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25.8.20

Regressar




Preciso de me emocionar.
Preciso de viajar e ver coisas com os olhos que nunca vi.
De deixar que essas coisas e paisagens me penetrem os sentidos.
E que os sentidos acordem.
Preciso da emoção do desconhecido.
Ou de algo antigo que deixei para trás.






18.1.18

37




37... e não me estou a sentir o Batman. 



20.11.17

A Liturgia e o Preço Certo




Ontem fui à missa. Permiti-me ir sondar o meu estado de espírito e talvez esperasse alguma serenidade mas, por alguma razão, senti uma grande inquietação e, não, não é no sentido "do espírito que se inquieta com Deus". Deixemo-nos disso...

A verdade é que, em vez de me sentir envolvida e concentrada no momento, é-me muito difícil abstrair da envolvente e interiorizar o ritual litúrgico, quando dois terços da missa continuam a ser o que já eram desde que me conheço: uma repetição de frases feitas, entoadas como mantras, sempre nos mesmos momentos, com a mesma cerimónia. É caso para dizer que quem viu uma já viu todas. E isto não fideliza clientes. Até percebo, até determinado ponto, que a repetição e a entoação, proporcionem relaxamento mas, tal como no yoga, às tantas tens de mudar de posição ou começas a ficar entorpecido e perdes o interesse em ir à próxima aula. Por exemplo, eu gosto muito de ver o Preço Certo, mas não pode acontecer existirem sempre os mesmos prémios, com os mesmos preços, a Lenka estar sempre de minissaia, o gordo dizer sempre "espetácle", a roda calhar sempre no 100, e a montra final ser sempre 22 mil euros e no final, o mesmo homem com um pullover de malha grossa de mil nove oito nove, ganhar. Em algum momento, a Lenka tem de ir de calças, o prémio maior tem de ser uma caixa de rebuçados em vez de um carro, e o concorrente tem de esbardalhar-se por 5€. Caso contrário, qual é que é o propósito? Se eu já sei que todos os dias passam o mesmo programa, porque é que eu o hei-de voltar a ver todos os dias durante trinta anos?
A missa é isto. Perdoem-me, mas é.
Talvez com excepção para a homilia que, dependendo do talento do orador, pode ser enriquecedora ou parecer uma conferência de imprensa do Manuel Machado. Ontem, ainda que tivesse começado bem com uma leitura do Livro dos Provérbios sobre os dons das mulheres, e um provérbio é sempre fonte de sabedoria e reflexão, depois a homilia pareceu mesmo um misto de Manuel Machado com um piquinho de Manuel Maria Carrilho. Mas podia ser eu a escalpelizar já demasiado.

Assim, não é difícil perceber porque é que os meus pensamentos se dispersam e, quase sempre, tendo em consideração o contexto sagrado, eu diria, acabo a pecar. Ora reparo na pessoa que chega a quinze minutos do fim da missa, ou olho para o padre e não consigo evitar a comparação com o mestre Yoda, ou reparo que há um pozinho que já precisava ser limpo, ou penso nos número de mãos por lavar que já se enfiaram naquela pia de água benta, ou impressiono-me com a falta de mestria do senhor padre ao meter meia hóstia das grandes na boca como se estivesse a comer uma Pringle. A mim ensinaram-me que não se roía a hóstia! Ou engoles inteira ou vais desfazendo no céu da boca com a língua, mas mandar uma trinca é que era um grande sacrilégio no meu tempo! 
Na hora da comunhão também não sou branda com os pensamentos críticos: sou a única a ficar sentada no banco. A única! Ora bem, no meu tempo, comungava quem se sentia de bem com Deus, com os Irmãos e com o mundo em geral. Claro que isto pode ser vago porque a consciência de cada um varia muito mas, pergunto-me, será que toda aquela gente se porta bem 24 horas/dia, 7 dias/semana? Toda a gente é bom pai, bom filho, bom amigo, colega, funcionário, cristão? Epá, fiquei mesmo lá na merdinha porque no meu exame de consciência eu chumbei em mais de 50% dos critérios de avaliação e isto não dá direito a hóstia. Depois tentei tranquilizar-me e pensei que, pelo menos, era sinal que ali, naquele local, só estava rodeada de pessoas do bem que já atingiram o nirvana (não, não pensei nada). E nisto, lembrei-me de uma tia minha dizer que tomava sempre a hóstia porque não tinha pecados (ai filha...) e, por pecados, queria dizer que não tinha cometido pecados capitais ou ido contra os dez mandamentos. Pois, eu até espero bem que não. Assim de repente, apraz-me que ela nunca tenha matado ninguém, nem cobiçado a mulher alheia, ou invejado a galinha do vizinho, porque não se espera menos de um bom cristão. No entanto, pergunto-me, se é só desta check list que se faz um ser humano honrado e digno de receber Jesus dentro de si (que é como quem diz: estar em condições de receber a hóstia).
Pois eu não comungo, talvez, há uns dez anos. Acho que a última vez que o fiz foi quando a minha avó morreu, por respeito, e porque nesse momento o meu coração estava em paz. Fora isso, nunca mais me achei em condições de receber Jesus porque nunca mais "limpei a casa", não pratiquei a minha vida cristã e não mantive como hábito o sacramento da confissão que, lá está, no meu tempo era uma espécie de ritual detox pré-comunhão. Era uma espécie de "a menina não paga mas também não anda" da igreja católica. E eu, não sendo de longe a mais fiel das servas, uma coisa na minha vida sei: existem regras, se não estás disposta a segui-las, salta fora. E eu saltei fora.

Uma nota positiva, mais ou menos, nesta cerimónia - e isto depende dos padres e das igrejas - é que já não se dá o beijinho ao vizinho. Digo "mais ou menos" porque a intenção do ritual é boa mas nunca sei se me apetece alinhar. É uma espécie de ritual de abertura do Web Summit: levantem-se e dêem lá uma beijoca e um abraço ao colega do lado e a seguir cantamos o Kumbaya. Mas sem a parte fashion da coisa... e sem o kumbaya.
Eu sou das que sente o constrangimento de cumprimentar quem não conheço mas é igualmente constrangedor veres os meninos todos a darem beijinhos entre si e tu ficares de fora. É como se não gostassem de ti mas tu precisares da aprovação de todos. Há qualquer coisa de friozinho bom na barriga. Por isso, lá te arrastas um banco meio para o dar o beijinho à senhora que nem sabe rezar o Pai Nosso e apertar a mão ao cavalheiro que rezou a missa toda de cabeça baixa, sabe Deus porquê.
Apesar de tudo, e dos momentos de incompreensão do que se passa na maior parte da liturgia, ainda assim, algo dentro de mim me diz, que a melhor parte deste Preço Certo, é mesmo aquela em que, genuinamente, as pessoas dão beijos ao gordo e agradecem ao senhor presidente da junta ter emprestado o autocarro. E é isso que é uma pena estar a perder-se.


10.10.17

A M O - T E   .    P A R A   S E M P R E  .


                                                

                                       

7.8.17

Não, isto não interessa nada.





Não tenho escrito nada mais porque penso em mil coisas ao mesmo tempo, e o pensamento é mais rápido que a escrita, do que propriamente por falta de assunto.
Se há coisa com que a vida não me tem faltado é com assuntos, e temas, e episódios, dignos de ser partilhados.
Neste momento, depois de ter preparado um esparguete (o corretor ortográfico do blogger diz-me que se escreve espaguete. Spé bem, este corretor) à bolonhesa sem glúten, sem lactose, sem sal, sem sabor, aterrei aqui no sofá, ainda de avental - coisa que não envergava há anos - e deixei-me colar à televisão. A ideia era relaxar mas, honestamente, não faço a mínima ideia do que vi durante os últimos trinta minutos porque esta cabeça está mais congestionada que a linha verde em hora de ponta. Nestes trinta minutos a olhar para a televisão, mas sem ver nada, pensei:
- Tenho mesmo de lavar o chão hoje.
- Tenho a roupa que está em pilha, qual Torre de Pisa, para passar a ferro.
- Fizeram-me mais um risco no carro. Foi o tal fulano: "Ai tal, posso fotografar o seu carro exótico?", o gajo já me estava era a lixar. Foi ele. Deve ter sido. Ou foi no parque?
- Enganei-me outra vez a comprar os cereais.
- Esqueci-me do papel higiénico, outra vez...
- Hmmm, gostei do esparguete sem glúten? Não sei. Talvez sim. O melhor mesmo é deixar de comer esparguete.
- Comi um pastel de nata à tarde. Porra. Tem glúten... E açúcar... Não te fazia falta. Caraças...
- O que é que se passou pela mona da Maria Vieira? Gostava dela...
- E o Dr. Gentil Martins? Ai, por céus... 
- O curso de costura está a ser um bocado banhada. Tenho de inventar uma desculpa para desistir. Uma desculpa, uma desculpa, desculpa... já paguei. Gaita, tenho de continuar a ir.
- Está calor, tenho de me ir despir.
- Onde é que compro lycra às riscas?
- Tenho as pernas inchadas. Devia voltar às massagens. E ao yoga.
- Tenho de marcar a consulta com a psicóloga. Amanhã, ou depois...
- Tenho a cozinha por arrumar. Tenho de a ir arrumar. Não sejas lontra;
- Podia dormir uma sestinha... 10 minutos... tenho tempo de arrumar tudo depois;
- Vá, levanta-te mulher!!!!
- Amanhã entro de férias. Nice. Tenho tempo amanhã para fazer tudo;
- Recursos Humanos. Recursos Humanos. Recursos Humanos. Recursos Humanos. Recursos Humanos. Recursos Humanos. Recursos Humanos. Recursos Humanos. Recursos Humanos. Recursos Humanos. Recursos Humanos. Recursos Humanos. Recursos DEShumanos.
- (estúpida, idiota, burra, parva, sonsa, fingida, estropício, cobra, vaca, porca,  falsa, incompetente, otária...)
- Respira. Amanhã já estás de férias. Inspira! Expira... Inspira! Expira... Inspira! Expira...
- (estúpida, idiota, burra, parva, sonsa, fingida, estropício, cobra, vaca, porca,  falsa, incompetente, otária...)

- Porra. Que dor de cabeça... estou feita em pickles...


19.7.17

Tenho tudo



Estava aqui a pensar na vida.
Na minha.
Num exercício para tentar entender o retorno que o universo me está a dar.
E compreendi rapidamente que na minha vida há de tudo.
A minha vida é, simultaneamente, triste e bonita.
A minha vida é boa e é má.
É serena e é eufórica.
É complicada e é simples.
É romântica e é dramática.
Tem terror e tem comédia.
Tem letargia e tem ação.
Tem amigos e tem inimigos.
Tem ódio e tem amor.
Tem medo e tem coragem.
Tem gratidão e tem cobrança.
Tem conforto e tem aridez.
Na minha vida há sentimentos e há o vazio.
Há motivação e há inércia.
Há inteligência e há ignorância.
Há deslumbramento e há desilusões.
Há encantamento e há realidade.
Há o sangue e há as escolhas.
Há decisões e há incertezas.
Há fé e há dúvidas.


Tenho tudo na minha vida.
Tenho tudo.
Apenas ando a valorizar as coisas erradas.


8.7.17

Epifanias




Há um dia em que aquela pessoa, que não é mais que apenas uma pessoa na tua vida, se torna muito mais que uma pessoa até mesmo dentro da pessoa que ela é.





7.7.17

Fingimento




Neste momento existe um grupo de pessoas felizes, a conviver, a comer, a beber copos e a conversar. A serem pessoas, no fundo, e eu fugi de lá. Sem sair. Evadi-me apenas.
Das coisas mais curiosas que podemos sentir, é quando o nosso corpo não é nosso e estamos dentro dele a observar o que se passa lá fora.
Hoje sinto-me assim. Como em tantas outras vezes. Ou estava a sentir-me assim naquele grupo de pessoas. Os meus olhos pareciam observar uma cena fora da realidade e eu estava ali a forçar-me a ser como eles. A reagir, a conversar, a sorrir, a andar, a movimentar-me como todos eles.
Aquele grupo de pessoas felizes, estavam todos tão felizes como eu. Aposto. Talvez seja isso. Uma espécie de pólos invertidos que acabam por se repelir em vez de se atraírem. Talvez cada um, à sua maneira, estivesse a encenar a sua verdade. E eu, dentro daquele corpo emprestado, observava, não segura, o que cada um estava a tentar fazer. Perante olhares desatentos até diria que alguns cumpriram bem o seu papel mas outros denunciaram o que eu suspeitava: estávamos todos dentro de outros corpos que não queríamos estar. A representar papéis que não queríamos representar.
É trágico, e simultaneamente fascinante, observar-se a cena estando em palco. Se, por um lado, fazemos parte do elenco e isso nos coloca no papel que não queremos desempenhar, por outro lado, temos a possibilidade de ver de perto a dança de todas as personagens. A representação. Os risinhos e as amarguras que mais não são que emoções arrancadas de um guião. Inconscientes, mas, ainda assim, encenadas.
Estar no palco, é poder ver o desconcerto de cada uma das personagens quando se esquecem de uma deixa. É ver as pessoas a encruarem-se. A serem reais por milésimos de segundo. A serem aquilo que deveríamos ser sempre: nós próprios.
Apesar das mãos suadas de ansiedade, os palcos onde cada um se encontrava a representar nunca foram abandonados. Seguem, mesmo à deriva, com um guião improvisado, na esperançada angustia que ninguém repare naquele desconcerto. Que o público, que mais não é que parte integrante do espectáculo, não repare. Não vai reparar. O público anseia que ninguém olhe para eles e lhes desvende o mesmo mistério. Afinal, não há palco nem plateia. Estamos entre iguais. 
Eu há muito que abandonei o meu lugar, com a habilidade de um bom actor que já desistiu da peça mas ninguém reparou. Apenas me mantenho de pé. Com as pernas firmes e o rosto estendido. Para ninguém desconfiar. Assim, o drama não toma conta de todos e não se alastra como um rastilho desgovernado.
Assim, só eu, apenas eu, sei aquilo que todos sabem dentro de si mas não ousam, sequer, a si próprios confessar: somos todos fingidores.




14.6.17

Serei só eu?





Aquela sensação de que passas a vida no trabalho...

... mas depois recebes uma carta dos Recursos Humanos para justificares horas em falta...



[e saberes que quando sais às 18:00 já não está ninguém a trabalhar, mas ninguém parece estar tão em falta como tu... dassss...]


9.6.17

Os meus dias




- Acordo cansada
- Muito cansada
- Arrasto-me numa valsa desconcertada entre o quarto e a casa-de-banho
- Acordo novamente
- Agora a sério
- Vou para o trabalho
- Bebo café
- Devia beber mais
- Começo a pensar nas horas a que quero sair trabalho para ir para casa dormir
- Começo a pensar nas horas a que tenho de ir almoçar
- Almoço
- Arrasto-me entre o gabinete e o corredor com sono
- Sinto sono
- Muito
- Começo a pensar nas horas a que quero sair do trabalho para ir para casa dormir
- Ainda faltam muitas horas para sair
- Aguento...
- Aguento...
- Aguento...
- Já posso sair
- Vou a correr para casa
- Fuck me... ainda lá tenho um pedreiro
- E um pintor
- Porra, tudo sujo
- Porra, tenho de fazer limpezas
- Não. 
- Olha o sofá
- Deita-te no sofá
- Não.
- Devia ir fazer uma caminhada
- Devia ir ao supermercado
- Devia fazer o jantar
- Acorda Inês!
- Devia pôr roupa a lavar
- Devia estender roupa
- Devia passar roupa
- Devia meter louça a lavar
- Acorda Inês!
- Devia ler
- Devia escrever
- Devia tomar banho
- Tenho tanto sono
- São só dez minutinhos
- Depois é que vai ser
- Tenho tanto sono
- Pronto, vá, dez minutos
- Ahhhhhh... que bom.
- Dez minutos

- Porra...
- 1:00 da manhã!!??!!??


Vá Inês, agora a sério: amanhã é que é!

3.6.17

Um dia sou despedida





Estou pelas pontas dos cornos com as pessoas, mais à conversa sobre a incompetência dos funcionários públicos.

É sempre a mesma puta da ladainha que os funcionários públicos é que arruinam com a vida das pessoas.
Que os funcionários públicos são umas putas de borda de estrada que se vendem por meia-dúzia de tostões. Que são corruptíveis por um par de meias de descanso. Ou, então, que os funcionários públicos são uns inflexíveis do caralho. Depende daquilo que der muito jeito ao requerente. Pronto, aqui vá, já é uma questão de conversarmos, não é suas pêgas?
Também adoro quando começa a conversa que os funcionários públicos só vivem de regalias. Se há porra de regalia a invejar (além do esplendoroso ordenado, upa, upa! progressão na carreira, motivação, avaliação, colegas a cheirar a refugado...) é pagar o seguro de saúde mais caro do país. Aquela coisa chamada ADSE e que custa pouco mais de 50 paus/mês. Querem?
Mas, talvez a melhor, é a ideia generalizada de que os funcionários públicos não trabalham. Foi assim uma merda de um boato que surgiu tipo "O Markl tem graça", e às tantas as pessoas começaram mesmo a achar que sim e a espalhar a palavra. E o que não era bem verdade, tornou-se numa verdade indiscutível.
E eu pergunto: ai não trabalham? Então andam todos a fazer o quê? Ai esperem, estou-me a fazer de sonsa, eu sei:
Passam a vida no café a coçar a rata, a conversar sobre o Love on Top, a rir em voz alta e a ver a Nova Gente, enquanto uma fila de malta por atender se acumula no guiché.
E também têm outra tarefa, aquela que os fez reencarnar neste mundo e que é a sua missão na terra: infernizar a vida às pessoas. Por nada. Assim racionalmente, não há razão nenhuma, mas o deuses, há milénios atrás, acharam que tinham de se criar grupos de pessoas que só soubessem dizer que não a tudo, a outros que só queriam que se lhes dissesse que sim a tudo. 

Na década de noventa havia uma publicidade institucional, de carácter pedagógico e cívico (foi quando deixámos de cuspir para o chão. regredimos entretanto), que dizia:
PORTUGAL NÃO É SÓ TEU!

Devia ser recuperada.
Estamos cada vez mais egoístas e estúpidos. Bestas. Para com os funcionários que trabalham para nós, público.
Respect!


Pronto minha gente.
Fica este leve apontamento de fim-de-semana.
A bem da nação, e talvez do meu contrato de trabalho, chegou a sexta-feira.

[Deixo um agradecimento especial ao meu colega do lado que me deixou exprimir livremente nestes últimos dias recorrendo a vocabulário pouco próprio, e que ainda sorria como se estivesse a achar a alguma graça quando ambos sabemos que já nem me estava a ver.]


1.6.17

1 de Junho de 2016




No dia 1 de Junho de 2016, para mim, não existiu Dia Mundial da Criança.

No dia 1 de Junho de 2016, num exame pré-natal de rotina, foi diagnosticada uma malformação congénita grave, incompatível com a vida, no meu bebé.
Estava nas 22 semanas de gestação.

No consultório às escuras, ouvia-se "Bed of Roses" dos Bon Jovi. A médica marcava o ritmo da música com a ponta do pé e tinha os olhos colados ao ecrã. Apesar do Jon Bon Jovi se esforçar nas notas, senti um profundo silêncio.
Percebi que não ia sair dali a mesma Inês que entrou. E não saí. 

Apesar da sentença que levava nas mãos, as pernas bambas ainda conseguiram providenciar uma série de diligências que importavam antecipar, a cabeça ainda conseguiu não correr para o telemóvel a gritar por ajuda, e os olhos aguentaram estoicamente, devo dizer, o que pensava ser apenas um par de lágrimas. 

Aquele dia da criança ficou cristalizado no tempo. Lembro-me de cada minuto. E isto é de uma estranheza indescritível. Recordo-me das horas antes de ir para o consultório, das pessoas com quem me cruzei, do que disse, dos locais onde entrei, do que almocei, do que levava vestido, do que a médica tinha vestido... E lembro-me de todos os minutos depois. Do imenso calor que estava. Da dor que senti no peito. De ter de dar a notícia ao meu grande amor. De ter de ser a portadora de mais esse sofrimento. De ter de mentir ao telefone à minha mãe. De a minha mãe me felicitar pelo dia da criança mais especial de sempre a partir de então, e eu ali, acabada de saber que era o fim e sem coragem para lhe dizer. Cortou-me o coração em mil bocadinhos.

Desde o dia 1 de Junho até ao dia do seu nascimento a 16 de Junho, perdi e recuperei muitas vezes o meu filho. Tive fé e perdi-a várias vezes, no mesmo dia. Num dia chorava a perda, no dia seguinte sentia-me a mãe mais forte do mundo, porque num dia me davam um prognóstico e noutro dia me davam outro. 
Porque num dia me diziam a verdade e, noutro dia, me diziam mentiras porque erraram na procura da verdade. 
Uma coisa sei e tenho como definitiva na minha vida: perdi a ingenuidade e a criança que tinha em mim.
Isso foi-me roubado para sempre.  É irreversível e irreparável. Deixei de ser criança. 

Agora,  todos os dias envelheço a pensar no meu bebé. Todos os dias choro por ele. Choro por nós os três. Ainda choro, sim. De uma maneira, de outra, mas choro todos os dias. E choro pelas coisas mais parvas.
Choro por dentro, e este é apenas um exemplo, quando ouço pais a queixarem-se das birras dos filhos. Ou quando lamentam que deixaram de ser donos dos seus próprios horários,  ou que nunca mais conseguiram ter a sala sempre arrumada (shame!) ou, e esta está entre as minha preferidas, que os filhos não os deixaram dormir naquela noite, ou que não dormem em condições desde que os putos nasceram (não colocando em causa que possa ser verdade mas, porra, não se queixem). 

Curiosamente, eu também não tenho dormido bem neste último ano e a minha vontade de arrumar a sala também não aumentou. 

Sejam gratos. 
Amem as vossas crianças.


28.3.17

Ao que te agarras quando todos te largam?



Aos meus tomates agora em ketchup, verdade.

[Há muito tempo que aprendi a não fazer conta com os dos outros.]




(É engraçado como tinha escrito um texto, há meses, tão extenso sob este assunto e agora, mal li o título, só me ocorreu esta resposta. Tendo-me parecido mais genuíno que a ladainha toda que tinha escrito, apaguei o texto. Todo.)





Buracos e outros esquemas mentais, vá... esquisitos



Gostava muito de sair deste buraco onde me meti.

De voltar a falar e comportar-me como uma pessoa normal.
Eventualmente, até, voltar a ter sentido de humor. A ter vontade de rir, verdadeiramente, sem aquela luz a ligar e a desligar-se como um alarme que adverte "não te rias filha da mãe!!!".
Gostava de endireitar as costas outra vez.
De voltar a escrever. E a ler.
E de não ter dores de cabeça daquelas que me consomem as órbitas.
E era tão porreiro voltar a emanar aquela energia cool que tanta invejinha despertou outrora. Até era bom, vendo bem, que me cobiçassem a personalidade efervescente.
Não parecendo, naqueles dias, em que eu era eu, eu era uma pessoa efervescente.
Agora estou sem gás.
Adorava não ter pena de mim. E de não chorar a olhar-me ao espelho para ter ainda mais pena de mim.
Ah sua estúpida... perderes tempo nisso...
Se pudesse não mudava só a minha relação comigo, nem a minha relação com os outros, mas dava ali uma limpeza de pó à relação dos outros comigo.
Saiu tudo queimado.
Eu fiquei esquizóide* (é fixe ir ver o significado das palavras que pensamos já conhecer) mas as outras pessoas passaram a reagir como se eu fosse uma rotunda: contornam-me.
Tem graça pensar na metáfora mas, na prática, é como se fosses o único da turma que não foi convidado para uma festa de anos... mas sabes que há festa de anos. Ou como se fosses o único que não sabe que tens um enfeite na testa. Ou como se todos fossem pretos e só tu fosses branco e vês que te estão a evitar mas não percebes bem porquê.
Basicamente, é um "eu sei que tu sabes que eu sei". Toda a gente sabe mas é mais fácil fingir que não sabe.
É um jogo.
Há outros melhores, verdade, mas é neste que estou.
E ainda não ganhei a porra de um queijinho...
E depois cai aquele trovão na cabeça e percebo "Ah, gaita, os outros não têm culpa... que chatice... era muito mais fácil".
E sinto-me mais culpada por ter vestido o fatinho de cobradora de emoções.
E estúpida. Outra vez.
Pronto, isto é outra coisa a trabalhar. 
Sair do meu buraco e tentar não cair no dos outros.
Se de vez em quando sorrisse também era nice.
Eu ficava bem a sorrir. Ou melhor, a rir. Ok, já disse isto. Mas é rir às gargalhadas. Aquelas que se ouviam nos Pirinéus (e o corretor orotgráfico diz que Pirenéus é que é... oh f*da-se... isto também não ajuda o meu cérebro a perceber o certo e o errado).
Sentir-me uma leoa com o cio também era fixe para a autoestima e era coisa para me fazer trepar o buraco em três tempos.
Mas nem gata, quanto mais leoa.
E estou a ficar maior, para os lados, e o espelho não tem feito o favor de acompanhar. E pronto. Não é bonito.
Como não é bonito comer pratadas de aveia e achar que faz bem.
E não mexer o bufunfo e olhar para o céu a achar que os Deuses é que andam a mangar comigo.
E trago um vestido de veludo que não me apetecia trazer. Não ajuda. E o cabelo está oleoso... 
É um "tudo eu, tudo eu" que não se aguenta.
E pronto, era isto que temia quando comecei a escrever: perder-me no processo.
Mas metia buraco. Sair dele. Era toda uma teoria que na minha cabeça parecia funcionar.
Parecia mesmo.



*O Transtorno de Personalidade Esquizoide (TPE) é um transtorno de personalidade caracterizado por falta de interesse em relações sociais, tendência a um estilo de vida solitário, frieza emocional e apatia. Indivíduos afetados podem simultaneamente demonstrar uma elaborada e exclusivamente interna atividade imaginária ou demonstrarem uma criatividade significativa.
Embora os termos sejam parecidos, o TPE não é o mesmo que esquizofrenia, apesar de a prevalência do transtorno ser maior em famílias com casos de esquizofrenia, e de ambos terem características em comum, como distanciamento e embotamento afetivo. Alguns psicólogos argumentam que a definição de TPE é inválida devido à presença de um viés cultural.
in Wikipédia


2.3.17

True strory




Atendi um tatuador que me confessou:

- Não tenho nenhuma tatuagem no corpo... porque não gosto de ver...


[Deve ser quase o mesmo que ser padeiro e não gostar de comer pão...
Ou ser bombeiro e não gostar de árvores...
Ou ser dentista e não gostar de dentes...
Ou... já perceberam a ideia...]




13.1.17

Aquele que vier depois





Recuperar rascunhos | 2016 #4
23 de Agosto de 2016


O que vier depois,
Não terá fim.
Será duradouro,
Eterno,
Porque o não deixaremos morrer.
O que vier depois,
Será um ser chegado naquele instante,
Sem antes,
Nem passado,
Mas diremos sempre que chegou tarde.
O que vier depois,
Já não seremos nós,
Um fruto dos dois.
Nascerá órfão,
De caminho logrado.




3.1.17

Professor Karamba: ou a maldição de prever o futuro



Ora, uma vez que me correu tão bem a previsão de como seria o meu ano 2016, não resisto a fazer uma previsão de como será o 2017 para depois, lá para o final do ano, fazer uma comparação e ver se acertei em cheio ou dei o tiro mesmo ao lado.
Tive um bocadinho medo de mim mas, por outro lado, há qualquer coisa de lúdico e divertido nisto de adivinhar o futuro.

Pois que para 2017 a minha previsão é a seguinte:
- Vou ser egoísta.
Isto não é bonito, e não o digo com orgulho, mas é mesmo o sentimento que se apoderou de mim. Tenho um certo grau de confiança de que isto vai ser sempre a olhar para o próprio umbigo.

Até gostava de dizer que isto exclui aquele núcleo sólido de relacionamentos que tenho, e que esses são intocáveis e, como tal, vou ser egoísta mas sem me desviar das relações que mantenho com os outros.
Mas nem esse bom auguro sinto.
Que bom, não é?
Que bonita pessoa isto me torna!?

Para já é só uma previsão, lá para Dezembro então ou nos rimos ou choramos com isto.

[Ah, e Dezembro que nunca mais chega para ficarmos já a saber o que eu já sei tão bem...]


2.1.17

Apenas uma resolução de ano novo

não consegui encontrar outra imagem com o número um...


Todos os anos começo este blog com uma lista de resoluções.
Este ano vou-vos poupar e vou-me poupar, porque só há uma coisa que tenho a certeza que devo fazer, que devo cumprir, que devo levar avante custe o que custar. Uma coisa: desistir das pessoas.

É isso mesmo. Para mim 2016 foi do mais insuportável que podia haver ao nível das pessoas, pelas mais variadíssimas razões.
(Ter feito obras em casa que deveriam ter demorado 3 meses e já vão em 6 convenhamos que contribuiu muito para a perda de fé na palavra das pessoas. Sim, senhores trolhas, carpinteiros, serralheiros, canalizadores, electricistas e tudo, e tudo, e tudo... isto é para vocês).

Aquela coisa maravilhosa que se chama "falta de palavra" ou de seriedade, ou de noção de compromisso, ou de honestidade, ou de verdade, ou de... ufa, tanta coisa mais, está tão agarrado ao ser humano que é impossível lutar contra isto. É impossível, sequer, tentar conviver e aceitar isto. Portanto, para não ir gastar muito dinheiro este ano em cremes anti-idade (bonito. nunca pensei dizer isto um dia) em tinta para o cabelo (algum dia há-de ser) e antidepressivos (em 2016 experimentei Valium pela primeira vez e não deixou saudades mas... quem sabe?...) foi de meu entendimento que o melhor, talvez mais fácil mesmo, e não me vou fazer melhor que aquilo que sou: é desistir das pessoas.

Ninguém foi capaz de se comprometer comigo com nada. Ninguém foi capaz, em momentos de adversidade, de conversar. Sim, conversar. Honesta e francamente. Parece que houve uma espécie de monda química lançada aos seres humanos e, de repente, conversar é a coisa mais difícil do mundo. As pessoas escondem-se atrás de telemóveis, de computadores, de terceiros, de desculpas, de o raio que os parta, mas parece que se perdeu a capacidade de usar as palavras usando a boca e a cara. E eu continuo a ser uma pessoa muito física. É uma merda, eu sei.

A minha quota parte de culpa nisto? Claro que existe. Pavio curto, paciência no zero, e filtro queimado. Não parecendo, esta combinação é uma merda para o convívio com os outros. Uma pessoa que está sem tolerância nenhuma, no limite da sua sanidade e que, a somar, não mede o que diz, isto dá uma caldeirada do mais azedo que há.
Ainda assim, mantenho a minha única resolução: desistir das pessoas.

[Mas só depois de amanhã que ainda tenho de ligar ao empreiteiro... gaita.]



1.1.17

2017... vamos começar com calma, sim?






Agora é torcer os dedinhos para que os dias de merda cães fiquem lá atrás e nunca mais voltem, sim?

Vamos lá 2017!
Desta é que é!




[Não é?]





29.12.16

Baby Blues e Diet Blues

 


Recuperar rascunhos | 2016 #3

2 de Janeiro de 2016

Estou de dieta... mais uma vez.
E hoje, dei por mim tão deprimida que pensei: "porra, parece que acabei de parir e só me apetece fugir de casa e dar a cria para adoção".

E lembrei-me de como isto é parecido com os baby blues das minhas amigas que foram mães.
Eu já estou velha, por isso as minhas amigas já foram quase todas mães (enquanto elas passaram estes anos a ser mães eu passei-os a fazer dietas) e eu bem sei que todas, quase todas, tiveram os seus baby blues (isto para ser simpática) e depressões. Depressões pós-parto, durante-o-parto e antes-do-parto.
Não vale a pena esconder. Ou melhor, vale a pena esconder porque são dores que, por estranho que pareça, sabem bem ser sofridas sozinhas. Há muita gente que não compreende, sobretudo, a geração daquelas que são agora nossas mães. Acham que é tudo frescura (mas na verdade é amargura porque na altura também sofreram mas tiveram de se fazer mulheres à força e agora querem fazer o mesmo com as filhas. Adiante).

Estive aqui a analisar os pontos de contacto entre os Baby Blues (BB) e os Diet Blues (DB) e corrijam-me se eu estiver enganada porque, bem vistas as coisas, ainda só estive de um lado da barricada, mas parece-me que isto anda ela por ela em termos emocionais:

1º - Entras nisto porque queres (só que não)

BB - Não estarei longe da verdade se disser que para uma boa percentagem das mulheres ter um bebé ainda pertence à lista de coisas para fazer durante esta vida, porque pensamos que nos vão fazer felizes e completar como mulheres e seres humanos. Associamos um bebé ao amor por um homem, queremos saber o que é gerar vida e (quanto a mim aqui é que bate a questão) há toda uma expectativa da sociedade em que contribuamos para a continuidade da espécie e, se não o fizermos, seremos as filhas da puta que estragaram o jogo. Assim-como-assim, mais vale ter um filho, que até deve ser bonito, e garante-se a continuidade da vida e alguém que nos acompanhe na velhice (façam conta com isso façam).

DB - Todas as mulheres querem ser magras. As que já são querem continuar a ser, as que não são querem sê-lo. É mentira, MENTIRA, quando uma mulher gorda diz que gosta de ser assim, e que se aceita e ama o seu corpo como é. É tão mentira que é vê-las passado uns tempos, magras que nem alhos franceses, a meterem as culpas no acaso. E as que nunca chegam a ficar magras foi porque nunca conseguiram pelas mais variadíssimas razões. E podem mesmo ser milhões de razões. Por isso, Quando entramos num dieta de cabeça, é uma decisão tomada de forma consciente e firme. Não podemos culpar os outros ou dizer que fomos obrigadas. Iniciamos esta viagem, direitinhas ao fosso do Diet Blues, porque queremos muito alcançar algo mas nunca nos sai da cabeça que se estivéssemos sozinhas no mundo não precisávamos ser magras e que, na verdade, e mais uma vez, só o fazemos porque há uma sociedade (essa entidade anónima) que nos pressiona a ser perfeitas.

2º - Tens a primeira consulta pré-objetivo

BB - Se a coisa for programada o ideal é ir antes a uma consulta. Se não for, já percebi que vai dar ao mesmo porque os médicos não ligam ponta a um teste positivo de uma gravidez de meia-dúzia de dias. Por isso ainda estou para perceber a cena de preparar a gravidez. Anyway... A primeira consulta é aquele excitex. A pessoa pensa que vem aí o melhor do mundo. Foda-se! Espetacular. Um bebé! Um bebé para sempre!!!! (sim, a pessoa não se lembra que depois eles crescem) Um amor para sempre!!! Tudo para sempre... sempre... sempre... sempre... que bom que é o para sempre.

DB - A pessoa primeiro tenta sempre sem ajuda. Afinal de contas toda a boa gente sabe que a receita para o sucesso está em fechar a boca e dar ao rabo. Mas depois há aquelas que são conscientes e que já andam nisto há muitos carnavais e sabem que não vão lá sozinhas e precisam de um polícia para as meter na linha e, por isso, decidem ir a uma consulta com um nutricionista. A primeira consulta é aquele excitex. A pessoa pensa que vem aí o melhor do mundo. Foda-se! Espetacular. Diz-me que eu daqui a um mês já devo ter menos 4kg! Nem acredito. E daqui por dois meses já tenho menos 10 kg. Txiiiiii! Estou que nem posso, porque é que não vim antes. E é desta que eu vou ficar magra para sempre. Sempre... sempre... sempre... que bom que é o para sempre.

3º - A avaliação da primeira semana

BB - A criancinha já nasceu. Vamos fazer esse suponhamos uma vez que em princípio só há BB's quando a criancinha nasce. Ora a criança está cá fora. Que bom que alegria. Era mesmo isto que eu queria. É meu, só meu e do paizinho. É a minha cara, é a cara dele. É a alegria desta casa. Só que não. Eu não conheço este puto. Eu tinha uma barriga há uma semana que cresceu durante nove meses e agora querem vender-me que era isto que estava lá dentro? Nah, nah, nah... vamos lá com calma. Eu tinha uma barriga, não tinha um bebé. Podem dar-me tempo para eu me habituar? Para eu pensar no assunto? Para eu conhecer esta pessoa que me puseram nos braços e esperam que eu conheça há imenso tempo? Sabem, eu também nunca o tinha visto, tá??? Instinto maternal o quê? Ah, tá, sei... 
(Vou ali trancar-me na casa-de-banho a fingir que estou a fazer um cocó que demora cinco horas só para me deixarem em paz um bocado, ok?). Acabou-se o para sempre... sozinha... não foi? Já não quero brincar mais a isto, posso desistir?

DB - O para sempre acaba quando? Só me apetece comer uma lasanha do LIDL e acabar com uma taça de Cérelac. A sério que só passou uma semana? Um mês? Perdi quanto??? 100 gr? Mas não me tinha dito que perdia 4 kg no primeiro mês? Não fiz nada de errado, juro! Só comi saladas e sopas, evitei os hidratos depois da 5 da tarde, e bebi 3 litros de água todos os dias. Quê? Coca-Cola? Nunca! (a zero não conta pois não?).
O melhor é ir comprar um comprimidos de CLA à Parafarmácia que isto assim não vai lá. É preciso ajudar com exercício físico? Subo imensas escadas no trabalho, juro que me mexo imenso.
Já não quero brincar mais a isto [fui ao LIDL].


4º - Passou a segunda semana, mas já queres estar no sexto mês

5º - O médico dá-te na corneta e não fazes birra

6º - Voltas a entrar na linha

7º - Finalmente o dia D

8º - Foda-se... e agora?

9º - Posso desistir?


(E isto tornou-se tão extenso e chato que até eu me fartei. Era aquele post impossível de acabar. 
Deixo ainda a nota, que julgo necessária,  sobre a data em que foi escrito.  À data,  eu ainda não estava grávida (mas não havia de tardar) e por essa razão escrevi na ótica de uma mulher que nunca o tinha estado.  Dêem por isso,  se assim o entenderem,  o devido desconto).