terça-feira, 2 de outubro de 2012

Queria ser sábia




Gostava de ser sábia.
De saber tudo.
De conhecer o bom e o mau.
O difícil e o fácil.
Mas saber tudo.
Não precisava de me servir do conhecimento para nada.
Gostava tão somente de me sentir cheia dele.
Para sentir que sabia tudo.
Gostava de ser sábia para saber tudo.
Queria ter tempo para aprender e para ver tudo.
Queria conhecer todos os países do mundo.
Todos os lugares.
Gostava de poder ler todos os livros do planeta.
Queria conhecer todas as pessoas.
Queria ouvir todas as conversas.
Não interferir nem dar opiniões.
Apenas ouvir para saber tudo o que se fala.
Saber como são todas as mentes.
Todos os labirintos que existem dentro de cada pessoa.
As maldades da alma.
Os amores de todos os corações.
Saber que gosto têm todas as comidas.
Conhecer todos os cheiros.
Poder falar todas as línguas.
Conhecer todas as músicas e sons.
Ver todas as guerras.
Ver todas as mortes.
Saber porque se morre.
Saber porque se vive.
Saber porque uns são felizes e outros sacrificados.
Conhecer os caprichos do planeta.
Entender porque vamos de novos para velhos e não de velhos para novos.
Queria saber porque se enruga a pele com a velhice.
E porque é que a velhice nos alisa a sabedoria.
Queria confirmar que ser velho é saber mais.
É ser maior.
É ser mais sábio.
Queria estudar o espaço entre as coisas e as pessoas.
Estudar as interferências e os ruídos.
Compreender os silêncios entre as pessoas.
Simplesmente, compreender todos os silêncios.

Queria ser sábia para poder viver sem dizer uma palavra.




10 comentários:

  1. Eu também queria ser sábia. Queria entender tanto e tantas coisas, sem proferir palavra alguma. Apenas ser.

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  2. Inês, citei este texto em meu blog com a devida referência.Bjs

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    1. Olá Márcia!
      Obrigada por partilhares no teu blog.
      Beijinhos :)

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  3. SAI DA MINHA CABEÇA! eu também!!!!
    adorei :))))

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    1. Se começar a andar hoje pode ser que lá chegue daqui por 20 ou 30 anos... :)

      Obrigada pela visita.
      Bem-vindo!

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  5. Ah, como a compreendo, DC!
    Também eu queria essa intemporalidade silenciosa, que nos permite abranger todos os saberes, desfrutar de todos os sabores, (re)conhecer todos os seres, e simplesmente SER... em plenitude.
    Continuação de bons textos!

    Unter den Linden

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    1. Intemporalidade. É mesmo a palavra certa.
      Obrigada!

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