sábado, 19 de outubro de 2013

Pessoas porcas que vivem como cães



[nonsense]
[Porque as viagens na CP nem sempre são fáceis]



Cheira a cão molhado.
A chulé e a cão molhado.
Chulé dos pés de um homem daqueles que calçam meias turcas de fibra.
Cheira a mofo.
A mofo e a hálito podre.
Como aquelas pessoas que têm bocas que parecem grutas.
Ou que são apenas bocas em decomposição.
Como também têm aquelas pessoas que vestem blusas com suor de dois dias.
Aquelas que têm aureolas amarelas nas axilas e andam de braguilhas sempre abertas.
São as mesmas pessoas que usam as meias puídas nos calcanhares e um dedo a furar a biqueira.
Também podem ser aquelas pessoas que têm nódoas nas camisas e os botões abertos até ao umbigo de barrigas gordas.
As pessoas que têm furos na roupa também podiam ser essas pessoas.
E as pessoas que mostram regos de rabos a espreitar por calças justas são as mesmas pessoas que coçam virilhas como se ninguém estivesse a ver.
As minhas preferidas são as pessoas que escarram para o chão mesmo para os pés de quem vai a passar.
Nem os macacos arrancados do nariz superam isto.

E o que eu fico sem saber, é se essas pessoas gostam de ser porcos ou querem ser cães.
Ah! São só pessoas que não gostam de ser pessoas.
Então está bem.





1 comentário:

  1. Há uns tempos, o governo francês teve que fazer uma campanha para tentar tornar os seus citoyens menos antipáticos para os visitantes. Não foi bem sucedido. A antipatia é cultural lá.
    Cá é a badalhoquice. Endémica, pois então. Ainda somos o povo do "água vai".

    Boa madrugada :)

    ResponderEliminar