terça-feira, 7 de abril de 2015

MIX: coisas que deviam ir para o lixo mas povoam a minha cabeça



Ando há dias a tentar escrever coisas sérias mas têm-me saído mixórdias, assim, variadas.
Ora me vem isto à cabeça, ora vem aquilo, umas que dão tempo de apontar em algum lado, outras que se esfumaram e foram resgatadas mais tarde por ideias entrecortadas.
Uma salgalhada, é o que se passa neste cabeça.
Tenho um ninho de pássaros a dormir mesmo por cima do meu quarto há umas semanas e os filhos-da-mãe acordam com o nascer do Sol que, por acaso, não coincide com o meu nascer do Sol, e eu ando a ficar perturbada com tanto piar e raspar de patas na cobertura, o que, consequentemente, me perturba as ideias e me desorganiza a escrita. Eram 06:15 da matina e eu andava em cuecas em cima do escadote a ver se afugentava a bicharada.
Por isso, e como estou a acusar um bocado de falta de paciência mas, por outro lado, fruto deste desnorteio, me apetece escrever, fui arrebanhar coisas que se andavam a acumular na pasta "Rascunhos", cujo início nunca conheceu um fim, e juntei tudo neste post. Por isso, sim, são coisas, basicamente, sem lógica nem arranjo nem operação de maquilhagem.
A imagem do esparguete com ketchup e almôndegas está dentro do espírito da coisa, para além de que foi a primeira imagem que me veio à cabeça quando pensei neste mix.
Já nem como esparguete à bolonhesa há uns anos.
Almôndegas, também não.

Pronto, tchau, fiquem bem.
Vou beber um cafezinho.


"Não sou uma desgovernada consumidora de livros, como não sou uma desgovernada consumidora de filmes, nem de música, nem de coisa nenhuma... Não percebo essa coisa de ter de se ler tudo, de ter de se ver tudo, de ter de se gostar de tudo.

Eu tenho opinião. E ainda por cima sou esquisita."


"Se o cuco não encucasse
no lugar que encucou
voaria para longe
para um lugar bem distante
onde o sonho
não murchou

(ou os dias em que penso em verso... merda)"


"Ontem fui à FNAC.
Fui direitinha à secção de poesia, nem sei bem porquê.
Primeiro, nunca está lá ninguém.
Segundo, quando aparece alguém é geralmente homem, é certo, mas muito velho.
Terceiro, sinto vergonha. Aquela vergonha alheia.
Tirando aquela meia-dúzia de nomes sonantes, que hão-de sempre repousar nas prateleiras porque, mal ou bem, são nomes que a malta conhece no caso de querer oferecer um livro a alguém, os novos nomes que ali surgem escrevem como miúdos saídos dos "Morangos com Açúcar" na série espacial do ano de 2351. Qualquer coisa entre o nonsense e o moderno mas sem dizer "iá" e "bué", e juntando palavras como "gato", "electrodoméstico" e "Corneto de Morango" na mesma ideia.
São coisas que me afligem: chamar poesia a coisas sem sentido (e deixemo-nos de merdas sobre "a poesia é aquilo que quisermos que ela seja")."


"Não chores pelo que perdeste. Luta pelo que tens.

Não chores pelo que está morto. Luta pelo que nasceu em ti.

Não chores por quem te abandonou. Luta por quem está contigo.

Não chores por quem te odeia. Luta por quem te quer.

Não chores pelo teu passado. Luta pelo teu presente.

Não chores pelo teu sofrimento. Luta pela tua felicidade.


(isto não é a bíblia 'dasss...)"


"Às vezes tento perceber a razão para, neste momento, no meu local de trabalho, ter mais consideração pelos gajos que foram excomungados do que pelos abençoados.
Não era suposto, de um ponto de vista da sobrevivência, aliar-me aos profissionais bem vistos no mercado em vez de nutrir uma admiração pelos escorraçados?"


"O cheiro da sua pele lembrava-lhe o leite acabado de ordenhar. Ainda quente. Ainda doce. Macio."




7 comentários:

  1. Fixei-me no cheiro da pele. Pronto, manias de lacticínios. :P

    Beijos, miúda em cuecas a afugentar passarinhos. :)

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    1. "miúda em cuecas a afugentar passarinhos" fez-me rir.
      E agora rezo para que ninguém me tenha visto na vizinhança.

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  2. Venho sempre aqui para sorrir, hoje até me ri. Eu desalinhavava aquele dos gajos excomungados e continuava por aí, acho que simpatizo com pessoas hostilizadas.

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    1. Pois era... esse prometia. Mas perdi a pica ali pelo caminho.
      Mas como isto do trabalho traz muita "inspiração" certamente hei-de voltar ao assunto.

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  3. Com este post é que me desgraçaste, não estou sozinho :D, os teus pássaros também batem muito com as patas?, e despertam uma hora antes de teres de levantar?, já chamei o raio dos pedreiros, mas vêm sempre com a história que o tempo não está bom para irem à cobertura.

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  4. "Os meus pássaros"??? Na, na, na... não os adoptei, eles que nem pensem nisso!!!
    Eu juro que gostava de instalar uma câmara para ver o que é que eles fazem precisamente entre as 06:15 e as 07:15, porque eu não entendo de onde vem tanto raspar de patas.
    É o quê? Fazem amor, esperneiam, depois fazem o pequeno-almoço e arrumam a cama???
    Porque é que não acordam e simplesmente desaparecem?
    Do mal o menos eu moro numa casa de piso térreo e com cobertura plana, o que me permite ir lá com um escadote, ou seja, não preciso de lá mandar ir ninguém.
    Mas pretendo nos próximos dias meter um fim neste sofrimento.
    Não sei se desmancho o ninho (não tenho muita coragem) mas acho que o vou "oferecer" a outro vizinho.

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    1. :D grandes ofertas, são tipo familiares penetras lol

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