quinta-feira, 17 de julho de 2014

O Senhor Tédio





O Senhor Tédio entediava-se,
Só de ter de respirar,
Aborrecia-o o bocejo,
Odiava trabalhar. 

Pousava a cabeça nos cotovelos,
E pensava para si:
"Estarei eu entediado,
Ou ter-se-á o tédio apoderado de mim?"

Não entendia o Senhor Tédio,
Esta coisa de ser feliz,
De viver uma vida tranquila,
Estando tudo por um triz.

Mas o tédio instalava-se,
Sempre que se queria animar.
Entediava-se com a alegria,
E fartava-se por não festejar.

Reconhecia o senhor Tédio,
Que ser entediado não o deixava viver,
Mas lutava um par de dias,
E voltava-se a aborrecer.

Mas um dia o Senhor Tédio,
Muito cansado de se amuar,
Convenceu-se a si mesmo:
"Nunca mais vou entediar!".

Foi então para a rua,
De sorriso no rosto estampado,
Mas cansou-se de tanto sorrir.
E chegou ao trabalho entediado.



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