quarta-feira, 23 de abril de 2014

. Tristeza .




A tristeza que nos sobe aos olhos, nem sempre é a tristeza que trazemos dentro de nós.
Podemos ser tristes e reluzir uns olhos audazes.
Podemos sentir-nos vigorosos e arrastar uns olhos tristes.
A tristeza que temos dentro de nós muitas vezes cresce apenas no nosso peito. Contaminando-nos o cérebro. Os pensamentos. Mas não se vê. Ninguém a vê. Há quem pense que nos lê a alma e os pensamentos, quando nos olham nos olhos, mas sabemos bem que aquela tristeza profunda e verdadeira, é aquela que nunca se vê. Aquela que não deixamos que se veja. Que preferimos que definhe dentro de nós. Que nos murche a vida. Que nos seque a esperança. Que nos disseque os olhos, deixando-nos a desmaiar na solidão. Que nos empurre as palavras difíceis de dizer pela boca dentro.
A tristeza é aquilo que nos mata antes de sabermos que morremos.


Há muito tempo que tento compreender o significado da tristeza. Daquela tristeza profunda e duradoura. Daquela tristeza que se confunde com a própria pessoa. Aquela que já não sabemos identificar se é um sentimento ou se é a personalidade. A tristeza crónica. A depressão.
Alguém saberá, verdadeiramente, onde começa uma e se extingue a outra?




2 comentários:

  1. Fizeste-me "umas lagrimitas".Emocionei-me, sinceramente.

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  2. este post define-me. completamente. essa tristeza que descreves tão bem, a que nos cresce no peito e lá se mantém, aquela que fingimos já ter superado para conseguirmos viver mais um pouco, mas que sabemos que está lá e temos um medo do constante do momento do dia em que "aparece".

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