sábado, 13 de abril de 2013

Poema modesto ao frigorifico do meu irmão





Estava eu tão bem sossegadinha,
Na sala a pastelar,
Deu-me um rasgo de energia,
Fui à cozinha inspeccionar.

Lá estava ele parado,
Branco e firme a trabalhar,
Achei-o tão simples e inofensivo,
Que só pensei em lhe agradar.

Abri-lhe as portas com jeitinho,
E olhei-o sem maldade,
Pensava que estava limpinho,
Que nem houvesse sujidade.

Tirei-lhe quilos de restos e gelo,
E outras tantas coisas sem fim,
Raspei e limpei-lhe bem o lixo,
Deixei-lhe partes de mim.

Duas horas de suor lá deixei,
Muito verniz de unhas lá perdi,
Se a ASAE aqui tivesse imposto a lei,
Estava eu presa... mas nem a vi.

Mas meu querido já podes rir,
Bem me podes agradecer,
De alguém ter olhado para ti,
Da desgraçada sobre ti não se abater.

Tens de me agradecer a mim,
Já teres esse rabo bem esfregado,
Não eras limpo desde a Dinastia Ming,
Mas agora aguentas mais um reinado.




5 comentários:

  1. Olha, já agora esclarece que já não estou nessa casa a tempo inteiro há quase um ano, tá bem?

    E para quando um acerca da máquina de lavar e outro acerca da máquina da louça?

    Isso é que era!

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    1. É mais giro assim :)
      Olha, entretanto, também fundi a lâmpada da casa-de-banho.
      Mas está tudo sob controle.
      (menos a máquina da roupa, pronto, isso está agreste).

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    2. Mas pelo menos o frigorifico agora está perfeito!

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  2. Respostas
    1. Eu nem por isso :)
      Suspeito que vou ficar sem unhas durante um mês.

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