terça-feira, 12 de março de 2013

O fim das espécies




Fala-se da extinção de espécies e de espécies em vias de extinção no mundo animal. Mas creio que essa preocupação se tem restringido apenas aos animais irracionais. Aquele grupo onde nós, seres humanos, não nos incluímos.
Contudo, há muito que penso na extinção, também dos seres humanos, ou da renovação que tem existido, com a extinção de uns e o aparecimento de outros. Todos somos insubstituíveis  de certo modo, e isso deveria garantir a nossa salvaguarda mas isso parece escapar à nossa vontade e, até, ao nosso entendimento.
Desde que tomámos consciência da nossa existência que é conhecido o nosso comportamento em grupo, a nossa necessidade de constituirmos clãs e de nos dividirmos mesmo dentro da nossa espécie. Aquilo que hoje conhecemos como sociedade, ainda se comporta assim e tendemos a relacionar-nos dentro de grupos com que nos identificamos e que, de algum modo, terão relações desde gerações anteriores, mantendo-as.
Se nos colocarmos dentro de uma linha temporal e tentarmos recuar até aos nossos antepassados, perdemo-nos algures pela terceira ou quarta geração, salvo excepções em que as linhagens estão devidamente documentadas. Sabemos que somos resultado de anos e anos de ramificações de famílias. De pessoas que se foram unindo a outras pessoas e que, por consequência, foram unindo famílias. Assim se constrói a esfera populacional que somos hoje no mundo.

Mas raras vezes nos lembramos da extinção de ramos dessa árvore. Do fim de famílias. De nomes que não têm continuidade. Da descendência e não da ascendência. Acabamos sempre por supor que não existe um fim, mas existe.
As famílias que se findam não deixam história porque não existe ninguém a montante para a contar. Esta ideia do fim, de um milionésimo de representantes da nossa espécie humana, invoca-me as questões da hereditariedade  Porquê é que se esgotam determinados conjuntos de pessoas? Haverá relação entre o número reduzido de descendentes e a probabilidade de se extinguir um grupo de indivíduos a que designamos de família? Tratar-se-á, também neste caso, de um método de selecção natural? Haverá uma condição genética que torna alguns de nós alvos indesejados para o acasalamento? Haverá algo de divino que é acessível a uns e barrado a outros?

Veja-se um caso prático:
Um casal que tenha um filho e uma filha, em que cada um teve também um filho e uma filha, totalizando assim um grupo de quatro netos que terão a responsabilidade de se multiplicarem, apenas dois terão o poder de dar continuidade ao nome de família: os dois netos do sexo masculino. As duas mulheres apenas garantirão a existência do nome, no máximo, por mais uma geração, mesmo que apenas tenham filhos do sexo masculino, sendo que estes herdarão, em princípio o nome do progenitor do sexo masculino.
Voltando aos dois homens com possibilidade de garantir a perpetuação do seu nome, caso apenas venham a ter filhas, e mesmo que essas filhas tenham apenas filhos, não estão garantidas mais que duas gerações com o mesmo nome.
Caso tenham filhos em vez de filhas, nem que seja um só indivíduo, as possibilidades tornam-se maiores ou até infinitas, assim não interferiram as questões genéticas, de selecção natural ou outras tantas.
Mas, caso nenhum venha a ter filhos, finda-se ali uma família que poderá ter tido a sua origem há centenas ou até milhares de anos, com a manutenção do mesmo sobrenome.
Além do nome extingue-se também, a árvore e a continuidade das gerações.
É poderosa esta imagem de que os humanos também se extinguem. De que fica suspensa uma história do passado que não será mais contada no futuro.

Pergunto eu: não existirão situações, e famílias em concreto, que o melhor mesmo é que estas se extingam? Não existirão heranças genéticas tão nocivas que o melhor para a sociedade é que ela se destrua? Deveríamos lutar pela não extinção de qualquer família? Salvar algumas em detrimento de outras? Ou não deveríamos nunca interferir no ciclo de vida e na selecção natural?

O problema (ou a solução?), desde há longos séculos, serão sempre os bastardos que, em muitos momentos da história, acabaram por assegurar a continuidade de uma família, de um nome. Não um problema por evitarem a extinção, mas um problema por não se por cobro, por fim, a famílias que a conjuntura universal achou por bem eliminar para dar lugar, quem sabe, a outros seres humanos de raça mais apurada e mais necessários à continuidade da sociedade em que vivemos.






3 comentários:

  1. não conseguiria decretar essa selecção genética.
    Mendel preocupou-se com isso,
    Mengele quis fazê-lo
    e com ele por cá, a extinção de muitas famílias seria uma realidade.

    Beijo

    PS: tratar-se-há?????

    ResponderEliminar
  2. É algo que frequentemente penso. Pois sou filha bastarda mas no entanto tenho o nome do meu pai. Os meus irmãos do lado do pai, ela mudou para o nome do marido, a outra também é filha bastarda mas nunca foi reconhecida legalmente como filha do pai como tal tem o nome da mãe, só o meu irmão mantém o nome do pai e eu.

    É um nome de família muito restrito muito invulgar mas muito presente na história envolvido com Reis poderosos de outros tempos(e até com o próprio Santo Ambrósio), não é como os santos, os rodrigues, os herinques e os silvas que existem assim quem nem pedras da calçada.

    Dito isto sempre disse ao meu Ambrósio quando tivermos putos tem de ficar com o meu ultimo nome no seu ultimo nome, porque sim, porque quero, porque posso. E vai dar muito que falar, principalmente pela família dele.

    É como o exemplo: Quando comprei casa, antes de a comprar exigi que na conservatório o meu nome viesse em primeiro lugar em vez de ser o homem primeiro. No dia da escritura a conservadora até elogiou esse facto porque em 30 anos de profissão foi a primeira vez que tal aconteceu, nunca tal tinha acontecido pois é sempre o homem e depois a mulher.

    ResponderEliminar
  3. Pois olha, bastardo eu sou. Ok, por parte do bisavô, padre (nem quero imaginar quantos parentes mais terei por aí), mas bastardo nonetheless.

    Sobre o nome é algo em que curiosamente vou pensando. Conheço alguns casos em que o mesmo 'morreu'. Entristece-me de algum modo. Talvez seja o instinto a falar.

    R.

    ResponderEliminar