sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Quero morrer amanhã




Apetece-me desistir de mim.
Morrer por dentro.
Matar-me.
Experimentar a ida sem volta.
Encurralar-me na eternidade?
Quero apenas o total desaparecimento.
Sem memória.
Com dor.
Com dor saberei que foi verdade.
A morte.
Amanhã vou morrer. 
Só te peço a indiferença de sempre.
Não lamentes.
Sei que não lamentarás.
Mas aparece amanhã para o adeus.
Para olhares para mim.
Para o corpo apenas.
Nada mais restará.
Veste-te de qualquer coisa digna.
Aparece para o adeus.
Sem semblante.
De cigarros colados aos dedos.
Já te vejo fumares-me os ossos.
Põe-me um punhado de flores em cima.
Despede-te de mim junto à cova.
Sei que não te agoniarás em dor.
Ficamos por ali.
Sem tragédia nem palavras.
Ficamos por aqui.
Como ficámos sempre.



Obrigada M.




1 comentário:

  1. há sempre um poema para cada momento da nossa vida.
    este vem a calhar.
    obrigada.

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