sexta-feira, 18 de março de 2011

Minha culpa

Minha culpa

Sei lá! Sei lá! Eu sei lá bem
Quem sou? Um fogo-fátuo, uma miragem...
Sou um reflexo... um canto de paisagem
Ou apenas cenário! Um vaivém

Como a sorte: hoje aqui, depois além!
Sei lá quem sou? Sei lá! Sou a roupagem
De um doido que partiu numa romagem
E nunca mais voltou! Eu sei lá quem!...

Sou um verme que um dia quis ser astro...
Uma estátua truncada de alabastro…
Uma chaga sangrenta do Senhor...

Sei lá quem sou?! Sei lá! Cumprindo os fados,
Num mundo de maldades e pecados,
Sou mais um mau, sou mais um pecador...

                          Florbela Espanca



Fui repreendida por ter sido, simplesmente, vulgar. Por não ter ascendido a uma dignidade que esperavam de mim. Por não ter sido mais que, simplesmente, mesquinha e ordinária. Porque tive, simplesmente, preconceito nos olhos, quando devia ter tido respeito nas palavras. Fui repreendida com razão. Arrepender-me do que não fiz em vez de me arrepender do que fiz erradamente, nunca foi o meu caminho. Nunca foi o que busquei. Fui reles contigo, meu amigo, sem que tivesses oportunidade de te defender. Fui tão baixa… estou tão arrependida.
É também por isto que o “simplesmente” nunca me poderá bastar. É por isto que a complexidade das coisas me deixa mais enamorada pelas cores da vida, porque as coisas simples não têm divindade… e ser bom é mais difícil que ser mau.
Ser bom, na maior amplitude da palavra, é tão complexo como nos mantermos vivos. É por isso que, a complexidade de morrer, nos parece sempre má, mas a mim me agrada tanto.
Hoje fui repreendida com razão. Fui repreendida por uma pessoa que amo e, por isso, respeito. Fui repreendida por não ter estado à altura do seu amor. É sempre assim: só nos bate quem quer cuidar de nós. É por isso que te agradeço e te ofereço a outra face.



3 comentários:

  1. Porque não?
    Não é preferível gostarmos daquilo que, inevitavelmente, iremos ter?
    Assim custa menos quando ela chegar: Já estaremos de portas abertas à sua espera.

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  2. Eu tenho pavor. Gostava de não ter, mas de quando em vez surge esse fim no meu pensamento e é doloroso.

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