sábado, 17 de maio de 2014

A mulher que vivia num livro

Violeta Bubelyte





E quanto tempo pode um homem guardar o cheiro dessa mulher?
Quanto tempo quererá que esse aroma lhe perdure na pele?
Quantas memórias esse cheiro não lhe tem deixado morrer?


Naquele livro as palavras sussurravam-se
A história diluía-se em parágrafos vagos
As personagens não tinham tom

A capa amarelara-se com o tempo
As páginas amoleceram-se de humidade
A dedicatória visceral...
Esborratou

Perdeu-se a palavra manuscrita
Perdeu-se a paixão de quem a escreveu
Mas o cheiro 



gritava



Ainda aqui estou






2 comentários:

  1. Credo! Numa altura em que está meio + 3/4 de Portugal enfiado na clínica "não mais pêlo" e tu apresentas-nos esta Conchita Wurth das vaginas.

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    1. Ahahah, agora fizeste-me rir.
      Peço imensas desculpas, tens toda a razão.

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