sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O Breu


Uma mulher prostrada.
O traje preto de mortificação.
O olhar vago no escuro.
A tristeza assombrada.
A vaguidão.
A vaguidão daquela alma.
A vaguidão desta mulher.

As sombras amaldiçoadas.
As outras almas sentidas.
O penar de quem não sabe.
O sentimento oco de quem não sente.
O pesar.
O pesar de quem a olha.
O pesar de quem não tem o que consolar.

O ébano da morte.
O bater de asas de corvos.
As roupas puídas de velho.
As mãos consumidas de sofrimento.
A pele.
A pele negra.
A pele morta.

Um caixão triste.
Uma morte esperada.
Um sonho que acabou.
A paixão não consumada.
O agror.
O agror de ter acreditado.
O agror de o sepultar.

O azeviche da noite.
O breu de um rastejar.
O medo de prosseguir.
O horror de quem desistiu de amar.
O caminho.
O caminho que perdeu.
O caminho que já não consegue encontrar.

A escuridão dos pensamentos.
As incertezas do fim.
Um fim sem se esperar.
As lágrimas de saudade a rondar.
O negro do sofrer.
O apagar da luz.
O adeus.
O adeus que não se fez.
O amor que não se consumou.


O adeus que não se fez.
O amor que não se consumou.

O adeus que não se fez.
O amor que não se consumou.




3 comentários:

  1. "O adeus que não se fez.
    O amor que não se consumou."

    belíssimas palavras... e tão sábias.

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  2. Noir, Noir, tout est Noir....
    Les portugais sont tristes...
    Vou até Chicago e já volto

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  3. Sem palavras...Muito bom!

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