terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Poema dos falhados





Condenaram-se os falhados por trabalhar,
Por trabalharem para um patrão que lhes falhou.
Não se entendia o que havia para ganhar,
Passaram-se dias a praguejar,
E assim o desemprego lá chegou. 

Envergonharam-se os falhados que são felizes,
Proibida que é a felicidade de quem nunca chorou.
Castigaram-se os tolos risonhos,
Premiou-se a tristeza dos tristonhos,
Virou-se costas a quem algum dia gracejou.

Censurou-se o amor de dois falhados,
Falhados que andavam os princípios do amor.
Arrumaram-se os falhados a um canto,
Ignorou-se-lhes o seu encanto,
Nunca mais um falhado se enamorou.

Gozaram-se os falhados que são honestos,
Por não saberem intrujar.
Ensinou-se-lhes outra cartilha,
Juntaram-se mais cães à matilha,
Fez-se uma festa por ser mais um a roubar.

Contrariam-se os doentes que falharam,
Negado que lhes é o viver.
Retirou-se-lhes o oxigénio,
Empurram-se-lhes as carcaças para o cemitério,
Deu-se graças por finalmente alguém morrer. 






11 comentários:

  1. Respostas
    1. Eu nunca falho, sou fiável como um relógio suiço e imprevisível como um relâmpago... :)


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    2. (tentativa desesperada de mostrar auto-estima. Ainda fico atordoado sempre que recordo o comentário que me fizeste quando te respondi que não era um gajo bom! :))

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    3. O meu comentário foi estúpido, desculpa-me lá a falta de tacto.
      Se há pessoa que tende a não valorizar o aspecto físico sou eu. Não tens nada de te sentir assim.

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    4. estou a brincar, convivo bem com as minhas imperfeições ;)

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  2. Falhei. Quando vi a foto, pensei que fosses sobre o boneco da Michelin.

    R.

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    1. E já agora, seria bom que eu conseguisse escrever algo perceptível - "Quando vi a foto, pensei que fosses falar sobre o boneco da Michelin".

      R.

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