quarta-feira, 23 de abril de 2014

Relações: esse Adamastor.




Hoje, ao falar com um querido amigo, tive de parar pensar neste drama que é ser-se homem numa sociedade, cada vez mais, emocionalmente manipulada por mulheres. Em que as relações acontecem onde, quando e como as mulheres quiserem. Mother fucker's, onde andavam vocês, suas domadoras de leões excitados, quando eu precisava de me encher de coragem para arranjar um gajo e fazer dele gato-sapato?

Pois eu e o meu caríssimo Don Juan da Reboleira, falávamos de gajas (que é do que falamos melhor) e ele mostrava-se, uma vez mais, indignado com o comportamento que as mulheres têm para com ele. Mas comportamento gera comportamento Don Juan da Reboleira, eu já te avisei, que isto de ser putéfia é coisa que já saiu da escuridão das estradas há muito tempo, e vai para cima de uma década que rivaliza com a vossa arte de ser enrabadores de cus alheios.

Bom, mas o Don Juan da Reboleira (DJR, para ser mais fácil) é pessoa que mora no meu coração, naquele cantinho dos filhos-da-mãe que eu queria que tivessem sido mas não foram, mas como vi que até eram umas jóinhas de moços, deixei-os ficar a viver aqui na cave do meu coração. E por essa razão, eu amo - de amizade - as conversas honestas que tem comigo. É um tipo sincero e por isso leva-me sempre o Óscar para melhor actor principal em papel dramático porque, de facto, ele vive as relações com toda a entrega e genuinidade.

Não me alongo mais em elogios e considerações, deixo apenas um brevíssimo excerto da longa conversa que tivemos sobre isto das relações, e de como descobri que uma parte de mim é gajo: o cérebro.



DJR: Buenas!

Eu: Hello Dear!
como tens passado?

DJR: eu vou ter de namorar este ano.

Eu: acho bem que sim, caramba.

DJR: resolução mas não obrigação.

Eu: não percebo porque é que estás sozinho.

DJR: porque sou mau tipo. Mau feitio. Selectivo e desconfiado.

Eu: isso do ser selectivo… até parece que só queres princesas e os outros é que se contentam com lixo.
deixa-te de cenas.

DJR: princesas nada. Não é por aí. Porque senão já tinha.

Eu: então és selectivo em quê?
consegues explicar?

DJR: ora bem… selectivo no sentido que, se vejo que não somos compatíveis, não deixo evoluir ou não me deixo ir.

Eu: mas sabes que há compatibilidades que só se conhecem com o tempo, para o bem e para o mal?

DJR: de certa forma. Mas se noto que não irá dar, mato logo à partida.

Eu: estás assim à espera de um amor à primeira vista, já que à segunda pode logo morrer :)
sê ligeiro nas exigências, ninguém é perfeito, nem mesmo nós próprios.

DJR: eu não sou mesmo mas acho que sou suficientemente inteligente para entender o que querem de mim e largar sem ter de me magoar.

Eu: o que é que querem de ti?... até parece que são todas umas interesseiras.
oh Don Juan da Reboleira, as mulheres só querem amor e que lhes digam que são lindas mesmo quando são uns chaimites. O que gostamos mesmo é de viver iludidas que nos amam.
é só isso.

DJR: querem isso mas não querem dar. Estão muito egoístas.

Eu: Como assim?

DJR: vou-te contar um episódio recente…
Ando a falar com uma rapariga há muito tempo, é divertida, inteligente, mulher de negócios, bonita, atraente...
algumas qualidades.
Um dia demonstrou que tinha vontade de me conhecer e que queria almoçar comigo e abraçar-me…

Eu: e...

DJR: e apareceu… almoçamos, rimos.

Eu: no que é que a rapariga foi egoísta?

DJR: foi simpática, mas não abraçou, não beijou, e eu também não forcei.
depois de ir embora disse um simples gostei do almoço.
E eu disse: “eu também, mas parece que ficaste desiludida”.
ela disse que não, e tal, e que era tímida.

Eu: mas se calhar ficou mesmo desiludida.

DJR: ficou mesmo.

Eu: também pode ter os padrões dela e tu não estares lá.
não sei, estou a mandar para o ar.

DJR: mas que não me enganem e saberei viver com isso.

Eu: mas em que é que achas que ela te enganou?
se calhar perdeu a pica depois de te conhecer.
quantas vezes já fizeste tu isso a raparigas?

DJR: ela disse que tinha vontade de estar comigo, e tal, e foi de férias e continuava na net e sem me escrever.
ou seja: grande vontade...
até que se lembra e pergunta: tudo bem?
eu apaguei e nem respondi.

Eu: mas em que é que achas que ela te enganou?

DJR: porque não foi correta e não me interessa conhecer pessoas assim.
ela ainda enviou mais um sms a pedir para ir ter com ela.
desejei boa páscoa e apaguei o número dela.

Eu: DJR, DJR... tanta psicologia que tu metes nas coisas…
basicamente o que tu queres é poder engatar e dar para trás quando bem te apetecer mas achas inconcebível que alguém te faça o mesmo.
só me parece que ela poderá mesmo ter ficado desapontada ou, simplesmente, fantasiou demasiado e depois, no momento da verdade, as pessoas são diferentes.
já aconteceu a todos.
e tu não percebes, porque custa aceitar que não somos interessantes aos olhos dos outros, mas fazes, exactamente, o mesmo às mulheres.
quando não te agradam tu desligas logo, sem dizer nada.
Matas logo à primeira, lembras-te?
elas nem chegam a saber onde "falharam".
dear... tens de ver o outro lado.

DJR: eu vejo o outro lado e vejo que o que ela fez ou faz é idêntico ao que falas e por ser assim não quero.
azarinho...

Eu: esta conversa é boa demais:
eu pareço o gajo e tu a gaja.

DJR: eu sou gaja nesse aspecto sim.

Eu: epá, eu realmento divirto-me muito a ver como as pessoas querem todas o mesmo mas não se conseguem entender por causa do pensa-que-pensa de cada um.
somos tão complicados.

DJR: então e o que é que achas que queremos mesmo?
ou melhor, no teu mundo e na tua forma de agir, como deveria ser a reacção?
ora conta, perfect girl…

Eu: vai passear com a perfect girl…
Ora vamos lá ver, na minha sabedoria, e o que eu acho, é que ela ia com a cabeça a mil a pensar que ia encontrar o Mr. Perfect :P
como isso não existe, nem em ti nem em ninguém, ela ficou com pouca vontade de avançar. Tal como tu, cortou logo à primeira, também não dá segundas oportunidades... talvez seja mesmo a mulher perfeita para ti :)

DJR: (concordo)
tirando a perfeita para mim, concordo.

Eu: e tu... ficaste com o ego ferido, porque todos queremos que gostem de nós e quando percebemos que isso não acontece ficamos em baixo.
mas a tua maneira de reagir é um bocado exagerada…
a menos que tivesses ficado embeiçado por ela… hmm…
se ficaste, então és tu quem tem de ir atrás.
ela se calhar até está à espera disso.
pode ser matreira, tal e qual como tu, e estar à espera do "deixa lá ver até onde este gajo é capaz de ir por mim"...
e na verdade já mostraste que não queres ir a lado nenhum com ela ou já a terias procurado.
Por isso digo que querem ambos o mesmo porque a desilusão dela é a mesma que a tua mas nenhum está disposto a fazer o que seja um pelo outro.
right?

DJR: right.
so true.

Eu: mas diz lá agora: gostaste dela?
esquece o que veio depois.
gostaste de estar com ela?

DJR: não se gosta em 3 dias.

Eu: mas tu mataste-a logo no primeiro dia, como é que sabes se ias gostar nos dois dias seguintes?



5 comentários:

  1. loool o teu amigo que se dê uma chance a ELE mesmo.
    e que curta a vida. e que não pense mais nisso.

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    1. Está bem visto.
      É que é isso mesmo: dar-se uma chance.

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  2. Don Juan da Reboleira tem uma ótima conselheira! Mas concordo com DN:ele precisa permitir-se.

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  3. Eu podia dizer que o DJR é igual a mim, porque também mato tudo à primeira. Exceto pelo facto de eu não o fazer, porque gosto de engatar ou dar ao para trás quanto me apetece.
    Não procuro o Mr. Perfect, mas então que raio procurarei eu? Um homem que eu conheça e que me desperte a vontade de querer continuar a conhecê-lo. Cada vez mais. Acho que é isso.

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