segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Economia explicada por uma dona-de-casa




Regras básicas para gerir uma casa com pouco dinheiro:

1º Mantenha sempre a noção de realidade
Nem todos podemos comer bifes do acém ao pequeno-almoço, almoço e jantar. E se estiver a passar por dificuldades, então, deve colocar essa hipótese completamente de parte. Não é vergonha nenhuma comprar asas de frango em vez dos bifes de vaca, mas será uma grande vergonha ostentar um par de bifes na mão que não conseguiu pagar e mais tarde lembrarem-no disso.

2º Não viva acima das suas possibilidades
Se tem 5€ no porta-moedas não olhe para a caixa de Ferrero Rocher que custa 10€. Quando olhar para a caixa de Ferrero Rocher, lembre-se que não é isso que alimentará a sua família. Compre antes um frango com os 5€. Em média alimentará quatro pessoas e se o desfiar e fizer uma salada, com sorte, alimentará oito. É tudo uma questão de não encher o bandulho de guloseimas a uns e deixar com fome os outros.

3º Nunca queira resolver um problema de economia atacando nas finanças
Se não consegue comprar três carcaças hoje, não pense em resolver isso usando o dinheiro para o leite de amanhã. Só se irá afundar mais em despesas e continuará sem ter ou as carcaças ou o leite. A ideia é produzir mais, para poder ganhar mais e, consequentemente, ter mais para gastar. Daqui por uns tempos até poderá pensar em comprar manteiga para barrar as carcaças. Quiçá, não conquiste a secção de peixe ou de carne.

4º Faça uma boa gestão da despensa
Não devemos encher a fruteira de com 5kg de pêssegos, só porque é a fruta que está em promoção no mercado, quando apenas temos capacidade para consumir 1kg. Para todos os efeitos, os outros 4kg irão para o lixo quando, com o preço desse desperdício, poderia ter variado a fruta e, quem sabe, não se poderia ter dado ao luxo de comprar um abacaxi.

5º Reveja os prazos de validade com frequência
Não garantir o cumprimento dos prazos pode dar grandes dores de barriga, já para não falar do desperdício de dinheiro que os mesmos podem implicar. Investir em artigos quase fora de prazo, mas que são muito mais baratos, pode ser arriscado e não ter o retorno esperado. Deve analisar bem esses produtos antes dos adquirir. Já em casa, deve vigiar as datas com regularidade. Se não o sabe fazer peça a alguém que o faça.

6º Nunca fique a dever na mercearia
Os merceeiros são uma raça má: apontam tudo num caderninho. Se não pagar no dia seguinte começam a olhá-lo de lado, se não pagar ao fim de uma semana proíbem-no de entrar na loja e, se não pagar ao fim de quinze dias, é difamado por todo o bairro. Depois, sabe o que acontece? A confiança em si desce, nunca mais ninguém lhe empresta dinheiro, é rotulado de caloteiro, e se quiser comprar um molho de bróculos na mercearia abaixo da sua, vão-lhe fazer um manguito.

7º Regateie sempre o preço
Não raras vezes somos roubados. Ao longo da nossa vida fomos roubados várias vezes. Balanças descalibradas, códigos de barras trocados, artigos que passam em duplicado… Por isso, não se iniba de regatear o preço. Faça bluf. Diga que ainda ontem pagou menos pelo mesmo artigo; que o vizinho é mais rico e mesmo assim pagou menos; que o produto não é assim tão bom e que há melhor na concorrência. Aceitar a primeira opção é mostrar ou riqueza ou desespero. Nenhum dos dois fará de si um bom gestor do orçamento familiar.

8º Faça trocas justas com os seus vizinhos
Se um dia oferecer um cesto de laranjas a um vizinho, pode esperar que, de futuro, ele lhe venha a retribuir com a mesma quantidade de maçãs. O que não pode, é receber uma banana e oferecer 1kg de papaias. A isso chama-se déficit. E o déficit é como uma doença prolongada: nunca acaba bem.

9º Nunca perdoe uma dívida
Primeiro, porque ninguém lhe perdoaria a si. Segundo, porque rapidamente se espalharia a notícia de que você é o otário que empresta e não pede de volta. Terceiro, porque abre um precedente. Se for mole, e não negociar, o buraco no orçamento ficará apenas do seu lado. Exija que, pelo menos, a divida seja saldada em garrafas de azeite todos os meses.

10º Crie o seu próprio sustento
Parado não consegue meter comida na mesa. Trabalhe. Obtenha um ordenado. Ou melhor, crie a sua própria riqueza e sustentabilidade. Se tem quintal, plante as suas próprias couves. Mesmo que não as venda, não dispenda dinheiro a comprar aos outros. Se vive a um passo do mar, pesque o seu próprio peixe. Mesmo que tenha trabalho a amanhá-lo em casa, pelo menos não passa pelo ridículo de ir gastar o seu dinheiro em peixe congelado apanhado aí mesmo à sua porta. Se tem habilidade para alguma coisa, use essa criatividade em seu benifício. Não dependa de ajudas para concretizar projectos. Não espere que o resgatem.

11º Nunca dispense o jardineiro se você não sabe cortar a relva
Não temos de saber fazer tudo. Idealmente sim, mas nesse caso não existiriam profissões e não existiriam pessoas especializadas em determinadas áreas. O merceeiro, sabe da mercearia. Por isso tem o seu valor. O jardineiro, sabe de jardinagem. Por isso tem o seu valor. O canalizador, sabe de canalizações. Por isso tem o seu valor. Não deixe, portanto, sair de sua casa quem produz ou o faz poupar dinheiro. Não deixe que o jardineiro vá embora se não tem quem saiba trabalhar com o cortador de relva. Não deixe o seu filho sair de casa se for ele o único a saber fazer contas. Não deixe o seu marido ir embora se ele for o único a meter um ordenado em casa.

12º Nunca roube
Se roubar, isso significa que esse dinheiro vai faltar a alguém. Se faltar a alguém, quer dizer que essa pessoa já não poderá gastar o dinheiro que lhe foi roubado. Se já não vai gastar o que lhe roubaram, quer dizer que alguém vai deixar de receber esse dinheiro. Quem deixar de o receber, não vai poder voltar a comprar, a investir, esse dinheiro. Se ninguém comprar, ninguém vende. Se ninguém vender, não se gera receita. Se não se gerar receita entra-se em falência. E a falência é sempre, mas sempre, aquilo que se quer evitar.





2 comentários:

  1. A chave, a verdadeira chave é: " Se ninguém comprar, ninguém vende." Todos os dias, todos os santos dias, alguém esquece isto. Apesar de, invariavelmente, uma derivação do princípio servir para abrir um noticiário em "prime-time".

    Boa noite!

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    1. É, de facto, essa a ideia.
      Tão simples e, pelos vistos, tão difícil de por em prática.

      Bom dia (já é de dia :) )

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