quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A criança índigo



"Crianças índigo - é uma teoria que afirma que, supostamente, uma nova geração de crianças com habilidades especiais estejam nascendo e que estariam trazendo uma "Nova Era" para a Humanidade. Essas crianças, segundo a teoria, teriam habilidades sociais mais refinadas, maior sensibilidade, desenvolvimento profundo de questões ético-morais e portariam personalidades peculiares que possibilitariam facilmente sua identificação em meio a outra crianças. Embora farta literatura tenha sido publicada nos ultimos anos, não há comprovação científica sobre o fenômeno, bem como o sistema de classificação "crianças índigo" e "crianças cristais" é rejeitado por conselhos de pediatria e especialistas em educação infantil. As crianças indigo são também comumente associadas a Geração Y. As crianças índigo apresentariam uma série de atributos sensoriais recorrentes, como a hipersensibilidade auditiva ou a hipersensibilidade tátil. De igual modo, apresentariam um padrão de comportamento peculiar, destacando-se:
- Chegam ao mundo com sentimento de realeza e a curto tempo se comportam como tal;
- Têm a sensação de ter uma tarefa específica no mundo, e se surpreendem quando os outros não a partilham;
- Têm problemas de valorização pessoal e a curto prazo dizem a seus pais quem são;
- Custa-lhes aceitar a autoridade que não oferece explicação nem alternativa;
- Sentem-se frustrados com os sistemas ritualistas que não requerem um pensamento criativo;
- A curto tempo encontram formas melhores de fazer as coisas, tanto em casa como na escola;
- Parecem ser anti-sociais, a menos que se encontrem com pessoas como eles;
- Não reagem pela disciplina da culpa;
- Questionam frequentemente os dogmas religiosos, não os aceitando naturalmente como tradição familiar;
- Não são tímidos para manifestar as suas necessidades."

In Wikipedia


A menina nasceu azul. De início ninguém notou. Só lhe viam os predicados cor-de-rosa. Mas o seu tom de amora revelar-se-ia ainda antes da idade de aprender as letras e os números. Muito antes de calçar os primeiros sapatos pretos de salto alto e de esconder os lábios num batom escarlate. Muito antes de descobrir os beijos doces de um primeiro amor fúscia. Muito, mas muito antes, de recolher beijos verdes, de podres, dos amores canastrões. 
A menina azul soube que era especial mal saiu do ventre da mãe. Tomou consciência da sua grandeza quando foi deixada aos cuidados da ama e, olhando para os outros meninos, viu como eles eram transparentes e ela não. Não tinham cor. Quando ela parecia uma caixa de lápis de cera, com todas as cores a que se lhes conhece o nome, os outros pareciam-lhe apenas um borracha. Nada se construía nos caminhos dessas crianças pálidas, ao passo que na sua vida se rabiscavam linhas de cores profundas em todas as direcções. Porque o bem tem muitas cores. Todas as cores.
Com os anos a passar experimentou algumas vezes o cinzento das pessoas que insistiam em travar-lhe as boas intenções. Essa situação por vezes amargava-a um bocadinho lá no fundo da garganta, outras vezes sabia-lhe a amarelo fluorescente: fresco! Era nessas alturas que voltava a ser azul e a ajudar os outros. Era por essas pessoas que se sentia azul. Era por estas pessoas que não valia a pena fugir do seu destino da cor do céu. Percebeu que não podia continuar a fingir que era púrpura, ou castanho, ou bordeaux... era azul. Simplesmente, azul índigo.

A menina fez-se mulher. Ganhou coragem para encarar o seu azul profundo... muito mais profundo que algum dia ousou pensar. Agora só não sabe se há-de mergulhar nele ou emergir. Assumir o seu esplendor ou recolher-se a uma insignificância que sabe não ter.




3 comentários:

  1. Já li muito sobre as crianças indigo e cristal, mas pouco se fala do que acontece a essas crianças quando passam à fase adolescente e adulta. Serão tragadas pela sociedade?

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  2. Não há como negar que este tema é altamente sensível. As próprias famílias, quando confrontadas com a possibilidade de estarem na presença de uma criança índigo, tentam "esquecer" o assunto e dão-no a "esquecer" à criança. Muitas vezes acabam por saber em adultas, quando a sociedade já desfez metade do trabalho. Creio (convictamente) que muitas nunca chegam a explodir a sua verdadeira natureza. Acabam por se integrar na sociedade de um modo forçado mas inevitável. A vida tem de continuar. E a vida continua mesmo...

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  3. Nem queiras saber quem2 de novembro de 2011 às 10:44

    Por enquanto temos de nos contentar com a fornalha de políticos que nos governam. Pode ser que um dia estas crianças da "nova era" lhes tomem o lugar.

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