sábado, 12 de fevereiro de 2011

Eu e o ginásio




Para mim ir ao ginásio é como tomar um remédio. É por obrigação. Ponto. Fim de história. Sem romance.
Há 6 anos que ando no mesmo ginásio e tem sido um namoro muito difícil. Acabamos, começamos, acabamos,... ups, mais uma recaída... e acabamos um casal descredibilizadoJá ninguém acredita que eu levo o ginásio a sério e, honestamente, creio que até no próprio ginásio me consideram um caso de insucesso. Mas eu lá vou insistindo. Mas existem algumas condições para eu continuar a frequentar o ginásio:
- Que ninguém meta conversa comigo;
- Que ninguém olhe para mim;
- Que ninguém me faça exigências;
- Que ninguém me critique.
Por isso é simples. Têm de ignorar que eu entro, permaneço e saio.
Mas de há uns tempos a esta parte, não sei se por disponibilidade minha se por à-vontade das outras pessoas, comecei a sentir algumas aproximações e o início de pequenas conversas de circunstância do tipo: "pois lá temos de vir sofrer, não é?". Nem disso gosto, confesso. Não gosto, porque, simplesmente, não gosto de conversas que não vêm de lado nenhum e não levam a lado nenhum.
Mas hoje, dentro do género de conversa de circunstância, aconteceu uma coisa que me amoleceu este coração de aço e betão.
Lá fui pela manhã ao ginásio, cumprir a minha penitência por ter comido um brownie ontem, e procedi àquela rotinazinha típica do despe e veste e bora lá correr.
Vi algumas caras conhecidas (parece que são sempre os mesmos a ir) e meti-me na passadeira, e nos meus pensamentos.
Decorridos nem uns 5 minutos, uma senhora dá-se ao trabalho de parar o seu exercício, vem ter comigo e diz: "Não a tenho visto esta semana por cá. Passou a vir ao Sábado?" e depois mais um blá, blá, blá... e voltou ao seu exercício.
E eu pensei cá para mim: "mas que fofinha ter reparado que eu esta semana me andei a baldar e que este Sábado é mesmo uma excepção".
É isso mesmo. Ainda há quem olhe para os outros. Ainda há quem se dê ao trabalho de dizer ao outro: "dei pela tua falta". Ainda há quem seja simpático só porque sim.
Fiquei tão feliz com este bocadinho de nada! Porque não é nada para muita gente. Mas para mim, que há 6 anos que entro e saio de olhos no chão, isto é das melhores coisas que me podiam fazer.
Se gostei tanto que isto me acontecesse, é porque, provavelmente, está na hora de começar a retribuir.
A partir de segunda-feira vou ser uma mulher diferente e aquele ginásio nunca mais vai ser o mesmo.



1 comentário:

  1. Tenho uma história para te contar sobre isso!
    Quando cheguei ao Sal, portuguesa "branca" no meio do dia a dia de Caboverdianos "pretos", e comecei a ir ao mercado como todas elas, deparei-me com uma velhota que vende fruta e legumes que tinha sempre uma cara carrancuda sempre que me via! Para ela eu devia (devo) ser uma portuguesita com dinheiros (eles acham todos que somos todos ricos!) armada em colonialista que ia lá fazer compras. À 3.ª vez que me fez má cara pensei: nunca mais lhe compro nada!
    Vim-me embora a moer a cabeça, danada porque era sempre simpática para ela e o raio da velha nem mostrava os dentes!
    Decidi: vou vergá-la, ela vai sorrir para mim!
    Durante 3 meses andei a namorá-la, sempre a meter conversa a elogiar o quanto gostava de estar cá...
    Até que finalmente ela vergou!
    Agora quando me vê sorri! Conversamos sobre o dia a dia e, damos boas gargalhadas!

    Conclusão: essa senhora do ginásio vergou mais uma carrancuda! lol no bom sentido!

    ResponderEliminar