quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O louco



"O Louco é o vigésimo segundo Arcano Maior do Tarot ou, simplesmente, o número 0, conforme os baralhos. Esta carta representa um jovem leve e solto, que caminha a tocar flauta. À sua frente está um precipício. Tem uma trouxa às costas, há uma borboleta que voa por ali e um cão que lhe morde o calcanhar. A carta tem o número XXII e a letra hebraica TAU (no Tarot de Thoth / Crowley a letra ALEPH). Busca, desapego, impulso, excitação.

SIMBOLOGIA
No louco, tudo é leve e solto. Isto pode trazer inquietação e actividade, pode trazer mudanças àquilo que está estagnado. O cão tenta avisá-lo do precipício que tem à frente, mas parece que ele nem percebe, por estar distraído a olhar a borboleta, livre. Simboliza o desligamento da matéria, uma história a ser vivida, continuar vivendo a vida sabendo que algo surpreendente poderá acontecer e aceitar esse fato despreocupadamente. O acaso irá resolver tudo. Pode ser interpretado como despreocupação, curiosidade de experimentar coisas novas ou até mesmo um pouco de confusão. Também pode significar que o Louco partiu em busca de algo que procurava, como um desejo que de repente extravasa, uma busca que foi sufocada durante muito tempo. Geralmente o conselho é seguir a espontaneidade e estar aberto para tudo aquilo que a vida tem a lhe oferecer. Deve-se aceitar que você é um aprendiz da vida."


in Wikipédia



A intenção deste texto nem seria originalmente esta. Queria construir a história de um velho louco, perdido pelas ruas desta cidade onde vivo. De um velho ou de diversos velhos. De velhos, de novos, de homens e de mulheres, de loucos ricos e pobres; porque esta cidade está cheias deles e já mereciam que eu lhes dirigisse a palavra. Contudo, na fase prévia à das palavras, tenho por hábito procurar o significado das coisas no dicionário, ler outros livros, procurar imagens, associar uma música... enfim, perceber o espírito daquilo sobre o qual quero escrever.
E foi nesse novelo de informação que me deparei com a carta de Tarot "O Louco". E eu gosto desta carta. Talvez a carta que prefiro logo depois da "Roda" e da "Morte". Mas o que importa agora, para se entender o interesse em alterar a direcção de um texto, que poderia ser mais interessante dentro do campo da ficção, é o significado da carta em questão, e a sua aplicabilidade em nós, homens e mulheres. De facto alguns de nós são loucos, em gradações variadas, mas todos o somos, ou fomos, em algum momento. E eu gosto de pessoas desprovidas da noção da realidade. Digo muitas vezes que são os loucos que me "levam no bico". Que é como quem diz, que tenho uma predilecção por gente louca, diagnosticada ou não. E isto nem tem qualquer sentido depreciativo ou até irónico. É a realidade assustadora da minha personalidade. Aqueles a quem chamam malucos, doidos, esquizofrénicos, alucinados, bipolares e por aí fora, são, regra geral, pessoas por quem acabo por nutrir uma empatia não comum. E não é pena. É admiração e curiosidade. Gostava de saber o que lhes vai na cabeça.
O que não se pode confundir são esses ditos loucos com os seres comuns que não são loucos mas são apenas néscios, idiotas e fracos de princípios e moral. Esses são só parvos e, de algum modo pouco inteligente, perigosos. Esses são apenas poeira em forma de gente. E é em relação a esses que tenho qualquer coisa a dizer. Também passo a vida a cruzar-me com eles. Conheço alguns, por contingências da vida, e conheço outros porque tinha o filtro avariado e não percebi a tempo quem eles eram. Acontece a todos, creio!? Esse tipo de gente não me merece o respeito mas perco tempo da minha vida e energias que não deveria despender. Infelizmente é isto que acaba por acontecer. Não nos servem de nada a não ser para nos consumir e posteriormente nos caírem na consciência como um erro que não deveria ter ocorrido. E o que é que se faz a estes idiotas que andam aos tropeções pelas paisagens (até nos resvalarem em cima apesar dos múltiplos avisos) que o melhor para todos seria terem os dois pés bem assentes no chão?
Pois nada.... Engole-se em seco, amargura-se um bocadinho, chora-se por não mais de cinco minutos e depois... Depois segue-se em frente sem deixar rasto, para que o caminho não fique a descoberto e eles possam vir atrás.
Um dia hei-de escrever sobre os loucos que me merecem consideração porque hoje não passou de mais que um desabafo que não se podia ficar pelo papel.

Posto isto, segue o recado:
"E foi por isto que quando te disse que não me queria apaixonar por ti, por saber que não havia um futuro, que tu me respondeste que só pensavas no presente. O que contava era o momento, sem olhar em frente. Que não pensavas muito no que estará por vir.
E eu ainda nem sabia que era inevitável o desastre. Apesar de te ter servido de cão para avisar do precipício, preferiste não pensar e ir atrás das minhas lindas borboletas. O meu sagrado Paná-paná que há mil anos descansava inerte no fundo dos meus sentimentos.

Caíste, pois caíste. E eu não te irei erguer."







3 comentários:

  1. O moralista é como um sinal de trânsito que indica para onde se pode ir para uma cidade, mas não vai. (Charles Dickens)
    Eu não sou moralista!
    Presumo que doeu. Lamento!

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  2. Está-me a chamar moralista? E pensa que me custa? O que me dói são outras coisas que, presumo, já tenha percebido quais são. O resto, são favas contadas. Sou um pouco moralista, sim. Não se iluda, somos todos.

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  3. Não, não estou! Nem toda a gente tem o seu arcabouço.

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