quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O rapaz do olho pintado



"Não é necessário saíres de casa. Continua à mesa, ouve. 
Não ouças sequer, espera simplesmente.
Não esperes, sê absolutamente solitário, absolutamente silencioso.
Acredita que o mundo irá oferecer-se para se desmascarar, não pode agir de outro modo; 
sob o teu encanto, desenrolará os seus anéis a teus pés"

Franz Kafka


O rapaz do olho pintado faz anos hoje. E não lhe conheço mais nada. Não sei a sua idade. Não sei o que o move. Não lhe conheço a voz. Não sei quem ele é. Mas tem aquele encanto, que só uma imagem pode ter, e por isso dedico-me à sua contemplação. Uma imagem que não fala, que não se move, que não existe. Não hão-de haver pessoas a agarrarem-se a Deus sem nunca O terem visto? É tudo uma questão marketing. De saber vender uma imagem ou uma ideia. E o rapaz do olho pintado sabe como fazê-lo. Fá-lo tão bem que me encoraja a desejar-lhe os parabéns da melhor maneira que posso e sei, oferecendo algo tão intangível como a sua figura o é para mim: as palavras. Por isso fica aqui um registo de coisas que penso quando sinto a sua proximidade tão distante, sobretudo neste dia de celebração, que nunca saberei se de facto existiu.
Pois não LP, não nos conhecemos. E há coisas que devem ficar sempre assim, suspensas na imaginação. Mas não posso deixar de ficar surpreendida. Não por ti ou pelas outras pessoas. Mas pela vida. Pelo facto de a vida ainda me ensinar o caminho para as pessoas. Desse caminho ser fácil e dessas pessoas, como tu, não o impedirem. Há pessoas que sempre fizeram parte de nós mas não sabíamos por onde andavam. Quando encontramos essas pessoas não sentimos alegria, sentimos conforto. O mesmo conforto de quando nos sentamos debaixo de um telheiro, no calor de uma tarde de Verão, a comer marmelos maduros. A sensação de que, naquela pessoa, conhecemos a frente e o verso, que tudo de surpreendente que diz e faz não o é senão para os outros, por lhe conhecermos tão bem o destino das palavras e das acções. Isto de quando em vez acontece. Mas é mesmo de quando em vez.  
Contigo LP, aconteceu. Encontrei-te. Não fugiste. E hoje estamos aqui. De onde nunca sairemos, mas onde sempre me poderás encontrar. Encontrei uma pessoa de humor invulgar, de um número de amigos para além dos dedos das mãos, de gosto musical ecléctico mesmo que isso não jogue a seu favor, com uma noção de moda incrivelmente ridícula, mas que lhe confere carácter único, e com um desejo idiota de casar quando sabe que o seu espírito nunca se quedará a um só coração. No fundo, venho aqui apenas reconhecer, não te conhecendo, que pareces (e agora vamos ao bom português) um gajo porreiro.
Espero que aceites as minhas modestas palavras como presente, e que compreendas que presentes sentidos só se dão aos amigos, mesmo aqueles que não sabemos quem são.
Obrigada pela simpatia da tua imagem e desse inesquecível olho pintado.
Obrigada por partilhares com o mundo o teu “notável sentido de humor”.


Parabéns!



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