritmias de coração. Nunca se teriam olhado sequer de frente. Fomos a vergonha das nossas mães. O nosso amor foi o maior terror das suas vidas. O nosso amor foi a tua e a minha salvação.
Sem ti não saberia o que é o calor de uns pés debaixo dos lençóis. Nem o cheiro do pão quente de manhã, servido na cama. Não saberia a que sabe um beijo de madrugada enquanto fazemos amor bem devagar. Olhos nos olhos. De sorriso nos lábios. De pele suada.
Não saberia nada disso porque apenas tu poderias compreender o que surpreende uma mulher. O que é o desejo de uma mulher. Como se ama o corpo de outra mulher. Apenas tu, minha adorável mulher, poderias saber como me amar por teres um corpo igual ao meu.




5.2.12

Escrita Online...



Inesperadamente, pela segunda semana consecutiva, o "Dias Cães" colhe ou louros no concurso do Escrita Online, com o texto "A Escritora", que aqui se apresenta numa versão mais longa que aquela que foi a concurso.

Mais uma vez obrigada à organização do concurso.

Podem acompanhar o concurso e os textos vencedores aqui http://escrita-online.blogspot.com/



28.1.12

Escrita Online




O "Dias Cães" venceu esta semana o desafio proposto pelo "Escrita Online"com o texto "Anúncio da minha morte".

À Organização o meu enorme obrigada!


Podem acompanhar o concurso e os textos vencedores aqui http://escrita-online.blogspot.com/




24.1.12

Anúncio da minha morte


± Obituário ±
18.01.1981 - 18.01.2012

Paz à sua alma

Ao nascer-do-sol do passado dia 18, faleceu a filha de Manuel e Maria, a mais nova de seus dois filhos.
Anuncia-se, pois, que quis o destino roubar-lhe o sopro,  precisamente no dia em que festejava o seu 31º aniversário, sem que, sequer, chegasse à hora de o completar. 
No dia de maior festejo, celebrou-se também o dia de maior dor. Morreu a rapariga mais promissora da terra. Morreu a filha de Manuel e Maria.
Os seus pais e irmão, que muito a estimavam, lamentam agora os dois acontecimentos que se juntaram num só dia: Primeiro, que tivesse nascido e, agora, que tivesse padecido. Sabe-se hoje que, se não tivesse nascido, o vexame que a acompanhou à morte nunca teria sucedido.
Num percurso de vida que se previa auspicioso, esta jovem finou-se sob uma história fétida que perdurará nas memórias que teremos dela. No dia que comemorava o seu aniversário, quis o destino que se casasse também, com um dos filhos mais queridos da terra. Bom moço, que há-de merecer melhor no futuro, assim Deus o queira. 
E no mesmo dia, ainda antes de se casar, acabou por morrer nos braços de outro homem. O maior canastrão, que a soube desencaminhar do percurso cândido que a esperava.
Ninguém, em tempo algum, haveria de prever que esta boa-filha teria um final tão infeliz e obscuro, que tão poucos quererão recordar.
Morreu vestida de noiva no seu aniversário. Não chegou a casar. Nunca no seu útero se criaram fetos, e não chegou a ser amada na noite de núpcias pelo seu marido.
Morreu seca, deitada numa cama que não era a sua mas onde Deus quis que se fizesse justiça. Morreu de corpo consumido e de sorriso nos lábios mas sem a castidade que se esperava de uma noiva, de uma filha de pais dignos, pessoas de rosto hirto e brioso. Morreu a filha de Manuel e Maria, da maneira menos católica que estas palavras agora mereceriam.
Pela vida que levou e pela infeliz morte que teve, lembramos hoje, esta irmã que partiu para junto do senhor… De um qualquer outro senhor, que não o do céu, porque Esse, com certeza, não a irá receber.
Não haverá missa para encomendar o seu corpo, por não haver destinatário que a queira acolher, mas a sua família agradece a todos quanto a souberam amar em vida e lhe queiram agora asilar as cinzas.






22.1.12

A Criatura



A sua pele tinha mil metros de comprimento. Nasceu assim, generosa, num dia mais longo que os outros, e ninguém sabia o que lhe fazer. Era um monstrinho em tamanho de criatura acabada de parir. Cabeluda, sem formas nem choro, apenas olharam para um monte de pele rosada onde pulsava um coração. Na altura pensaram em ignorá-la, em esquecerem-se dela, em darem-na como morta. Certo seria que ninguém contestaria tal decisão, porque seres aberrantes vingam pouco e ninguém os lamenta. Mas as consciências engrandeceram-se. Ou pesaram-se e tornaram-se insuportáveis para os seus próprios donos. Apenas cada um deles saberá o que lhes passou pelo interior. No dia em que nasceu podiam ter acabado com tudo mas lá quiseram ser mais que Deus e deixaram-na viver. Deixaram-na medrar por compaixão e mandaram-na para casa embrulhada numa manta de peles que crescia a cada dia. A sua pobre mãe, que se dividia entre o amor de progenitora e o asco de comum mortal, acolheu-a com dó entre os seus braços, mas sem amor, por não se conseguir entregar a contemplações a uma beleza que não existia. Com a passagem dos anos esse amor nunca cresceu, ao contrário da pele. A proporção invertera-se e, à medida que a pele se estendia, os seus afectos foram mirrando. O brilho que se extinguiu no dia do seu nascimento só se enegreceu ainda mais ao virar de cada ano. A cada folha de calendário que caía, o amor entre elas padecia, enquanto que a pele, essa masmorra dolorosa, avançava frondosa. Chegava a ser cruel pensar que apenas pudesse ser amada se a sua pele fosse outra. Era o que mais doía naquela pele: não a verem além dela.
Por não aguentar a solidão que essa grande barreira criou, entregou-se ao destino que estava traçado desde o dia em que nasceu, mas que decidiram ignorar. Quis, finalmente, morrer. Quis morrer enaltecendo aquilo pela qual tinha vivido: a sua pele. A sua feia pele, que durante anos ocultou uma bela mulher. O melhor dos seres humanos. O maior dos corações.
Sufocou-se nela sem lutar. Nem lutou por tanto a odiar. Enrolou-se naquilo em que sempre viveu e sofreu. Naquele dia, mais curto que os outros, enforcou-se na sua própria pele, sem pena nem compaixão. Apenas naquele dia descobriram que ela podia ter sido amada para além da pele.