terça-feira, 20 de novembro de 2012

Bonjour Tristesse



Tantos dias que acordas triste.
Todos os abrir de olhos são penosos e perguntas-te o que andas cá a fazer.
Móis os pensamentos vezes sem conta e nunca vens ao de cima. Afundas-te cada vez mais na névoa que são os teus despertares. Que pensamentos tristes tens...
Não encontras sentido para nada. Só sabes que te dói tudo. Mas nem sabes porquê.
Dói-te a alma. Dói-te o corpo. Doem-te as vidas das pessoas que amas. Doem-te os sonhos que não irás realizar. Dói-te tudo aquilo que queres e não alcanças. Doer-te-á sempre muito mais o que não conquistarás do que tudo o que já ganhaste.
Questionas-te porquê.
Não, não questionas. Tu achas que sabes tudo o que há em ti e por isso nem te questionas. Pensas que te conheces em profundidade e que o teu fundo não tem fim. 
Mas não sabes nada ti. Não sabes porque na realidade não existem razões para estares tão triste para além da tua própria tristeza. A única coisa que conheces em ti é essa tristeza triste. O teu único mal é essa tua tristeza sem razões para ser tão triste.
Mas continuas a acordar triste todos os dias. Tão triste.
Tens aquela sensação de um corpo pesado que não se quer despregar da cama. De uma cabeça cheia de coisa nenhuma que se acredita cheia de tudo. Que acredita que carrega o mundo. O teu e os dos outros. Daqueles que amas, dos que não amas, dos que conheces e de todos os desconhecidos.
É isso mesmo que carregas. Tudo de todos. 
Mas ninguém te pediu para carregares nada. Tu e essa mania que os outros não sabem sofrer e tu terás de sofrer por eles. Somas todas as tristezas e por isso nunca poderás sorrir. Nunca poderás abrir os olhos e seguir pelo dia fora sem fazer contas. Gostas, na verdade, de sentir essa amargura. Aquela que te faz ficar pregado à cama com os olhos no tecto a pensar no fim dos dias.
E queixas-te que acordas triste. Tão sofridamente triste. Mal acordas pensas em morrer. E isso faz toda a gente triste. Quanto mais a ti...
O pior, é que vai mesmo haver aquele dia em que irás acordar e vais querer morrer mais do que em qualquer outro dia.
Vai haver aquela manhã em que abres os olhos e não vês outra saída que não seja entregares-te.
Em que a tua infelicidade se irá querer eternizar num qualquer momento de dor.
Pensas bem e ganhas todas as certezas. Acordar triste ou morrer? Há dias que achas tratar-se do mesmo. 
Um dia irás acordar, encher-te de todo o medo e trazer lágrimas aos olhos. Porque não queres morrer.
Porque queres que vejam o quanto queres morrer. Mas tu não queres morrer.
Queres que percebam que sofres. Que sofram por te ver sofrer. Mas morrer? Tu não vais querer morrer.
Acordarás triste todos os dias que te faltam viver. E irás viver muito. Irás continuar a querer morrer. Sofrerás todos os dias ao abrires os olhos. Mas não tenhas pressa em morrer. A morte virá um dia ao teu encontro quer a queiras ou não.
Até lá continua triste.
Acorda triste todos os dias, mas acorda. Podes acordar.
O mundo lá fora vai continuar igual e ninguém se irá preocupar contigo.
Por isso é bom que acordes e digas bom dia!
Pssst... Acorda... Tens tristeza para espalhar.




7 comentários:

  1. "Tens aquela sensação de um corpo pesado que não se quer despregar da cama. De uma cabeça cheia de coisa nenhuma que se acredita cheia de tudo. Que acredita que carrega o mundo. O teu e os dos outros. Daqueles que amas, dos que não amas, dos que conheces e de todos os desconhecidos."

    Been there, done that...


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    1. Todos nós, em um momento ou outro... Todos nós.
      ;)

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  2. É por isso que se diz que a felicidade é contagiosa.

    Quando a felicidade é real e verdadeira, ela transborda e toca os outros, contagiando-os.

    O mesmo se passa com a infelicidade, mina tudo.

    Beijinho grande,
    Ana

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  3. :)

    A *Pérola* recomenda:

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    BeijOoOOoOO

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  4. No fundo não queres morrer, só querias que tudo fosse diferente. Não querias que tudo acontecesse tal como planeaste, mas pelo menos um pouco parecido com aquilo que sonhaste. E acordas e dás conta dessa existência que não querias para ti, mas também já não sabes o que queres ou sequer se queres. E os dias são iguais, automaticamente iguais e sucedem-se uns aos outros sem que se cumpra o que era devido, ou aquilo que achavas que merecias. E já não te entregas, já só vives, já não pensas, apenas te submetes e esperas, com a calma digna de quem sabe esperar que um dia tudo mude...

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