segunda-feira, 15 de abril de 2013

Carta ao meu professor de ténis




Querido professor,

Antes de mais, deixe-me dizer-lhe que aprecio bastante o exercício que tem dado ao seu rabo. Está assim para o carnudo e tonificado e a mim apraz-me muito fazer exercício com um bom incentivo. É um bom cartão-de-visita e faz-me sonhar que um dia também eu poderei ficar com um rabo assim.
Quero também transmitir-lhe a seguinte ideia: se me está a ministrar aulas, é porque eu preciso. E sei que preciso. Não parta do pressuposto errado de que eu já era uma diva do ténis e que só me estou a fazer de esquecida. Se pararmos para pensar um pouco, caso o fosse, também não o teria procurado a si para me ensinar mas antes a um qualquer suprassumo dos ensinamentos tenísticos.
Mas adiante.
Quero deixá-lo ciente de algo mais: eu sou uma pessoa que aprende com facilidade. Ensinem-me que eu aprendo. Mas, uma vez mais, não exija em meia-dúzia de semanas, conhecimentos que outras pessoas terão demorado anos a adquirir e a colocar em prática. Vá com calma, sorria enquanto me repreende, não fique de trombas enquanto pensa “esta gaja é burra que dói” porque, de certo modo, isso vê-se na sua cara e no seu comportamento. E já se sabe, desde os tempos antigos, que comportamento gera comportamento. Não me peça para eu continuar a dar cartas quando só me lança jokers.
Estamos entendidos?
Tenho ainda a informá-lo que não conseguirei comprometer-me com o uso de vestuário adequado à prática do ténis. Aqueles vestidos e sainhas de lycra, são bastante agradáveis à vista (são sim senhor, que eu também acho) mas são assim um bocado para o justo, demasiado talvez para a minha, eminentemente catastrófica, condição física. Havemos de trabalhar nesse campo, onde agradecia até algum empenho físico da sua parte em colaboração comigo mas, até lá, vou continuar a presenteá-lo com o meu look total black , em versão burca de ténis dos tempos modernos.
Contudo, deixe-me incentivá-lo a continuar a usar os seus calções pretos aconchegadinhos a esse digníssimo rabo, porque o que é para mim não tem de ser para si.
Finalmente, agradeço-lhe a disponibilidade para me ensinar uma matéria na qual era totalmente leiga. Do género, aprender a tirar medidas, a apanhar bolas, e a ter força nos pulsos. Ocasionalmente, já me ensinou a controlar a saliva e a inibir a sede. Agradeço-lhe ainda que, quando começar a sentir o calor a apertar, retire a t-shirt para se poder refrescar à vontade.
Acredite, só estou a pensar no seu bem.
Porque um professor satisfeito é sinónimo de uma aluna motivada.




4 comentários:

  1. Epá, LOOL total!!! Lindo (principalmente para quem percebe do que se trata) :) No próximo fds que fiques em Évora quero testemunhar os teus progressos tenísticos! Boa? :)

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    1. Convenhamos: eu não estou assim tão mal, muito pelo contrário.
      Mas não sou uma daquelas tenistas louras russas que jogam como se a vida delas dependesse daquilo. Safo-me.
      Combinamos e depois dizes-me o que achas (e nesse dia o treinado fica em casa).

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  2. Escrita intensa. O Jota gostou da cadência deste texto. Excelente tom narrativo. (Credo até pareço um professor de estudos portugueses)...

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    1. E não será? :)
      Gostava de umas lições.
      Como disse, sou uma boa aluna.

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